Um estudo divulgado pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) revela que o Piauí tem 40.599 famílias na fila de espera para entrar no programa Bolsa Família. Em todo o Estado são 65.941 pessoas aguardando para ingressar no programa de transferência de renda. O levantamento traz a demanda reprimida do Bolsa Família, que chega a mais de 3 milhões de brasileiros.
O Bolsa Família é uma das maiores políticas públicas de transferência de renda dentro do sistema de proteção social brasileiro e garante a sobrevivência para famílias de baixa renda. Dados recentes extraídos do sistema de Consulta, Seleção e Extração de Informações do Cadastro Único (CadÚnico) mostram que existem 1,9 milhão de famílias que, embora cumpram todos os critérios de elegibilidade ao programa, ainda aguardam a concessão da transferência de renda.
Esse contingente caracteriza a chamada demanda reprimida do Bolsa Família, cujo monitoramento é feito pelo governo federal para o planejamento governamental e execução do programa.
Para calcular a demanda reprimida do Bolsa Família, a CNM se baseou em filtros que replicam os critérios de elegibilidade definidos na legislação do programa. Os dados foram tabulados considerando as faixas de renda com variáveis de controle como o estado cadastral da família, a faixa de renda familiar per capita, se recebe ou não Bolsa Família e o número de meses após a última atualização cadastral.
Atualmente, o Brasil tem 96,3 milhões de pessoas no CadÚnico, o que equivale a 42,4 milhões de famílias cadastradas. Até o início de 2026, cerca de 18,9 milhões de famílias estavam inseridas na folha de pagamento do Bolsa Família, recebendo benefício médio mensal de R$ 690,01. Mass, em contrapartida, a demanda reprimida identificada em fevereiro de 2026 já totalizava 1,99 milhão de famílias e 3,19 milhões de pessoas.
Quanto à demanda reprimida por estado, a unidade federativa com a maior quantidade na fila de espera para receber o Bolsa Família é do Estado de São Paulo (375.147 famílias com um total de 612.120 pessoas). A menor demanda reprimida está em Rondônia, que tem 7.309 famílias e 11.218 pessoas na fila de espera.
O estudo da CNM revela que na mesma medida em que o número de famílias beneficiadas pelo programa aumentou, o parlamento para garantia da provisão da transferência de renda também foi incrementado. O ano de 2023 foi o que apresentou o maior percentual de aumento no orçamento em relação ao ano anterior ($ 166,87 bilhões).
No entanto, houve uma queda acentuada ao comparar o orçamento de 2024 com 2026, apresentando uma redução orçamentária de R$ 11,56 bilhões. O impacto da demanda reprimida, considerando o benefício médio de R$ 690,01 e o contingente de 1,99 milhão de famílias à espera, exigiria, segundo a CNM, uma injeção orçamentária de mais de R$ 16,48 bilhões em 2026.
Para que o governo cumpra a legislação vigente e zere a fila de espera, o orçamento total destinado ao Bolsa Família em 2026 deveria ser elevado ao patamar de R$ 174 bilhões. Hoje, o orçamento previsto para o Bolsa Família para este ano R$ 157,5 bilhões.
Para a CNM, a redução no orçamento do Bolsa Família representa um risco à capacidade do governo de garantir proteção social. “Enquanto famílias deixam a folha de pagamento, novos lares com perfil de elegibilidade não conseguem ingressar no programa, institucionalizando uma fila que desprotege a população mais vulnerável”, conclui a Confederação.
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