A Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial neste domingo (16), em uma nova etapa de sua reestruturação financeira. Apresentado à Justiça de São Paulo, o processo envolve a companhia e outras nove empresas do grupo, que juntas têm cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas a serem reorganizadas.
O pedido ocorre após a varejista registrar prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões entre maio e junho. No comunicado enviado ao mercado, a empresa apontou a alta dos juros, a restrição de crédito, o aumento dos custos financeiros e a pressão sobre o consumo e o capital de giro como fatores relacionados à decisão.
Apesar do processo, a recuperação judicial não representa o encerramento imediato das atividades da empresa. A Casas Bahia informou que pretende manter as lojas físicas e os demais canais de atendimento em funcionamento enquanto busca reorganizar suas obrigações financeiras.
Segundo a companhia, a medida foi adotada diante de um cenário de liquidez restrita. Em nota, a empresa afirmou que o pedido é necessário para avançar na reestruturação financeira. “Nesse cenário de liquidez restrita, o ajuizamento do pedido de recuperação judicial mostra-se necessário”, afirmou a Casas Bahia.
O processo não envolve apenas a empresa conhecida pelo público. Conforme o documento apresentado pela companhia, também estão incluídas outras nove empresas do grupo:
- ASAP Log - Logística e Soluções Ltda;
- ASAP Log Ltda;
- CNT Soluções em Negócios Digitais e Logística Ltda;
- Cntlog Express Logística e Transporte Ltda;
- Globex Administração e Serviços Ltda;
- Cnova Comércio Eletrônico S.A.;
- Integra Soluções para Varejo Digital Ltda;
- Casas Bahia Tecnologia Ltda;
- Indústria de Móveis Bartira Ltda.
O que significa a recuperação judicial
A recuperação judicial é um mecanismo utilizado por empresas que enfrentam dificuldades financeiras para reorganizar suas dívidas e buscar condições para manter as atividades. No caso da Casas Bahia, o processo apresentado à Justiça busca permitir a renegociação das obrigações do grupo.
O pedido atual acontece pouco mais de dois anos depois de a varejista recorrer à recuperação extrajudicial. Em abril de 2024, a empresa apresentou um plano para renegociar R$ 4,1 bilhões em dívidas, que posteriormente foi homologado pelo Juízo da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo.
A nova etapa da reestruturação financeira também ocorre após a divulgação dos resultados do segundo trimestre. A companhia adiou duas vezes a publicação do balanço, inicialmente prevista para 12 de agosto e depois remarcada para o dia 14.
No domingo (16), a empresa divulgou os resultados, com prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões entre maio e junho. No mesmo dia, comunicou ao mercado o pedido de recuperação judicial.
E as 298 lojas?
A Casas Bahia encerrou 298 lojas antes de apresentar o pedido de recuperação judicial à Justiça de São Paulo. Entre as unidades citadas estão 12 em Salvador e outras nos municípios baianos de Santo Estêvão, Cruz das Almas, Jequié e Itabuna.
As medidas também resultaram na demissão de cerca de 1,9 mil trabalhadores nos dias 13 e 14 de agosto. O Sindicato dos Empregados no Comércio de Osasco e Região (Secor) afirmou que os funcionários foram surpreendidos pelos desligamentos e pelo encerramento das unidades.
O presidente do sindicato, Luciano Pereira Leite, afirmou que os trabalhadores precisam ser informados sobre as decisões que possam afetar seus empregos. "Os comerciários não podem arcar com prejuízos decorrentes de decisões empresariais tomadas sem o devido diálogo e transparência", disse
Segundo o sindicato, funcionários relataram surpresa com a possibilidade de fechamento das unidades. A entidade também informou que os trabalhadores aguardam informações sobre seguro-desemprego e outros direitos previstos na legislação trabalhista e na convenção coletiva.