A proibição das bets e o debate sobre os impactos dos jogos online trouxeram novamente à tona uma questão que vai além dos prejuízos financeiros: o que fazer quando a pessoa perde o controle sobre o comportamento de apostar? Em Teresina, quem enfrenta problemas relacionados às apostas pode buscar atendimento na rede pública de saúde, com acompanhamento psicológico e psiquiátrico conforme a necessidade de cada caso. O serviço atende pessoas que já percebem consequências na vida financeira, familiar, profissional ou emocional e precisam de ajuda para interromper o ciclo de apostas.
Na capital, apostadores que identificam sofrimento ou prejuízos relacionados às apostas podem buscar ajuda na Rede de Atenção em Saúde Mental do município. De acordo com a necessidade e a gravidade de cada caso, o atendimento pode ocorrer nos ambulatórios psicológicos ou psiquiátricos ou nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que oferecem acompanhamento especializado para situações que demandam maior intensidade de cuidado.
No mês passado, o Sistema Único de Saúde (SUS) ampliou para até 100 mil teleatendimentos mensais o serviço destinado a pessoas que enfrentam problemas relacionados a jogos e apostas online. A iniciativa começou a ser oferecida em março deste ano, quando eram disponibilizados 600 atendimentos online por mês. A ampliação, que já era esperada, ocorre diante da alta procura pelo serviço.
Para acessar o atendimento, o interessado deve se cadastrar pelo aplicativo Meu SUS Digital. Após baixar o aplicativo, disponível para Android e iOS, é necessário fazer login com a conta gov.br. Na página inicial, o usuário deve clicar no item “Miniapps” e, em seguida, selecionar a opção “Problemas com jogos de apostas?”.
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Dados publicados pela BIPPZINE, revista de neurociências e psicofarmacologia prática, em edição de 2026, com base no III Levantamento Nacional sobre o Uso de Álcool e Outras Drogas (LENAD), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), apontam que 25,9% dos brasileiros com 14 anos ou mais já haviam apostado alguma vez na vida. Entre eles, 17,6% fizeram apostas nos 12 meses anteriores à pesquisa, o que representa aproximadamente 28 milhões de pessoas.
Ainda segundo os dados, entre os adolescentes que apostaram no último ano, 55,2% apresentaram indicativos de jogo problemático ou de risco. Entre os adultos, o percentual foi de 38,8%.
Alguns sinais podem indicar que o comportamento está se tornando problemático, como perder o controle sobre as apostas, apostar valores maiores do que a pessoa pode pagar, tentar recuperar o dinheiro perdido fazendo novas apostas e continuar jogando mesmo diante dos prejuízos.
Para a médica psiquiatra e coordenadora do CAPS Leste, Dra. Krieger Olinda, é importante observar mudanças no comportamento e não esperar que os prejuízos se agravem para buscar ajuda. “O comportamento de apostar pode se tornar patológico e não deve ser visto apenas como um problema financeiro. Ele pode estar associado a ansiedade, depressão e risco de suicídio. É uma questão de saúde e pode ser tratado. Quanto mais cedo esse cuidado começa, maiores são as possibilidades de evitar o agravamento do quadro.”