Lugar de pedestre é na calçada. Essa é uma regra conhecida por todos, mas que infelizmente não pode ser seguida pela população que reside no bairro Dirceu, zona Sul de Teresina, afinal, a calçada não existe. O trecho em questão está localizado na Avenida Joaquim Nelson, limite com o Condomínio Guanabara. A situação já se arrasta há quase uma década, e ainda não tem data para ser resolvida.
Quem precisa se deslocar de um ponto a outro do quarteirão, precisa se aventurar entre os carros. Recentemente, uma pessoa foi atropelada após um carro tentar fazer uma ultrapassagem. Idosos, crianças, pessoas com deficiência, ciclistas, entre outros, dividem a mesma via com os veículos, colocando em risco sua segurança e suas vidas.

O síndico do Condomínio Guanabara, Eliones Silva, conta que quando o empreendimento foi construído, há mais de 30 anos, somente havia uma pista na Avenida Joaquim Nelson. O trecho que passa em frente ao condomínio, foi cedido à Prefeitura de Teresina para que pudesse ocorrer o alargamento da avenida, devido à expansão do bairro, após acordo firmado
É um processo que se arrasta há anos, já foram feitas algumas tratativas, ao longo das diversas gestões que assumiram a Prefeitura de Teresina, para resolver essa questão, mas o problema nunca não foi resolvido. Fizemos várias assembleias no condomínio, inclusive com a presença do superintendente da SDU Sudeste, alguns engenheiros fizeram um estudo e chegaram a medir o terreno para fazer o recuo, mas a obra nunca saiu do papel
No acordo, a prefeitura teria acordado que faria o recuo do muro e construiria a calçada ao lado do condomínio, porém, a obra nunca foi iniciada e a situação continua prejudicando não somente os condôminos, mas a população que vive no entorno. Para construir a calçada, será necessário fazer um recuo dentro do condomínio de, pelo menos, um metro e meio, comprometendo o estacionamento, áreas comuns e até a lixeira.
“Como vai ter esse recuo no condomínio, que a prefeitura faça a indenização desse terreno que vamos perder, comprometendo aproximadamente quatro garagens. Tem um processo administrativo, junto ao Ministério Público, onde já foram realizadas audiências, mas estamos aguardando o parecer final”, explica.

Raimundo Anatoli (60) é morador do condomínio há 15 anos e pede uma solução urgente por parte da Prefeitura de Teresina. Ele destaca que muitos pedestres colocam em risco suas vidas diariamente ao transitarem pelo trecho e reforça que, independentemente de quem seja a responsabilidade, o problema deve ser resolvido.
“Várias pessoas já se acidentaram aqui, e isso é um descaso. Não importa quem vai resolver, mas precisa de solução. É totalmente sem sentido pedestre disputar espaço com os carros”, reclama Raimundo.
Contraponto
A Superintendência de Desenvolvimento Urbano (SDU) Sudeste informou, por meio de nota, as ações que estão sendo realizadas entre o Condomínio Guanabara e a Prefeitura de Teresina. Segundo o órgão, “a Superintendência de Desenvolvimento Urbano (SDU) Sudeste está elaborando um projeto de readequação da calçada. A sua supervisão dentro dos limites adequados, permitindo a criação de um passeio mais seguro. Para dar andamento à obra, será necessária a participação dos moradores. Ainda nesta semana, será enviada uma solicitação de reunião para apresentar os detalhes da proposta e esclarecer como a intervenção será realizada. Após essa etapa, o projeto seguirá para licitação, a fim de contratar uma empresa responsável pela execução”, disse a nota.
O Ministério Público do Piauí (MPPI), que também acompanha o caso, informou que “a 24ª Promotoria de Justiça de Teresina tem acompanhado a situação do Condomínio Guanabara. O órgão recebeu um relatório da Strans sobre o fluxo de trânsito na região. A Promotoria encaminhou esse documento à Superintendência de Desenvolvimento Urbano Sudeste (SDU/Sudeste) para que apresente manifestação sobre solução para o problema. A 24ª PJ solicitou, ainda, que a Empresa Teresinense de Desenvolvimento Urbano (Eturb) se manifeste sobre o perímetro da área do condomínio para saber se na época da construção já existia a via pública”, concluiu.
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