Em 2025, a Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi) completou 190 anos de história. Destes, 75 foram acompanhados de perto pelo Jornal O Dia, que retratou momentos decisivos, o cotidiano da Casa, suas decisões e os rumos políticos que impactaram diretamente a vida dos piauienses. O parlamento estadual teve origem em maio de 1835, em Oeiras, sendo transferido para Teresina em 1852, junto com a mudança da sede administrativa do estado.
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Ao longo de sua trajetória, a Alepi passou por períodos de funcionamento e interrupções. O primeiro fechamento ocorreu logo após a Proclamação da República, em 1889, quando os republicanos extinguiram todas as assembleias legislativas do país, permitindo sua reabertura apenas dois anos depois. O segundo fechamento aconteceu em 1930, com o golpe de Getúlio Vargas, que encerrou a Primeira República. A Assembleia retomou suas atividades em 1934, após novas eleições, mas voltou a ser fechada três anos depois, permanecendo assim até 1947.
Em fevereiro de 1951, surge o Jornal O Dia, que passa a acompanhar e registrar a atividade política da Assembleia Legislativa. Desde então, mesmo sem novos fechamentos da Casa, o impresso noticiou períodos sensíveis da história brasileira, como o golpe civil-militar de 1964, quando o jornal enfrentou censura e perseguições. Nesse período, quatro deputados estaduais e três suplentes tiveram seus mandatos cassados pelo regime militar.
Com o golpe de 1964, o voto popular passou a ser proibido para cargos majoritários. Deputados federais, estaduais e vereadores continuaram sendo eleitos pelo voto direto, em eleições acompanhadas pelo O Dia. O processo político passou a ser organizado por dois partidos, após o Ato Institucional nº 2 extinguir as demais siglas e dividir o sistema entre o Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e a Aliança Renovadora Nacional (Arena), cenário que se manteve até 1979.
O deputado Wilson Brandão (PP), historiador, destacou a importância do Jornal O Dia por ter testemunhado e relatado a história política do estado de forma direta, tornando-se uma ferramenta essencial para o resgate histórico do Piauí, com cobertura desde o período de censura até a abertura democrática
“O O Dia vivenciou toda trajetória de forma isenta, e chegou novamente esse momento da democracia plena. Acredito que esses 75 anos representam uma história muito rica”, disse.
Com a redemocratização, a Alepi ganhou uma nova sede. Em 2025, completaram-se 40 anos do prédio atual, localizado na Av. Marechal Castelo Branco, que homenageia o ex-governador Petrônio Portela. Até a mudança, em 1985, a Casa do povo piauiense funcionava no Palácio Anísio de Abreu, hoje sede da Secretaria de Cultura, na Praça da Bandeira. O ex-governador Hugo Napoleão, primeiro eleito após a redemocratização, explicou que a nova sede foi viabilizada por meio de uma permuta entre a Alepi e o Governo do Estado
“A Alepi deu para a secretaria o prédio onde era situado, em frente ao mercado do consumidor, e a Assembleia, com a permuta e aprovado por lei, foi para o local onde está hoje. Instalei lá o Palácio Petróleo Portela”, declarou Napoleão.
Já instalada na nova sede, a Alepi teve outro marco histórico acompanhado pelo Jornal O Dia: a promulgação da Constituição do Estado do Piauí, em outubro de 1989. O texto constitucional definiu, entre outros pontos, o número de parlamentares da Casa, estabelecendo o triplo da representação federal, além da duração de quatro anos para cada legislatura.
Na década de 1990, a criação de quase o dobro de municípios no Piauí, que passou de 118 para os atuais 224, também foi documentada em nossas páginas. As decisões foram debatidas intensamente nas sessões da Assembleia, com a defesa de que a medida impulsionaria o desenvolvimento regional do estado.
Dentre outras histórias, outro período marcante ocorreu em 2005, quando Themístocles Sampaio Filho foi eleito presidente da Alepi pela primeira vez, por unanimidade. Ele repetiu a vitória por mais oito mandatos consecutivos.
Após sua saída, a Alepi teve apenas dois presidentes, Franzé Silva (PT) e, atualmente, Severo Eulálio (MDB), que no último ano coordenou as comemorações pelos 190 anos do parlamento estadual, acompanhadas pelo Jornal O Dia, inclusive em atividades realizadas no interior do estado. Wilson Brandão voltou a destacar a relevância do veículo para a história política e social do Piauí.
“O Jornal O Dia representa um meio necessário para a história do Piauí não somente na questão política. Tudo faz parte da história do jornal e eu quero como leitor, como pesquisador, que se perdure por muitos anos”, disse.
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