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"Não quero mais ler nomes de vítimas de feminicídio", diz Janja ao apresentar Pacto Contra o Feminicídio

Primeira-dama se emocionou ao lançar a estratégia nacional contra a violência letal e citou o caso da universitária Janaina Bezerra, vítima de feminicídio em 2023 na capital

30/07/2026 às 17h59

30/07/2026 às 17h59

Em Teresina, a primeira-dama Janja Lula da Silva apresentou nesta quinta-feira (30) o Pacto Brasil Contra o Feminicídio, com um apelo à sociedade pelo fim da morte de mulheres. O evento reuniu autoridades federais e estaduais para a apresentação da estratégia brasileira de combate à violência letal contra mulheres, fundamentada na prevenção à misoginia e na mudança de comportamentos, principalmente no enfrentamento ao machismo.

Janja se emocionou ao lançar a estratégia nacional contra a violência letal e citou o caso da universitária Janaina Bezerra, vítima de feminicídio em 2023  - (Gabriel Paulino/Ccom) Gabriel Paulino/Ccom
Janja se emocionou ao lançar a estratégia nacional contra a violência letal e citou o caso da universitária Janaina Bezerra, vítima de feminicídio em 2023

Visivelmente emocionada, Janja compartilhou com o público o que considera seu maior desejo pessoal e político para o país. Ao responder a um questionamento sobre seus sonhos, projetou um futuro em que a biografia das mulheres brasileiras não seja interrompida pela violência, e relembrou a morte da universitária Janaina da Silva Bezerra, vítima de feminicídio em 2023, em Teresina.

"Eu acredito, esse é o Brasil que eu quero, eu nunca mais quero ter que ler o nome de uma mulher vítima de feminicídio. Esse é o meu sonho, que eu não precise mais ler nenhum nome de nenhuma mulher. Eu quero ler o nome de mulheres que conquistaram seu diploma, que viram seus filhos crescerem e se formarem, esse é o Brasil que eu acredito e é para isso que eu trabalho todos os dias", disse.

Casos de feminicídio no Piauí

O Piauí aderiu ao Pacto Contra o Feminicídio em 2025. Neste ano, o estado registrou uma queda de 66,67% nos casos de feminicídio entre janeiro e maio, em comparação ao mesmo período do ano passado. Nos primeiros meses deste ano foram registrados 8 casos, contra um número significativamente maior em 2025, quando o estado teve 3 casos em janeiro e 3 em maio, sem nenhum registro em abril.

O Piauí aderiu ao Pacto Contra o Feminicídio em 2025. Neste ano, o estado registrou uma queda de 66,67% nos casos. - (Gabriel Paulino/Ccom) Gabriel Paulino/Ccom
O Piauí aderiu ao Pacto Contra o Feminicídio em 2025. Neste ano, o estado registrou uma queda de 66,67% nos casos.

Apesar da redução nas mortes, o estado enfrenta um alerta, às tentativas de feminicídio aumentaram 90%, saltando de 20 casos em 2025 para 38 no mesmo período deste ano. Teresina lidera essas ocorrências, com 13 casos registrados. No primeiro semestre deste ano, o Brasil contabilizou mais de 700 feminicídios, uma redução tímida de 2,5% em relação ao ano passado, o que torna os resultados do Piauí, com queda total de 61% no semestre, uma referência para o país.

Janja afirmou que o pacto representa a união dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário em um único dever - (Gabriel Paulino/Ccom) Gabriel Paulino/Ccom
Janja afirmou que o pacto representa a união dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário em um único dever

O que é o Pacto Contra o Feminicídio

A iniciativa apresentada em Teresina não foca apenas na punição, mas em uma rede de proteção dividida em três eixos estruturantes. O primeiro é a prevenção primária, voltada à mudança de cultura e à educação para eliminar estereótipos de gênero e a misoginia antes que a violência ocorra. O segundo é a prevenção secundária, que trata da identificação precoce de riscos e da intervenção qualificada por meio de redes de segurança e saúde. Já o terceiro eixo, de prevenção terciária, garante direitos, acesso à justiça e medidas de reparação para as vítimas e seus familiares.

Para Janja e as autoridades presentes, como o secretário Chico Lucas e a ministra Márcia Lopes, o pacto representa a união dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário em um dever que é, acima de tudo, coletivo.