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Morre filósofo alemão Jürgen Habermas aos 96 anos, referência em democracia

Intelectual e sociólogo se destacou por reflexões sobre esfera pública, diálogo e participação política, influenciando filosofia e ciência social contemporânea.

14/03/2026 às 17h08

O filósofo e sociólogo alemão Jürgen Habermas morreu neste sábado (14), aos 96 anos, em sua residência em Starnberg, nos arredores de Munique, na Alemanha. A informação foi confirmada nas redes sociais da editora Suhrkamp, que citou dados fornecidos pela família. A causa da morte não foi divulgada.

Considerado uma das vozes mais influentes da filosofia contemporânea, Habermas dedicou mais de sete décadas de sua carreira ao estudo da democracia, da linguagem e da participação política. Seu trabalho teve impacto significativo em debates acadêmicos e públicos na Alemanha e internacionalmente, consolidando-o como referência em teoria crítica e pensamento social.

Morre filósofo alemão Jürgen Habermas aos 96 anos, referência em democracia - (Reprodução/ Agência Brasil) Reprodução/ Agência Brasil
Morre filósofo alemão Jürgen Habermas aos 96 anos, referência em democracia

Nascido em 1929 em Düsseldorf, Habermas viveu a experiência do nazismo durante a juventude, vivência que moldou sua reflexão sobre memória histórica e responsabilidade política. Entre 1949 e 1954, estudou filosofia, história, psicologia, literatura alemã e economia em universidades como Bonn, Göttingen e Zurique, e atuou brevemente como jornalista antes de se dedicar à academia.

Habermas integrou a segunda geração da Escola de Frankfurt, marcada pela análise crítica das estruturas sociais e culturais do capitalismo. Influenciado por Theodor Adorno e Max Horkheimer, passou a ocupar a cátedra de Filosofia e Sociologia na Universidade de Frankfurt em 1964, sucedendo Horkheimer. Entre seus conceitos mais conhecidos estão a “esfera pública” e a teoria do agir comunicativo, que propõe o diálogo e a linguagem como instrumentos de construção de consenso e organização social.

O filósofo também se envolveu ativamente em debates políticos, contestando tentativas de relativizar os crimes do nazismo e manifestando-se sobre integração europeia, déficits democráticos e políticas econômicas. Nos últimos anos, alertou sobre riscos de escalada militar na guerra entre Rússia e Ucrânia, defendendo soluções diplomáticas.

Ao longo da carreira, Habermas recebeu prêmios internacionais, como o Prêmio da Paz do Comércio Livreiro Alemão e o Prêmio Kyoto. Mesmo após se aposentar da docência em 1994, manteve presença ativa em debates públicos e produziu livros e ensaios, consolidando seu legado como um dos principais pensadores da democracia e do diálogo na filosofia contemporânea.


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Com informações da Agência Brasil.