Um dos símbolos mais representativos do esporte mundial é, sem dúvida, a tocha olímpica, que percorre países, estados e cidades, sendo conduzida por personalidades do esporte, da educação e da cultura. Conduzir uma tocha, seja pan-americana ou olímpica é, além de uma grande honra, uma responsabilidade repleta de significado.
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Teresina teve a oportunidade de receber a tocha em dois momentos históricos: em 2007, durante os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, e em 2016, nos Jogos Olímpicos do Rio. Entre os cerca de 70 nomes escolhidos para conduzir a chama na capital piauiense, estava a artesã e presidente da Cooperativa de Artesanato do Poti Velho (Cooperart Poti), Raimunda Teixeira, que viveu a experiência única de participar dos dois revezamentos.
Em 2007, Raimunda recebeu um convite inusitado: ser uma das personalidades piauienses a conduzir a tocha dos Jogos Pan-Americanos daquele ano. A ligação veio diretamente do então secretário municipal de Esportes de Teresina.
“Naquele primeiro momento, foi uma surpresa muito grande, porque eu sei a importância que a tocha tem, da representação que ela carrega, da união de um povo. Fiquei muito grata e vi naquele convite um reconhecimento do trabalho comunitário e da união de um grupo, de uma comunidade que se juntou e hoje representa muito bem o artesanato piauiense, especialmente no segmento da cerâmica”, disse.
A experiência foi marcante desde o início. “Foi uma experiência maravilhosa. Um ônibus veio nos buscar e, ao chegar ao local, percebi que a maioria das pessoas representava o esporte, e eu estava ali representando a cultura e o artesanato”, relembra.
A artesã também aproveita para desmistificar uma curiosidade comum sobre o peso da tocha. “Não é tão pesada assim. Deu para correr tranquilamente”, contou. O trajeto percorreu a Avenida Marechal Castelo Branco até o Parque da Cidadania. “Representei muito bem, com muito orgulho”, completou.
Em 2016, Raimunda Teixeira foi novamente escolhida, desta vez para conduzir a tocha dos Jogos Olímpicos de Verão. “Foi uma alegria dupla e um orgulho enorme ter sido escolhida de novo”, afirmou. O percurso aconteceu sobre a Ponte Juscelino Kubitschek, mais conhecida como Ponte da Frei Serafim. “Estar ali, com vários atletas de renome nacional, representando o nosso artesanato e o nosso estado, foi uma honra”, enfatizou.
Ver a imprensa acompanhando cada passo enquanto carregava a tocha foi, para Raimunda, a confirmação de uma trajetória construída com esforço e dedicação. “Não tenho explicação para dizer o que senti. Ver toda a imprensa ali, registrando aquele momento. Até hoje eu guardo as camisas como lembrança. As pessoas que são escolhidas estão sendo reconhecidas pelo que contribuíram, pelo desenvolvimento e pela união de toda uma comunidade. Isso aumenta ainda mais a nossa responsabilidade de continuar fazendo para representar cada vez melhor e honrar esse mérito”, complementou.
Apesar de não ter sido a primeira vez que Raimunda teve visibilidade na imprensa, aquele foi, talvez, o momento mais marcante de sua trajetória. Não apenas por carregar a tocha, mas por tudo o que sua história simbolizava naquele gesto.
“Estar na imprensa divulgando o artesanato já é algo importante, mas carregar a tocha é uma responsabilidade muito grande. A pessoa que está ali não está só por ela, mas pela história que construiu, pela diferença que fez na comunidade, no município e no estado. Sou muito grata a Deus por esse dom, e carregar a tocha foi algo muito importante na minha vida”, afirmou.
Um episódio curioso marcou a edição de 2016. Raimunda deveria estar no ponto de encontro para receber a tocha com pelo menos 30 minutos de antecedência, mas acabou se confundindo com o local.
“Tinha muita gente me assistindo e eu perguntei a um rapaz que estava próximo onde ficava o local determinado. Ele disse que era mais adiante e se dispôs a me levar. Pensei que ele tinha um carro ou uma moto, mas era uma bicicleta. Não tinha garupa, então fui no guidão, no meio do canteiro da Avenida Frei Serafim. Foi a experiência mais engraçada que já vivi”, contou.
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