Ao menos 236 ex-servidores da Agespisa não aderiram ao Plano de Demissão Voluntária (PDV) realizado antes da liquidação da estatal piauiense e seguem cobrando o pagamento de salários atrasados e verbas rescisórias. Os trabalhadores estão acampados em frente à antiga sede da empresa e reivindicam os salários referentes aos meses de novembro e dezembro de 2025, além do 13º salário.
Em contato com o Portal O Dia nesta terça-feira (3), a Secretaria de Administração do Estado do Piauí (Sead) informou que os pagamentos devidos aos ex-funcionários devem ser efetuados ainda neste mês.
“O estado irá adimplir os pagamentos do passivo de pessoal e pagará as rescisões para quem não aderiu ao PDV, em fevereiro”, disse a assessoria da Sead.
A Agespisa (Águas e Esgotos do Piauí) foi liquidada em julho de 2025. Com o encerramento das atividades da estatal, os serviços de abastecimento de água e saneamento passaram a ser operados pela empresa Águas do Piauí, vencedora do leilão pela Aegea Saneamento e Participações S.A., que prevê investimentos de R$ 8,6 bilhões para universalizar o acesso à água no estado.
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Durante o processo de liquidação, o Governo do Piauí instituiu o Programa de Afastamento Incentivado (PAI) como parte da extinção da empresa. No entanto, os 236 ex-servidores optaram por não aderir ao programa. Com o fim da Agespisa e a ausência de vínculo funcional, os trabalhadores ficaram sem receber os salários. Em comunicado, a Sead informou que a situação será regularizada, incluindo o pagamento das rescisões trabalhistas.
O deputado estadual Gustavo Neiva (PP) visitou o acampamento montado pelos ex-servidores em frente ao antigo prédio da Agespisa e relatou que ouviu dos funcionários dificuldades financeiras, com parte deles dependendo da ajuda de amigos e familiares para sobreviver.
“Na lei que o governo mandou para a liquidação da Agespisa, eu apresentei emenda colocando os servidores que não quiseram aderir ao PDV para serem absorvidos pela Emgerpi, que dá ENJERG para continuar prestando serviço ao Governo do Estado, mas, infelizmente, esta emenda foi rejeitada e os servidores ficaram sem essa opção”, disse Gustavo Neiva.
Segundo o presidente do Sindicato dos Urbanitários, Edilson Rocha, o movimento dos ex-funcionários não reconhecem o pagamento que será realizado por parte do governo, já que entendem que o processo que os retiraria da Agespisa, está sub judice, após recorrer de uma liminar conquistada pelo Executivo Estadual.
“O movimento continua, o governador disse que vai pagar, mas na compreensão do sindicado, é de que está sob judice, não reconhecemos, são pessoas de estabilidade provisória, e os companheiros que não aderiram ao PDV não se enquadravam no programa por possuir doenças crônicas, a proposta seria realocar para outros órgãos do estado, como foi realizado em situações parecidas com outras empresas públicas”, defendeu.
O programa, instituído pelo Governo do Piauí em julho de 2025, previa apenas incentivos financeiros para empregados, aposentados ou não, que optassem pelo desligamento voluntário. A medida teve como objetivo adequar o quadro funcional para a transferência definitiva das concessões de água e esgotamento sanitário à concessionária privada Águas do Piauí.
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