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Laudo não encontra ligação entre Tatiana Medeiros e B40, mas vê indícios de compra de votos

Perícia Criminal Complementar realizada pela PF foi solicitada por decisão judicial e analisou mais de 13 mil arquivos de um celular pertencente à vereadora.

19/02/2026 às 11h17

Um laudo da Perícia Criminal Federal realizado no celular da vereadora Tatiana Medeiros, e que foi obtido pelo PortalODia.com nesta quinta-feira (19), não identificou negociação de mandato ou vínculo da vereadora com a facção Bonde dos 40, suposta ligação que é alvo de investigação da Polícia Federal no âmbito da Operação Escudo Eleitoral. O documento, entretanto, aponta elementos que podem indicar a possibilidade de prática de compra de votos nas eleições municipais de 2024.

Laudo não encontra ligação entre Tatiana Medeiros e B40, mas vê indícios de compra de votos - (Reprodução) Reprodução
Laudo não encontra ligação entre Tatiana Medeiros e B40, mas vê indícios de compra de votos

A perícia complementar foi determinada por decisão judicial da juíza da 1ª Zona Eleitoral, Junia Maria Feitosa Bezerra Fialho. A magistrada autorizou o exame detalhado dos dados brutos extraídos do aparelho celular da investigada. O trabalho resultou na análise de mais de 13 mil arquivos. O laudo foi elaborado pelo perito criminal federal Weyler Nunes Martins Lopes e teve como objetivo responder aos quesitos formulados no âmbito do Inquérito Policial nº 2024.123103 – SR/PF/PI.

Indícios relacionados à compra de votos

Ao responder ao quesito 9 — que questionava se havia, em algum diálogo da investigada, determinação expressa para compra de votos em seu benefício no pleito de 2024 — a perícia concluiu que não foi localizada ordem explícita nesse sentido, atribuída diretamente a Tatiana Medeiros. Apesar disso, o laudo ressalta a existência de diversas conversas extraídas do aplicativo WhatsApp contendo registros de transferências bancárias via PIX realizadas em 6 de outubro de 2024, data da eleição.

Também foram identificadas imagens de comprovantes de votação, títulos de eleitor e planilhas com nomes e quantidades de eleitores. Segundo o documento, esses registros podem evidenciar a possibilidade de relação com a prática de compra de votos. O conteúdo está em conformidade com a Informação de Polícia Judiciária nº 482314/2025, que integra os autos do inquérito.

Conversas com Alandilson

No quesito 12, a perícia foi questionada sobre a existência de diálogos entre Tatiana Medeiros e o corréu Alandilson Cardoso Passos tratando especificamente de compra de votos. O laudo informa que há várias conversas mencionando quantias em dinheiro destinadas a despesas de campanha eleitoral de 2024.

Entretanto, não foi identificado "diálogo explícito" entre os dois interlocutores tratando diretamente de compra de votos.

Alandilson Cardoso Passos segue preso. - (Divulgação/Polícia Civil) Divulgação/Polícia Civil
Alandilson Cardoso Passos segue preso.

Relação com o Bonde dos 40

Já no quesito 13, que indagava sobre eventual negociação do mandato de vereadora em troca de benefício ilícito à facção Bonde dos 40, a resposta foi negativa. De acordo com a perícia, as referências ao nome da organização criminosa encontradas no material analisado aparecem apenas em contextos de notícias veiculadas pela mídia, não havendo indícios de tratativas entre a investigada e integrantes do grupo.

O laudo, portanto, afasta a existência de determinação expressa para compra de votos e descarta vínculo com a facção criminosa.


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