A atriz Claudia Cardinale, ícone do cinema italiano e símbolo de uma era de ouro da indústria cinematográfica europeia, morreu nessa terça-feira (23), aos 87 anos. De acordo com seu agente, a artista faleceu em sua casa, na cidade de Nemours, próxima à capital francesa Paris, na presença de seus filhos. Com cerca de 150 filmes formando sua longa carreira, a atriz era conhecida por sua beleza única, sua voz rouca e seu carisma cativante.
Nascida Claude Joséphine Rose Cardinale em abril de 1938, na Tunisia, país localizado no Norte da África, a artista era filha de imigrantes sicilianos e viveu entre culturas e idiomas. Ela iniciou sua carreira na Europa após ganhar um concurso de “Menina italiana mais bonita na Tunísia”, cujo prêmio era uma viagem para a Itália, para o Festival de Cinema de Veneza. Foi quando ela aprendeu a língua do país e ingressou na indústria cinematográfica.
A vida de Claudia foi repleta de desafios intensos, como uma gravidez secreta, ainda jovem, fruto de uma relação abusiva. A atriz precisou manter a situação em sigilo para proteger sua carreira em ascendência. Além disso, no início de sua trajetória profissional, Cardinale tinha a voz dublada nos filmes italianos, reflexo das barreiras linguísticas e do fato de sua língua materna não ser o italiano.
O estrelato de Claudia Cardinale atingiu seu ápice nos anos 1960, quando protagonizou filmes que se tornaram marcos do cinema europeu, como "8 1/2" (1963), do diretor Federico Fellini, e “O Leopardo” (1963), ao lado do consagrado ator Burt Lancaster. Ao alcançar Hollywood, a artista brilhou em produções como “A Pantera Cor-de-Rosa” (1963) e no clássico do velho oeste “Era Uma Vez no Oeste” (1968), de Sergio Leone.
Na década de 1970, sua vida pessoal repercutiu fortemente em sua carreira. Após se separar do produtor Franco Cristaldi, que teria articulado para que ela fosse boicotada pela indústria cinematográfica italiana, Cardinale enfrentou um período de ostracismo. A salvação surgiu com o apoio do diretor Franco Zeffirelli, que a convidou para a minissérie “Jesus de Nazaré” (1977), resgatando sua presença nas telas.
Mesmo com as adversidades, Claudia manteve uma carreira longa e plural, transitando por cinemas italiano, francês e europeu. Entre seus últimos trabalhos, figuram participações no teatro e em produções televisivas, inclusive até anos recentes. Ao longo da vida, também se engajou em causas sociais: desde 2000 atuava como embaixadora da Boa Vontade da UNESCO na defesa dos direitos das mulheres.
Aclamada por sua beleza mediterrânea, sua presença magnética em cena e sua força como mulher independente, Cardinale recebeu inúmeras honrarias, incluindo o Urso de Ouro honorário no Festival de Berlim (2002) e o Leão de Ouro por sua carreira no Festival de Veneza.
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