A superlotação da rede pública de saúde de Teresina, pressionada pela demanda de pacientes de municípios do interior do Piauí e até de cidades do Maranhão, é um dos principais pontos de embate entre o Estado e a Prefeitura.
De um lado, a gestão municipal afirma que os repasses federais são insuficientes para custear o atendimento regionalizado da capital. De outro, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi), afirma que vem atuando para reduzir a dependência da população dos hospitais teresinenses por meio da descentralização dos serviços especializados.
Segundo o secretário estadual de Saúde do Piauí, Dirceu Campelo, Teresina possui o mesmo modelo de gestão plena adota em cidades como Picos, Floriano e Parnaíba, o que significa que o financiamento direto da rede municipal é feito diretamente pelo Ministério da Saúde.
“O que a gente consegue, não só para Teresina, mas para todos os municípios, é ajudar com a oferta de serviços, descentralizando cada vez mais os serviços de saúde ao longo de todo o território piauiense para evitar deslocamentos”, afirmou o secretário.
Entre as medidas que ele cita para desafogar a saúde pública de Teresina está a ampliação da rede de alta complexidade no interior do Estado. O município de Corrente, por exemplo, passou a contar com dez leitos de UTI, reduzindo a necessidade de transferência de pacientes para Bom Jesus, Floriano e Teresina.
Outra estratégia, segundo Dirceu Campelo, é a implantação das Centrais de Diagnóstico. Segundo o secretário, 12 unidades já foram entregues e a meta é alcançar 16 até meados deste ano. Em Teresina, a nova central deve funcionar no prédio da antiga Maternidade Dona Evangelina Rosa, com oferta gratuita de consultas e exames especializados sem custos para os municípios.
“A central de diagnósticos de Teresina vai ajudar na oferta, sem custos para as prefeituras, de consultas especializadas e exames especializados, desafogando os hospitais”, explicou Dirceu. O secretário também destacou que a Sesapi dá apoio financeiro indireto à capital por meio do custeio de hospitais filantrópicos que atendem a pacientes do SUS de toda a região.
Entre eles estão o Hospital São Marcos, referência em oncologia, e o Hospital São Paulo, especializado cardiologia.
“Repasse financeiro que a gente fez para Teresina é na ajuda do custeio do São Marcos e do São Paulo. Fora isso, de maneira indireta, o que a gente faz é oferecer serviços sem custo para o município, finaliza o secretário de Saúde.
Repasses federais
Em julho de 2025, o Governo Federal anunciou R$ 197 milhões em investimentos do Novo PAC Saúde para a ampliação da capacidade de atendimento do SUS no Piauí, incluindo equipamentos e novas estruturas de saúde. Um mês antes, o Ministério da Saúde já havia confirmado R$ 28,1 milhões para assistência farmacêutica básica no Piauí. Desse total, Teresina ficou com a maior parcela entre os municípios piauienses, recebendo R$ 7 milhões diretamente do Fundo Nacional de Saúde.
O Estado também foi contemplado com novos investimentos federais voltados à ampliação da média e alta complexidade. Em outubro de 2025, o Ministério da Saúde anunciou mais R$ 230 milhões para fortalecer serviços especializados e reduzir filas do SUS no Piauí.
Recentemente, a Fundação Municipal de Saúde de Teresina (FMS) propôs um aumento de R$ 1,75 milhões em repasses do Maranhão para atendimentos na capital. A contrapartida aumentaria de RR$ 450 mil mensais para R$ 2,2 milhões.
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