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Em meio à polêmica, Arquidiocese de Teresina orienta fiéis sobre eleições: “Igreja não tem candidato”

Divulgado durante episódio envolvendo Nossa Senhora Aparecida, documento recomenda checar informações e afirma que a Igreja Católica não tem partido nas Eleições 2026.

29/09/2026 às 13h04

29/09/2026 às 13h04

Em meio à polêmica envolvendo publicações sobre Nossa Senhora Aparecida e o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, a Arquidiocese de Teresina divulgou, nesta terça-feira (29), orientações aos católicos para as Eleições 2026. O documento recomenda atenção às informações compartilhadas nas redes sociais e afirma que a Igreja não tem candidato ou partido político.

A manifestação foi assinada pelos vigários-gerais da Arquidiocese de Teresina, padres Amadeu Matias e Osório T. Neto. O texto foi direcionado a ministros ordenados, religiosos, consagrados, seminaristas e leigos, com orientações sobre participação política a partir da fé cristã.

Em meio à polêmica, Arquidiocese de Teresina orienta fiéis sobre eleições: “Igreja não tem candidato” - (Reprodução/ Gemini) Reprodução/ Gemini
Em meio à polêmica, Arquidiocese de Teresina orienta fiéis sobre eleições: “Igreja não tem candidato”

A polêmica mencionada pela Arquidiocese ocorre às vésperas do primeiro turno, que acontece neste domingo (4). O episódio envolve decisões judiciais sobre conteúdos publicados nas redes sociais, que associavam Flávio Bolsonaro à suposta intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. O candidato, por sua vez, negou essa possibilidade.

Posicionamento da Arquidiocese de Teresina

Entre as recomendações, a Arquidiocese afirma que a eleição deve ser compreendida como uma oportunidade de participação democrática e destaca que a compra e a venda de votos constituem crime. O documento também pede que os eleitores não baseiem suas escolhas apenas em conteúdos divulgados pelas redes sociais.

"A democracia permanece saudável somente quando enraizada na lei moral e em uma verdadeira visão da pessoa humana. Sem esse alicerce, 'corre o risco de se tornar uma tirania majoritária ou uma máscara para o domínio das elites econômicas e tecnológicas'", diz a carta.

A orientação é que os fiéis procurem conhecer o histórico dos candidatos e considerem propostas relacionadas a políticas públicas e ao cuidado com a chamada Casa Comum. O texto também afirma quer a participação cidadã não termina no voto, defendendo o acompanhamento dos eleitos durante o exercício dos mandatos.

"É tarefa importante escolher pessoas que sejam comprometidas com políticas públicas que favoreçam os mais pobres e o cuidado de nossa Casa Comum. Nossa tarefa de cidadãos, além de votar, é acompanhar, com interesse, os passos dos que serão eleitos. A indiferença ou omissão seria nossa pior opção política", afirma o documento.

Outro ponto destacado é a separação entre a atuação política dos fiéis e a posição institucional da Igreja. Segundo o documento, a Igreja Católica não possui partido ou candidato e seus membros não devem falar em nome da Arquidiocese, de paróquias ou de comunidades religiosas para indicar candidatos ou legendas.

"A Igreja católica não tem partido político, nem candidato, mas ela é uma voz política".

A manifestação cita, ainda, a Doutrina Social da Igreja e afirma que o poder deve ser compreendido como um meio voltado ao bem comum. O documento também reproduz referências do Papa Leão XIX à importância da autoridade ser exercida com sabedoria e virtude.

"De nossa parte, confiamos à Mãe Aparecida, Padroeira do Brasil, a nossa fidelidade na construção de uma sociedade solidária e fraterna a caminho do Reino Definitivo", conclui a carta.