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Vereadores batem boca sobre falta de vagas em cemitérios de Teresina

A discussão sobre a disponibilidade de vagas nos cemitérios da capital acirrou o debate na Câmara Municipal, com vereadores divergindo sobre a existência de uma crise no setor

25/08/2026 às 15h35

25/08/2026 às 17h17

Na sessão plenária desta terça-feira (25), a Câmara Municipal de Teresina (CMT) discutiu a falta de vagas em cemitérios públicos da capital. O vereador Deolindo Moura (PT) afirmou que a situação agrava as dificuldades das famílias de baixa renda para realizar sepultamentos. Pedro Alcântara (PP) rebateu o colega e disse que a capital tem vagas disponíveis, classificando as denúncias como "narrativas eleitorais".

A discussão sobre a disponibilidade de vagas nos cemitérios da capital acirrou o debate na Câmara Municipal, com vereadores divergindo sobre a existência de uma crise no setor - (CMT / Youtube) CMT / Youtube
A discussão sobre a disponibilidade de vagas nos cemitérios da capital acirrou o debate na Câmara Municipal, com vereadores divergindo sobre a existência de uma crise no setor

Deolindo Moura solicitou requerimento verbal para a realização de uma audiência pública sobre o tema. Segundo o vereador, famílias de baixa renda dependem de auxílio parlamentar para custear funerais, e o atual plantão funerário da Prefeitura, concentrado em uma única empresa prestadora, dificulta o acesso da população carente a um sepultamento digno. O parlamentar relatou casos de sepultamentos improvisados na calçada do Cemitério da Santa Cruz, na zona Sul, por falta de vagas internas.

Deolindo Moura relatou ter auxiliado no enterro de cinco pessoas no entorno do cemitério Santa Cruz.  - (Assis Fernandes / O DIA) Assis Fernandes / O DIA
Deolindo Moura relatou ter auxiliado no enterro de cinco pessoas no entorno do cemitério Santa Cruz.

"Nós estamos pagando para as pessoas serem enterradas desde a gestão passada. Nós [vereadores] estamos pagando para fazer o túmulo da pessoa. Eu já enterrei cinco pessoas lá no cemitério da Santa Cruz. Cinco pessoas na calçada do cemitério. Pode perguntar lá, na calçada, abriram o buraco e enterraram porque não tinha mais local lá dentro", declarou.

O vereador João Pereira (PT) apoiou os argumentos de Deolindo e chamou atenção para o impacto financeiro do sepultamento sobre famílias mais pobres. Segundo ele, o custo pode superar R$ 6 mil, somando valores de gaveta e preparo do corpo. O parlamentar citou que a gestão municipal investiu R$ 8 milhões na aquisição de uma área para construção de um cemitério na região da estrada de União.

João Pereira chegou a cobrar sobre a área que contou com investimentos da prefeitura pra a construção de cemitério.  - (Assis Fernandes / O DIA) Assis Fernandes / O DIA
João Pereira chegou a cobrar sobre a área que contou com investimentos da prefeitura pra a construção de cemitério.

"O cidadão que muita das vezes a família dele não tem um emprego, não tem renda alguma, ele se submete naquele momento à pior desumanidade. Por isso nós temos que aprofundar o diálogo para que a gestão municipal, para que o prefeito Silvio Mendes tome uma posição firme de resolver essa situação", declarou.

Pedro Alcântara discordou dos colegas e afirmou que Teresina possui cemitérios públicos e privados com vagas disponíveis, incluindo o cemitério Santa Maria da Codipi. Para o vereador, as dificuldades relatadas decorrem da condição financeira das famílias e da preferência por sepultar entes queridos em cemitérios de bairros específicos, próximos às residências, em vez de se deslocar a locais com espaço disponível.

Pedro Alcântara declarou ser mentira a falta de vagas em cemitérios em Teresina.  - (Assis Fernandes / O DIA) Assis Fernandes / O DIA
Pedro Alcântara declarou ser mentira a falta de vagas em cemitérios em Teresina.

"Joga-se para o público a narrativa de que Teresina não se pode nem morrer porque não tem onde enterrar. Senhoras e senhores, estão me assistindo por aí, ouvindo por aí no mundo, é mentira! Aqui tem diversos cemitérios públicos e tem dois privados sobrando vaga para enterrar todo mundo", declarou.

Alcântara associou a fala dos colegas à frase atribuída ao ministro da Propaganda da Alemanha nazista, Joseph Goebbels, "Uma mentira falada mil vezes se torna verdade", e disse haver "muitos Goebbels" na Câmara Municipal em relação ao tema.

"Há uma dificuldade para quem é pobre, que não tem plano de saúde, que não tem dinheiro. Então você que está me ouvindo na China, no Japão, na Austrália, no inferno, onde tiver, é mentira. Isso não existe. Isso não é transparente, não é verdade, é uma maldade muito grande", declarou.

Situação dos cemitérios em Teresina

Em reportagem especial sobre os cemitérios da capital, o Portal O Dia apurou junto às Superintendências de Desenvolvimento Urbano que, até o fim do ano passado, apenas dois cemitérios públicos tinham vagas disponíveis: o Camboa, no bairro Jacinta Andrade, na zona Norte, e o Santa Mônica, no bairro Pedra Mole, na zona Leste. Nas demais regiões, os sepultamentos ocorrem exclusivamente por reabertura de jazigos familiares.

A discussão sobre a situação dos cemitérios na capital não é recente. Em julho deste ano, os vereadores aprovaram requerimento de autoria de Pedro Alcântara solicitando que a Prefeitura assuma a construção de jazigos no modelo de gaveta em cemitérios públicos. O texto foi encaminhado ao prefeito Silvio Mendes e prevê estudos técnicos, financeiros e jurídicos para viabilizar a medida, com prioridade para famílias em situação de vulnerabilidade social.

O requerimento pede que a gestão, por meio das Superintendências de Desenvolvimento Urbano e dos órgãos responsáveis pela administração dos cemitérios, elabore um plano de implantação gradativa, priorizando unidades com maior demanda e critérios sociais de atendimento.

Durante a sessão desta terça-feira (25), Deolindo Moura afirmou que vai apresentar um projeto de lei para tratar da falta de vagas nos cemitérios de Teresina. O vereador não detalhou o conteúdo da proposta, que segundo ele está pronta desde as últimas eleições e deve passar por atualização.