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Vem pra Saraiva: os domingos que devolveram vida, encontro e cultura ao Centro de Teresina

A cada edição, o projeto se firmava como um ritual: havia quem chegasse para vender, quem fosse passear e quem transformasse a manhã em encontro

05/01/2026 às 13h02

Nas manhãs de domingo, no Centro de Teresina, a Praça Saraiva recebeu, ao longo de 2025, uma iniciativa da Prefeitura de Teresina que reuniu empreendedores locais, artistas e famílias. O projeto ocupou o espaço público, movimentou a economia e transformou o Centro da cidade em um ponto de convivência cultural.

A cada edição, o 'Vem pra Saraiva' se firmava como um ritual: havia quem chegasse para vender, quem fosse passear e quem transformasse a manhã em encontro. Para Cacilda Chaves, dona do 'Brechó no Precinho', o domingo deixou de ser apenas um dia de folga e passou a integrar o sustento, a identidade e um propósito.

Vem pra Saraiva: os domingos que devolveram vida, encontro e cultura ao Centro de Teresina - (Lucas Dias/Semcom) Lucas Dias/Semcom
Vem pra Saraiva: os domingos que devolveram vida, encontro e cultura ao Centro de Teresina

A preparação começava na véspera. Na noite anterior, Cacilda separava as peças do brechó, conferia as etiquetas das roupas e organizava as sacolas que seguiriam para a Praça Saraiva. O trajeto já era conhecido. Ao chegar, escolhia o lugar, armava as araras, ajeitava as roupas nos cabides e observava o sol atravessar as árvores antigas da praça. Aos poucos, o espaço ganhava som, cheiro e vozes que se reconheciam semana após semana.

Mais do que vender, para a dona do brechó a decisão de participar no projeto esteve ligada não apenas às vendas, mas à possibilidade de ampliar conexões e ocupar o espaço público. “A intenção não é só vender, mas divulgar o brechó, fazer novos contatos e aproveitar o domingo em um lugar arborizado, onde dá para socializar e ter visibilidade”, comenta.

Vem pra Saraiva: os domingos que devolveram vida, encontro e cultura ao Centro de Teresina - (Lucas Dias/Semcom) Lucas Dias/Semcom
Vem pra Saraiva: os domingos que devolveram vida, encontro e cultura ao Centro de Teresina

Um Centro que volta a ser vivido

Criado pela Prefeitura de Teresina, por meio da Fundação Municipal de Cultura Monsenhor Chaves, o projeto foi realizado semanalmente entre julho e dezembro de 2025. Ao longo de seis meses, a Praça Saraiva se consolidou como ponto de encontro de famílias, jovens, idosos e visitantes, reunindo empreendedores da gastronomia, do artesanato, da agricultura familiar e de diferentes serviços.

Vem pra Saraiva: os domingos que devolveram vida, encontro e cultura ao Centro de Teresina - (Lucas Dias/Semcom) Lucas Dias/Semcom
Vem pra Saraiva: os domingos que devolveram vida, encontro e cultura ao Centro de Teresina

A proposta dialogou com a memória afetiva da cidade e com a necessidade de reocupar o Centro de forma contínua e acessível. Ao ativar o espaço aos domingos, a feira rompeu a ideia de que esse dia seria destinado apenas ao descanso e estimulou novas formas de convivência.

A primeira edição ocorreu em julho de 2025, e a última, em dezembro, somando 20 edições, com média de 30 a 60 feirantes por domingo. A gerente de Economia Criativa da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo, Neila Cunha, explica que o projeto nasce da relação entre passado e presente.

“O Vem pra Saraiva surgiu para resgatar o sentimento de pertencimento da população em relação ao Centro e valorizar a memória das feiras que marcaram a Praça Saraiva nas décadas de 1970 e 1980”, afirma.

Vem pra Saraiva: os domingos que devolveram vida, encontro e cultura ao Centro de Teresina - ( Reprodução) Reprodução
Vem pra Saraiva: os domingos que devolveram vida, encontro e cultura ao Centro de Teresina

Além de fortalecer a vida cultural do Centro, o Vem pra Saraiva estimulou a economia local. “O projeto criou oportunidades imediatas de comercialização para micro e pequenos empreendedores, com custos reduzidos e geração de renda própria”, completa Neila Cunha.

O contato direto entre produtor e consumidor permitiu feedback imediato, fidelização de clientes e a construção de redes de relacionamento. Cacilda reforça esse ponto. “Houve aumento nas vendas, mas o principal é a conexão e a divulgação. É mostrar que dá para trabalhar com brechó, sustentabilidade e inclusão”, destaca.

O domingo ganhou outro ritmo na praça Saraiva

Entre barracas montadas e visitantes circulando sem pressa, o domingo ganhou outro ritmo. Para muitos, a feira se tornou um ponto fixo de convivência, rompendo a ideia de que o Centro é apenas um local de compras ou de atividades restritas aos dias úteis e ao horário comercial.

A estudante Maira Campos participou de duas edições do projeto Vem pra Saraiva: a primeira edição do evento e outra realizada no Dia da Árvore. Para ela, a iniciativa tem papel importante na revitalização do Centro da cidade e na criação de um ambiente acolhedor para diferentes públicos. “Fiquei encantada ao ver o Centro reviver aos domingos, com crianças brincando e pessoas passeando com seus pets”, relata.

Vem pra Saraiva: os domingos que devolveram vida, encontro e cultura ao Centro de Teresina - (Reprodução) Reprodução
Vem pra Saraiva: os domingos que devolveram vida, encontro e cultura ao Centro de Teresina

Além das atividades culturais, a feira também chamou atenção pela diversidade de produtos oferecidos ao público. Para Maira, as lojinhas espalhadas pelo espaço contribuíram para tornar o evento ainda mais atrativo, estimulando o comércio local e proporcionando diferentes experiências aos visitantes. “A variedade de opções é excelente: você pode tomar um café ou comprar produtos de decoração, plantas e até itens de cuidado pessoal”, comenta.

Ao longo dos seis meses, a programação contou com artistas como João Cláudio Moreno, Adelson Viana, Orquestra Sanfônica, Orquestra Sinfônica, Beth Moreno, Soraya Castello Branco, Banda 16 de Agosto e Banda da Polícia Militar, entre outros.

O público que circulou pela praça ao longo das edições ajudou a construir o caráter plural do projeto. Famílias com crianças, idosos, jovens e tutores acompanhados de animais dividiram o espaço com diferentes expressões culturais. “O evento atraiu majoritariamente um público familiar, mas as atrações musicais também ampliaram a diversidade etária”, destaca a gerente.

Embora o projeto tenha sido encerrado em dezembro de 2025, há intenção de continuidade em 2026. Neila Cunha explica que será necessário alinhar os próximos passos com secretarias e parceiros. “A possibilidade de ampliação do projeto para outros espaços públicos do município também será analisada. Contudo, ainda não há definição concreta, pois essa decisão demanda avaliação conjunta de todos os órgãos e parceiros”, conclui.


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Com edição de Nathalia Amaral