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MPPI recomenda que delegado Charles Pessoa não publique vídeos com presos nas redes sociais

Recomendação do MP dá prazo de 20 dias para que Secretaria de Segurança Pública crie uma regulamentação interna sobre o uso de redes sociais por policiais civis.

03/06/2026 às 10h15

O Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI) publicou no Diário Oficial desta última terça-feira (2) uma recomendação direcionada ao delegado de Polícia Civil Charles Pessoa para que deixe de divulgar, imediatamente, conteúdos envolvendo presos, investigados e operações policiais em redes sociais pessoais ou de terceiros. O delegado ficou conhecido durante o período em que foi coordenador do Draco, departamento responsável pelo combate às facções criminosas a ao crime organizado.

Delegado Charles Pessoa, coordenador do DRACO - (O Dia) O Dia
Delegado Charles Pessoa, coordenador do DRACO

As redes sociais foram amplamente utilizadas pelo delegado na divulgação de operações e dos resultados das ações (prisões, materiais apreendidos). Em alguns casos, o delegado se utilizava de abordagens inusitadas, em alguns casos com tom de humor ou ironia. O delegado deixou o cargo de coordenador do Draco, que passou a ser ocupado por Laércio Evangelista.

O documento do MP também estabelece um prazo de até 20 dias para que a Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI), a Delegacia-Geral da Polícia Civil e a Corregedoria-Geral da corporação adotem medidas para regulamentar o uso das redes sociais por policiais civis em todo o estado. A recomendação foi expedida no âmbito de procedimento instaurado pelo Ministério Público para apurar a divulgação de conteúdos relacionados à atividade policial em plataformas digitais.

Recomendação é de que se evite conteúdos envolvendo presos e investigações

Entre as determinações direcionadas ao delegado Charles Pessoa, o MPPI recomenda que ele se abstenha de publicar, compartilhar, autorizar ou estimular a divulgação de imagens e vídeos envolvendo pessoas presas, algemadas, investigadas, custodiadas ou submetidas a abordagens policiais. A recomendação também proíbe a exposição de pessoas em situações consideradas degradantes, constrangedoras ou humilhantes, incluindo indivíduos sem camisa ou em condições de vulnerabilidade.

Outro ponto destacado pelo Ministério Público é a vedação à divulgação de interrogatórios, confissões, declarações informais de suspeitos, relatos sobre facções criminosas e conteúdos que possam resultar em autoincriminação ou imputação de crimes a terceiros.

Recomendação é de que delegado evite conteúdos envolvendo presos e investigações - (Reprodução/SSP-PI) Reprodução/SSP-PI
Recomendação é de que delegado evite conteúdos envolvendo presos e investigações

O órgão ainda orienta que não sejam divulgadas informações relacionadas a investigações em andamento, estratégias operacionais, apreensões de drogas, armas, vestígios, localização de cadáveres ou qualquer outro dado sensível capaz de comprometer o trabalho policial.

O documento também recomenda que o delegado não utilize fardamento, viaturas, armamentos, distintivos, coletes, logomarcas ou outros símbolos da Polícia Civil para fins pessoais, promocionais, comerciais, político-eleitorais ou de entretenimento.

Regulamentação para toda a Polícia Civil

Além das medidas direcionadas ao delegado, o MPPI recomendou que a Secretaria de Segurança Pública, a Delegacia-Geral e a Corregedoria da Polícia Civil regulamentem oficialmente o uso de redes sociais por integrantes da corporação. A futura norma deverá estabelecer critérios técnicos e objetivos para a publicação de conteúdos relacionados à atividade policial.

Entre os pontos que deverão ser disciplinados estão a proibição da exposição de presos e investigados, a vedação da divulgação de interrogatórios e confissões, a restrição ao uso de símbolos institucionais para promoção pessoal e a proibição de monetização de conteúdos vinculados à atividade policial. O Ministério Público também defende que a divulgação de operações, prisões, apreensões e demais ações da Polícia Civil ocorra, preferencialmente, por meio dos canais oficiais da Secretaria de Segurança Pública e da própria corporação, após avaliação da legalidade, necessidade e interesse público das informações.

O MPPI fixou prazo de até 20 dias para que os órgãos responsáveis informem formalmente se irão acatar a recomendação e apresentem as medidas adotadas para seu cumprimento.

Outro lado

O Portal O Dia entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública (SSP-PI) para obter um posicionamento sobre as recomendações do MPPI. No entanto, o órgão informou que, até o momento, não irá se posicionar sobre o assunto. O espaço segue aberto para esclarecimentos.