Portal O Dia - Notícias do Piauí, Teresina, Brasil e mundo

WhatsApp Facebook x Telegram Messenger LinkedIn E-mail Gmail

Após contratos sem licitação, André Mendonça anuncia saída de instituto que tem negócios no Piauí

O Piauí é o terceiro estado com mais contratos firmados pelo Instituto Iter; valores chegam a R$ 10,8 milhões em todo o país

03/09/2026 às 15h00

O Instituto Iter, instituição de ensino privada que oferece cursos de capacitação e pós-graduação executiva e que tem quatro contratos com órgãos públicos do Piauí que somam R$ 407 mil, foi alvo de questionamentos após a revelação de que formalizou pelo menos 54 contratos e instrumentos de contratação pública sem licitação. Diante da repercussão, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF) e fundador do Iter, anunciou nesta quinta-feira (3) que vai deixar a sociedade, criada em 2023.

Nelson Jr./SCO/STF - (Após contratos sem licitação, André Mendonça anuncia saída de instituto que tem negócios no Piauí) Após contratos sem licitação, André Mendonça anuncia saída de instituto que tem negócios no Piauí
Nelson Jr./SCO/STF

Por meio de nota, Mendonça afirmou que cederá a totalidade de suas cotas e também as de sua esposa “sem qualquer contrapartida financeira”. O ministro declarou ainda que nunca recebeu lucros provenientes do instituto. Mendonça fundou o Iter dois anos após se tornar ministro do STF.

Segundo o ministro, o Iter será transformado em uma entidade sem fins lucrativos, “reforçando sua vocação exclusivamente educacional e social”, à qual “o ministro permanecerá prestando serviços exclusivamente acadêmicos, na qualidade de professor”. No site da instituição, Mendonça é apresentado como professor do curso Arte e a Ciência da Oratória.

Ainda de acordo com a nota, a decisão de transformar o instituto em entidade sem fins lucrativos foi tomada em conjunto com o presidente da instituição, Victor Godoy Veiga.

André Mendonça e Victor Godoy foram ministros de Estado durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Mendonça comandou o Ministério da Justiça e Segurança Pública entre abril de 2020 e março de 2021. Já Godoy chefiou o Ministério da Educação entre março de 2022 e janeiro de 2023.

A decisão de deixar o Instituto Iter ocorreu após a Revista Fórum revelar que a instituição firmou pelo menos 55 contratos e instrumentos de contratação pública, que somam R$ 10.849.759,82.

Do total, 54 contratos, o equivalente a 98,2%, foram realizados sem prévia licitação pública. A inexigibilidade ocorre quando, segundo o Tribunal de Contas da União (TCU), a competição entre fornecedores é inviável, impossibilitando a realização de uma licitação.

Os 55 contratos estão distribuídos por 14 unidades da Federação. São Paulo concentra a maior quantidade, com 26 contratos, equivalentes a 47,3% do total, que somam R$ 4,52 milhões. Os dados foram levantados pela Revista Fórum.

Na sequência aparecem Amazonas, com dois contratos que totalizam R$ 2,10 milhões, e o Distrito Federal, com dois contratos no valor de R$ 1,73 milhão.

Ainda segundo a revista, o Rio de Janeiro possui cinco contratos, totalizando R$ 921,3 mil. Minas Gerais aparece com três, no valor de R$ 500,8 mil.

Já o Piauí tem quatro contratos, que somam R$ 407 mil. Entre os contratos firmados entre o instituto no estado, estão três com o Tribunal de Contas do Piauí, sendo um no valor de R$ 51.516,00 e dois no valor de R$ 16.154,00, além de um quarto contrato com a Secretaria de Segurança Pública, no valor de R$ 323.223,00.

Também há registros de contratos em Roraima, Goiás, Pernambuco, Paraná, Alagoas, Amapá, Ceará, Espírito Santo e Santa Catarina, conforme apurado pela revista.

Com supervisão de Nathalia Amaral