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Vítima transferiu R$ 3.700 a golpistas que se passavam por médicos no Piauí; veja o relato

Falso médico ligou para a vítima informando que o genro dela, internado após acidente de moto, estava em estado grave e precisava de um procedimento de urgência.

20/03/2025 às 14h00

As cinco mulheres que foram presas nesta quarta-feira (19) no Mato Grosso acusadas de aplicar golpes em familiares de pacientes com câncer no Piauí, se aproveitavam do momento de desespero das vítimas para lhes tirar dinheiro. O grupo agia principalmente aos finais de semana e vésperas de feriado e não tinha como vítimas apenas parentes de pessoas com câncer. Uma das vítimas em Teresina chegou a transferir R$ 3.700 para um falso médico acreditando que estava pagando o tratamento do genro que havia se acidentado de moto.

A mulher, que preferiu não se identificar, concedeu uma entrevista à reportagem de O Dia e contou que desde que sofreu o golpe, vem convivendo com o medo e a insegurança. Em abril de 2024, o genro dela sofreu um acidente de moto e deu entrada em um hospital particular de Teresina, onde precisou ficar internado na UTI. Os familiares passaram uns dias sem poder visitá-lo e foi durante este período que os golpistas agiram, aproveitando a dificuldade de contato dos familiares com o paciente.

O falso médico ligou para a senhora, informando que o genro dela estava tendo complicações e que precisava fazer procedimentos de urgência. Era véspera do feriado do Dia do Trabalhador, em 01 de maio. A vítima explicou ao médico que seu genro tinha plano de saúde que cobria o procedimento. O golpista, então, disse que o plano cobria, mas não de imediato e que, na véspera do feriado, ela tinha que pagar do próprio bolso pelos exames para garantir que seu familiar seria atendido a tempo.

“Ele ligou para minha filha e se apresentou como sendo o médico Marcos Pirilo. Ela me passou o telefone e ele inventou toda uma história para mim. Disse o nome completo do meu genro, especificou tudo que tinha acontecido, falou da queda de moto. Ele sabia até o nome da minha filha, que era a esposa do paciente”, relembra a vítima.

A vítima preferiu não se identificar - (Pedro Cardoso/O Dia) Pedro Cardoso/O Dia
A vítima preferiu não se identificar

O falso médico disse que o paciente estava em estado grave, com um sangramento nos rins e precisando de intervenção rápida ou, caso contrário, teria falência múltipla dos órgãos. O golpista pediu que a vítima pagasse a ele via Pix a quantia de R$ 3.700 para custear o procedimento, dizendo que o plano de saúde reembolsaria este valor depois. Mesmo a vítima afirmando que não tinha como conseguir o dinheiro, o falso médico continuou insistindo, apelando para a instabilidade emocional dela e reafirmando que o genro dela corria risco de morte.

A vítima, então, pediu um tempo para conseguir o dinheiro e recorreu a um agiota. “Antes de desligar, ele me disse que eu podia falar com ele a qualquer hora, para eu ficar tranquila. O telefone dele era DDD 86, aqui de Teresina, e aparecia no perfil do Whatsapp a foto de um doutor Marcos Pirilo. Eu tomei emprestado o dinheiro a juros e estou pagando até hoje. Falei com ele por mensagem que tinha conseguido o valor e ele me mandou um CPF e um e-mail de chaves Pix. Pediu que eu enviasse o comprovante quando transferisse”, relatou ela.

Mulheres presas no Mato Grosso acusadas de aplicar golpes em familiares de pacientes no Piauí - (Divulgação / Polícia Civil - PI) Divulgação / Polícia Civil - PI
Mulheres presas no Mato Grosso acusadas de aplicar golpes em familiares de pacientes no Piauí

A senhora fez o Pix de R$ 3.700 para o falso médico e enviou o comprovante. Cerca de meia hora depois, ele entrou em contato novamente, pedindo mais R$ 900 para custear as ampolas de um medicamento que o genro dela precisaria usar após o procedimento. A vítima teria enviado os R$ 900 e feito uma dívida ainda maior se o filho dela não tivesse chegado e desconfiado da situação.

“Meu filho chegou em casa nessa hora e perguntou se eu tinha certeza que não era golpe. Eu fiquei preocupada e só então me toquei de ligar para o hospital. Falei com uma atendente e perguntei se tinha algum médico lá chamado Marcos Pirilo. Ela disse que não. Aí eu entendi que tinha caído em um golpe. Rapidamente eu desliguei a ligação para salvar as mensagens que o golpista tinha me enviado no Whatsapp, mas quando entrei no aplicativo, não tinha mais nada lá. Ele tinha apagado todos os áudios, tudo que me enviou. Tinha só o comprovante do Pix que fiz e umas mensagens minhas”, recorda.

A vítima preferiu não se identificar - (Pedro Cardoso/O Dia) Pedro Cardoso/O Dia
A vítima preferiu não se identificar

Em um primeiro momento, a vítima conta que ficou horrorizada. No mesmo dia, ela foi visitar o genro no hospital e disse que andava pelos corredores desconfiada e com medo de todo médico que passava. Ela, então, foi orientada pelo próprio hospital a procurar a Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI). A mulher registrou um Boletim de Ocorrência que foi o pontapé inicial para as investigações que resultaram nas prisões de ontem (19).

O dinheiro transferido aos golpistas ela nunca conseguiu reaver e ainda paga os juros da dívida que contraiu.

À reportagem de O Dia, o titular da DRCI, delegado Humberto Mácola, revelou que há pelo menos cinco vítimas lesadas pela mesma quadrilha e que já procuraram a delegacia em Teresina. O hospital também está colaborando com as investigações. Quanto à possibilidade de alguém do hospital estar envolvido no repasse de dados de pacientes, a polícia não descarta a hipótese. Mas, em depoimento, as presas afirmaram que conseguiam informações sobre as vítimas na deep web.

“No momento do interrogatório essas mulheres declinarem que conseguiram essa informação por meio da deep web e isso é muito factível, porque os dados hoje estão todos vazados neste ambiente. Mas a linha de investigação de que alguém possa estar envolvido no hospital não é descartada. Com o aprofundamento das investigações isso será revelado e levado ao Judiciário. Se for o caso, faremos novas diligências e um novo indiciamento”, explica Humberto Mácola.

Delegado Humberto Mácola, coordenador da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática - (Assis Fernandes/O Dia) Assis Fernandes/O Dia
Delegado Humberto Mácola, coordenador da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática

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Com informações de Joelma Abreu, da O Dia TV

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