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Defesa de Flávio pediu quatro vezes para transferir investigações de Dark Horse de Dino para Mendonça

Os pedidos foram apresentados entre 3 e 29 de julho deste ano

12/09/2026 às 15h50

A defesa do senador Flávio Bolsonaro tentou, em quatro ocasiões, transferir do ministro Flávio Dino para André Mendonça a investigação sobre a destinação de emendas parlamentares a entidades ligadas à produtora de Dark Horse, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Defesa de Flávio pediu quatro vezes para transferir investigações de Dark Horse de Dino para Mendonça - (Reprodução/Youtube) Reprodução/Youtube
Defesa de Flávio pediu quatro vezes para transferir investigações de Dark Horse de Dino para Mendonça

Os pedidos foram apresentados entre 3 e 29 de julho deste ano. Duas solicitações foram encaminhadas ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, e outras duas ao próprio Flávio Dino, segundo documentos.

A movimentação veio a público após a retirada do sigilo de ações relacionadas ao Banco Master. Flávio Bolsonaro passou a ser investigado por suspeitas de crimes relacionados ao financiamento do filme, entre eles evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

Os advogados sustentaram que André Mendonça deveria concentrar as investigações relacionadas à produção por já ser relator de outros procedimentos envolvendo o filme e o financiamento obtido junto ao ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Mendonça foi indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

Disputa pela relatoria

Em um dos documentos, a defesa acusou a distribuição do caso a Dino de criar uma “prevenção artificial” para definir a relatoria. “Demonstrou-se que o protocolo das petições no âmbito da ADPF nº 854 não se deu por acaso, mas se tratou de verdadeira manipulação das regras de competência, a fim de criar uma prevenção artificial e inexistente do Exmo. Min. Flávio Dino para os fatos”, afirmaram os advogados.

Em outro pedido, a defesa argumentou que cinco dos seis procedimentos relacionados à investigação já estavam sob a relatoria de Mendonça e que apenas um havia sido distribuído a Dino.

“Resta evidente que, dos seis processos autuados perante esse Supremo Tribunal Federal para requerer a instauração de investigações acerca do filme Dark Horse, apenas um deles, a Petição nº 16.070, não está sob a relatoria do Exmo. Min. André Mendonça”, diz o documento.

A defesa também afirmou que a investigação relacionada às emendas não deveria estar vinculada à ADPF 854, processo relatado por Dino no STF.

“A ADPF nº 854 é a ação do orçamento secreto. Trata-se de processo objetivo de controle concentrado de constitucionalidade, de relatoria do Exmo. Min. Flávio Dino, sem qualquer relação com a apuração criminal de financiamento de obra audiovisual”, sustentaram os advogados.

Investigação sobre Dark Horse

As apurações envolvendo Dark Horse abrangem diferentes frentes. Entre elas estão os repasses de R$ 62,8 milhões atribuídos a Daniel Vorcaro para o financiamento do filme, a eventual utilização de parte dos recursos para bancar Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e a possível destinação de emendas parlamentares a entidades ligadas à produtora da cinebiografia.

Flávio Bolsonaro tem afirmado publicamente que não houve dinheiro público no financiamento do filme.

A investigação sobre as emendas, porém, ganhou força após denúncias de possível desvio de finalidade e falta de transparência na aplicação dos recursos.

Operação da Polícia Federal

Na quinta-feira (10), a Polícia Federal deflagrou uma operação relacionada às apurações e cumpriu 49 mandados de busca e apreensão. Entre os alvos estavam o ex-secretário especial da Cultura Mario Frias e Karina Ferreira da Gama, proprietária da Go Up, produtora de Dark Horse.

A operação foi autorizada por Flávio Dino, justamente no procedimento que a defesa de Flávio Bolsonaro tentou transferir para Mendonça.

Segundo a Polícia Federal, a investigação apura suspeitas de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares e identificou movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas relacionadas ao suposto esquema.

Entre os crimes investigados estão peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.

Com supervisão de Nathalia Amaral