Na manhã desta segunda (17), a Sala Lilás "Janaína Bezerra Vive", um espaço ocupado pelos estudantes e criado em homenagem a estudante de Jornalismo estuprada e morta dentro da UFPI em 2023, dedicado ao acolhimento de vítimas de violência de gênero na Universidade de São Paulo (USP), foi cercada pela Guarda Universitária. A interdição ocorreu enquanto representantes do movimento estudantil se preparavam para uma reunião com a Diretoria da Escola Politécnica e a Reitoria da universidade.

Segundo relatos dos estudantes, a ação envolveu a retirada de uma faixa que indicava a ocupação do espaço. A medida gerou reação de estudantes e movimentos que defendem a permanência do local como um ponto de apoio para mulheres que enfrentam violência de gênero, destacando que a sala é o único espaço dedicado exclusivamente a essa causa na instituição.
Ainda segundo os estudantes, a ocupação da Sala Lilás é fruto de uma mobilização organizada para oferecer suporte a vítimas de violência e cobrar maior segurança dentro do campus. Estudantes e entidades ligadas à defesa dos direitos das mulheres criticaram a ação da Guarda Universitária, considerando-a como um desrespeito à luta contra a violência de gênero e ao descaso da administração universitária com questões de segurança.
Em resposta à interdição, foi convocado um ato para hoje, às 12h, em frente à Sala Lilás, com o objetivo de protestar contra o que consideram um despejo injustificado do espaço. O movimento estudantil exige a permanência do local como ponto de acolhimento e a garantia de medidas que assegurem a proteção das mulheres na universidade.
O Portal O Dia entrou em contato com a USP para um posicionamento oficial da instituição sobre a decisão de retomar a sala. Porém, até o momento, não recebemos oficialmente uma manifestação da universidade sobre o ocorrido. O espaço segue aberto para esclarecimentos.
Confira a nota do DCE da USP:
Hoje de manhã (17/02), enquanto nos preparávamos para a reunião de negociação com Diretoria da Poli e a Reitoria, encontramos a Sala Lilás "Janaína Bezerra Vive" cercada pela Guarda Universitária. De forma totalmente autoritária, estão impedindo de estarmos em um local que luta pela vida das mulheres contra a violência.
Pegaram a faixa da ocupação, desrespeitando a luta das estudantes contra a violência de gênero e o descaso da reitoria com a segurança na universidade.
Convocamos todes es estudantes e entidades estudantis a compor um ato hoje as 12h em frente a Sala Lilás, contra o despejo do único espaço exclusivamente dedicado ao combate a violência de gênero na USP.
Confira o vídeo da manifestação dos alunos:
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Relembre o caso que chocou o Piauí
A Polícia Civil, por meio do Núcleo de Feminicídios da DHPP, concluiu as investigações sobre a morte da estudante de Jornalismo da UFPI Janaína Bezerra. O inquérito constatou que Thiago Mayson da Silva Barbosa manteve relações sexuais com Janaína por duas vezes, antes e depois da morte.
A delegada Nathalia Figueiredo, responsável pela investigação, afirmou ainda que o acusado chegou a filmar a prática sexual, mas com a morte de Janaína consumada, Thiago Mayson tentou apagar as imagens do celular. Ele também gravou um vídeo da própria mão ensanguentada, como se fosse, segundo a polícia, "um troféu em relação à violência que ele cometeu”.
"O celular dele foi apreendido e conseguimos recuperar imagens registradas pelo autor tanto após a primeira violência sexual, que ela ainda estava com vida, mas visivelmente desnorteada. E o segundo registro, com ela provavelmente já morta e com as partes íntimas muito ensanguentadas, além de apresentar ejaculação nas pernas”, detalhou a delegada. Leia mais sobre o caso aqui.

Ainda segundo a delegada Nathalia Figueiredo, as imagens demonstram indiferença do autor após o crime. “Tinha um volume de sangue muito grande. O próprio laudo estabelece que a vítima foi submetida a intenso sofrimento físico e psicológico, por isso tem a qualificadora do meio cruel. Total indiferença do autor em relação à condição de saúde dela, ele simplesmente queria satisfazer o desejo sexual dele, pouco importava se no transcorrer dessa violência sexual a vítima viesse a óbito ou não”, disse.
Sobre a possibilidade do crime ter sido premeditado, a delegada de Feminicídios destacou que não há como confirmar esta hipótese. “Não podemos dizer que houve premeditação ou não, mas, no momento que aconteceu, houve de fato a violência. ”, contou.
De acordo com o laudo do Instituto de Medicina Legal (IML), a causa da morte de Janaína Bezerra aponta para trauma raquimedular por ação contundente, ou seja, houve uma contusão na coluna vertebral a nível cervical, o que causou lesão da medula espinhal e a morte. “A causa mortis dela foi causada por uma luxação cervical decorrente da prática da violência sexual, de acordo com a posição que foi realizada. A vítima tinha entre 1,40 m a 1,50 m e era magra. O autor tem um porte considerável, principalmente se a gente fizer uma relação dele com a vítima”, completou a delegada Nathalia Figueiredo.
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