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Audiências por crimes de drogas no Piauí saltam 839% em sete anos, aponta CNJ

Levantamento do Conselho Nacional de Justiça traça o perfil dos detidos no estado e compara os indicadores locais às médias regional e nacional

28/09/2026 às 16h18

28/09/2026 às 16h18

Nos últimos sete anos, o Piauí registrou um aumento de 839% no número de audiências de custódia por crimes de drogas. Os dados constam no boletim de Política Penal e Drogas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que analisou 2,5 milhões de processos de audiência de custódia realizados em todo o país entre 2019 e 2025. Os casos relacionados à Lei de Drogas representam cerca de um quarto do total analisado.

Levantamento do Conselho Nacional de Justiça traça o perfil dos detidos no estado e compara os indicadores locais às médias regional e nacional. - (Divulgação / Polícia Civil - PI) Divulgação / Polícia Civil - PI
Levantamento do Conselho Nacional de Justiça traça o perfil dos detidos no estado e compara os indicadores locais às médias regional e nacional.

No estado, o volume de audiências decorrentes de prisões em flagrante por crimes relacionados a drogas passou de 192 procedimentos em 2019 para 1.803 em 2025. Em âmbito nacional, o número de audiências por delitos de entorpecentes subiu de 36.781 para 174.845 no mesmo período, um crescimento de 375%.

Quanto ao gênero, os homens são maioria entre o total de custodiados no Piauí, com 82% dos casos, contra 18% de mulheres. Em todo o país a participação feminina corresponde a 14% desses processos, e os homens por 86%. Mantendo o estado acima da média nacional.

Sobre raça e cor, o estudo revela uma elevada subnotificação dessa informação no Piauí, com 73,2% dos registros sem essa especificação, patamar também alto na média nacional, de 52,8%. Entre os casos com informação preenchida, 23,9% dos custodiados no estado foram identificados como negros e 2,7% como brancos. No país, os percentuais são de 31,9% para negros e 15,0% para brancos.

Quanto ao enquadramento no momento da prisão em flagrante, o tráfico de drogas e condutas associadas respondem por 99% das ocorrências no Piauí, enquanto o porte para uso pessoal representa apenas 1%. No Brasil, essa proporção é de 98% para tráfico e 2% para porte.

Já em relação aos desfechos das audiências realizadas em 2025, o Piauí registrou prisão preventiva em 52% dos casos, liberdade provisória em 43% e relaxamento de prisão em 5%. A taxa de concessão de liberdade provisória no estado acompanha o padrão da Região Nordeste, cujos estados registraram, em geral, percentuais superiores à média nacional. No cenário brasileiro, 60% das audiências de drogas resultaram em prisão preventiva, 37% em liberdade provisória e 3% em relaxamento de prisão.