A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu, nesta sexta-feira (15), manter a suspensão da fabricação, comercialização, distribuição e uso de 24 produtos da marca Ypê após análise de recurso apresentado pela empresa. A decisão foi tomada por unanimidade pela Diretoria Colegiada da agência, que retirou apenas a obrigatoriedade imediata de recolhimento dos itens atingidos pela medida.
O julgamento ocorreu durante reunião extraordinária da diretoria da Anvisa, convocada após a fabricante contestar a resolução publicada na última semana. Com a decisão, seguem proibidos produtos como detergentes lava-louças, sabões líquidos para roupas e desinfetantes incluídos na investigação sanitária.
O diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, votou pela manutenção parcial das restrições, retirando somente a determinação de recolhimento imediato dos produtos. O entendimento foi acompanhado pelos diretores Daniela Marreco e Daniel Pereira.
Já o diretor da Anvisa, Thiago Campos, defendeu a manutenção integral das medidas, incluindo o recolhimento dos itens. O quinto integrante da diretoria não participou da sessão.
Segundo a agência nacional, a decisão foi baseada em inspeções realizadas em abril deste ano na fábrica da empresa, localizada em Amparo, no interior de São Paulo. A fiscalização ocorreu em conjunto com a Vigilância Sanitária estadual e municipal.
De acordo com o órgão, foram identificadas 76 irregularidades e mais de 100 lotes considerados comprometidos durante a inspeção. Entre os problemas apontados estão falhas em sistemas de controle de qualidade, monitoramento da água utilizada na produção e procedimentos ligados às Boas Práticas de Fabricação.
A Anvisa informou que as irregularidades podem provocar contaminação microbiológica dos produtos. Em seu voto, Leandro Safatle afirmou que as medidas adotadas pela empresa após a primeira suspensão ainda foram consideradas insuficientes para garantir a segurança sanitária da produção.
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A investigação teve início após denúncias apresentadas pela empresa Unilever à Anvisa e à Secretaria Nacional do Consumidor entre outubro de 2025 e março de 2026. As notificações apontavam suspeitas de contaminação microbiológica em produtos fabricados pela Química Amparo, responsável pela marca Ypê.
Na última sexta-feira (08), a Ypê apresentou recurso administrativo contra a resolução da Anvisa, o que suspendeu temporariamente os efeitos da decisão até o julgamento definitivo pela diretoria da agência.
Mesmo durante o período de efeito suspensivo, a empresa informou que manteve interrompidas as linhas de produção da fábrica de líquidos relacionadas aos produtos investigados. A companhia também solicitou que a reunião da Anvisa fosse realizada publicamente.
Em nota oficial, a Ypê declarou que tem plena convicção no trabalho realizado para se adequar às orientações do órgão fiscalizador. A companhia afirmou que permanece integralmente comprometida com o cumprimento de eventuais determinações ou ajustes adicionais. A empresa também destacou seu compromisso histórico de 75 anos com a saúde e segurança.
A Anvisa informou que a situação poderá ser reavaliada futuramente, após novas análises sobre as medidas corretivas implementadas pela empresa. Com o encerramento da reunião, a proibição de fabricação, comercialização e distribuição segue válida por tempo indeterminado.
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