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Um em cada sete municípios do Piauí possui baixa qualidade na prestação de contas, aponta CNM

Levantamento mede a qualidade dos dados contábeis informados pelos municípios à Secretaria do Tesouro Nacional.

28/09/2026 às 10h27

28/09/2026 às 10h27

O Piauí tem 33 dos 224 municípios classificados na faixa E, a mais baixa no Ranking da Qualidade da Informação Contábil e Fiscal, elaborado pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) com base nas informações encaminhadas ao Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro (Siconfi). Significa dizer que um em cada sete municípios do Piauí possui baixa qualidade em informações fiscais e contábeis. 

O número representa 14,73% das cidades piauienses avaliadas. O levantamento foi divulgado pela CNM nesta segunda-feira (28).

Um em cada sete municípios do Piauí possui baixa qualidade em informações fiscais, aponta CNM - (Marcello Casal Jr./Agência Brasil) Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Um em cada sete municípios do Piauí possui baixa qualidade em informações fiscais, aponta CNM

O ranking mede a qualidade dos dados contábeis e fiscais enviados por estados, Distrito Federal e municípios ao Siconfi. A avaliação considera a consistência das informações, o cumprimento das normas contábeis e fiscais e o prazo de envio das declarações obrigatórias.

Para elaborar o ranking, a CNM utilizou informações que os próprios municípios encaminham por meio de quatro instrumentos: a Declaração de Contas Anuais (DCA), a Matriz de Saldos Contábeis (MSC), o Relatório Resumido da Execução Orçamentária (RREO) e o Relatório de Gestão Fiscal (RGF).

A metodologia combina verificações automáticas e análises técnicas. Os dados são confrontados com regras estabelecidas no Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público (MCASP), no Manual de Demonstrativos Fiscais (MDF) e nos Guias de Preenchimento do Siconfi.

A partir destas verificações, cada município recebe um percentual de conformidade, que determina sua posição no ranking e a classificação no Indicador de Qualidade da Informação Contábil (ICF). A escala possui cinco níveis: Aicf maior ou igual a 95% - informações de excelência; Bicf de 85% a menor que 95% - qualidade muito boa; Cicf de 75% a menor que 85% - qualidade satisfatória; Dicf de 65% a menor que 75% - qualidade regular; Eicf menor que 65% - baixa qualidade.

Um em cada sete municípios do Piauí possui baixa qualidade em informações fiscais, aponta CNM - (Rafa Neddermeyer/Agência Brasil) Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Um em cada sete municípios do Piauí possui baixa qualidade em informações fiscais, aponta CNM

Além dos 33 municípios na classificação E, o Piauí tem 15 municípios (6,70%) na faixa D, 59 (26,34%) na faixa C, 104 (46,43%) na faixa B e apenas 13 (5,80%) na faixa A, considerada de excelência. Foram avaliados todos os 224 municípios do Estado.

A CNM pontua que “a produção de informações consistentes pelos municípios não representa apenas o cumprimento das exigências da Secretaria do Tesouro Nacional (STN), mas também está relacionada à capacidade de gestão das administrações municipais e à transparência das informações utilizadas pela sociedade e órgãos de controle”.

Mais de 80% dos municípios brasileiros estão fora da faixa de excelência

Em todo o brasil, foram avaliados 5.568 municípios. Apenas 939, o equivalente a 16,70%, alcançaram a classificação A. Isso significa que mais de 83% dos municípios brasileiros não atingiram o nível mais elevado de qualidade das informações encaminhadas ao Siconfi, de acordo com os critérios utilizados na avaliação.

Um em cada sete municípios do Piauí possui baixa qualidade em informações fiscais, aponta CNM - (Rafa Neddermeyer/Agência Brasil) Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Um em cada sete municípios do Piauí possui baixa qualidade em informações fiscais, aponta CNM

A Faixa B concentra a maior quantidade de municípios. São 2.583 cidades, ou 46,39% do total. Para a CNM, essa concentração mostra que uma parcela significativa dos municípios já apresenta um nível elevado de conformidade, mas ainda possui espaço para alcançar o padrão máximo.

Nas faixas de menor desempenho, 1.060 municípios (19,04%) estão classificados em D ou E. Desse grupo, 759 estão na faixa E, considerada de baixa qualidade. O resultado indica que cerca de um a cada cinco municípios brasileiros ainda enfrenta dificuldades significativas para produzir informações contábeis e fiscais no nível de qualidade exigido pelos critérios da Secretaria Nacional do Tesouro.

A distribuição das classificações também apresenta diferenças entre as unidades da Federação. Segundo a CNM, os melhores resultados estão concentrados em estados nos quais a maioria dos municípios está nas faixas A e B.

O Espírito Santo recebe destaque por ter todos os municípios nas duas melhores classificações. Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Pernambuco e São Paulo também aparecem entre os estados com resultados mais concentrados. Na outra ponta, os maiores percentuais de municípios classificados na faixa E aparecem principalmente em estados das regiões Norte e Nordeste.

Um em cada sete municípios do Piauí possui baixa qualidade em informações fiscais, aponta CNM - (Foto: Ascom Semf) Foto: Ascom Semf
Um em cada sete municípios do Piauí possui baixa qualidade em informações fiscais, aponta CNM

O Amapá apresenta o maior percentual, com 37,5% dos municípios na faixa E. Na sequência aparecem Tocantins (38,9%), Rio de Janeiro (37%), Acre (31,8%), Paraíba (30%) e Pará (28,5%). No Piauí, o percentual de municípios na faixa E é de 14,73%, abaixo dos índices registrados nesses estados, mas representa 33 das 224 cidades do estado.

CNM aponta avanços e desafios

Ao analisar os resultados do ranking, a CNM destacou os avanços na qualidade das informações municipais, principalmente pelo crescimento do número de cidades classificadas na faixa A e pela redução das faixas intermediárias C e D. O levantamento, segundo a entidade, indica que parte dos municípios conseguiu aprimorar seus processos contábeis e fiscais.

Ao mesmo tempo, a CNM chama atenção para um retrocesso: o aumento do número de municípios na classificação E, que passou de 683 para 759. Segundo a Confederação, isso aponta que aproximadamente um em cada sete municípios brasileiros continua apresentando elevado número de inconsistências nas informações prestadas à STN. A entidade também aponta dificuldades relacionadas à estrutura técnica, aos controles internos e à adaptação às mudanças nas regras de verificação, que ainda afetam parte das administrações municipais.

Estudo foi feito pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) - (Divulgação) Divulgação
Estudo foi feito pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM)

Para a CNM, a melhoria na qualidade das informações precisa ser acompanhada de medidas de simplificação dos processos, integração entre sistemas e fortalecimento da assistência técnica aos municípios, especialmente os de pequeno porte.