A Polícia Federal deflagrou nesse domingo (8) a Operação Aleatorius, com o objetivo de interromper a atuação fraudulenta de uma empresa que comercializava títulos de capitalização no Piauí. Há suspeita de desvirtuamento das autorizações concedidas pelo órgão competente do Ministério da Fazenda, diante de indícios de irregularidades na realização de promoções comerciais e na destinação dos recursos arrecadados.
De acordo com as investigações da PF, a empresa costumava parcelar o pagamento dos prêmios para movimentar quantias menores e declarar menos do que o real valor movimentado. Ao todo, sete pessoas estão sendo investigadas. Não foram feitas prisões porque os proprietários dos imóveis onde foram cumpridas as buscas e apreensões estão fora do estado. A PF não divulgou o nome da empresa.
Policiais federais cumpriram os mandados de busca e apreensão em Teresina, Juazeiro do Norte/CE, Garanhuns e Caruaru/PE, além da suspensão das atividades da empresa envolvida, expedidos pela 1ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Piauí. Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, foram apreendidos cerca de R$ 850 mil em espécie, além de aparelhos celulares e documentos, que serão analisados e poderão contribuir para o aprofundamento das investigações.
Chamou atenção da polícia a movimentação atípica financeira não condizente com o que era declarado. "Na verdade, (a empresa) tinha uma autorização para fazer sorteio de pequena monta, no máximo uma moto e aí o que ela estava fazendo eram grandes sorteios, sorteio de valores elevados, de prêmios elevados. Constatou-se que não havia declaração de valores. Constatou-se lavagem de capitais por parte dos sócios. A gente deflagrou essa operação e foi apreendido 850 mil reais; foram apreendidos veículos, foram apreendidos documentos, celulares, mídias que confirmam o que a gente já suspeitava", informou o delegado Marco Antônio Nunes.
As investigações apontaram que a empresa investigada teria ido além dos limites previstos nas autorizações legais, promovendo sorteios frequentes, com prêmios de alto valor, e adotando critérios próprios para apuração e divulgação dos resultados, em desacordo com o regulamento aprovado. A prática pode ter levado consumidores a acreditar, de forma equivocada, que a atividade era regular e oficialmente autorizada.
Sobre a entrega dos prêmios, a empresa até entregava, mas descumpria os regulamentos federais vigentes, operava sem autorização e usando indevidamente o selo do Ministério da Fazenda nas cartelas.
Os levantamentos também identificaram indícios de movimentação de grandes quantias fora do sistema bancário formal, incluindo possível fracionamento de valores e pagamento de prêmios em dinheiro. "(Houve) ocultação dos valores. Na casa de um dos gestores, foi encontrado R$600 mil em cima de uma mala, em um armário. A gente encontrou esses valores e a própria empresa não declara os valores", complementou o delegado.
Esses fatos podem estar relacionados a crimes como lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, falsificação de selo ou sinal público e delitos contra a ordem tributária, entre outras infrações que ainda estão sendo apuradas. Novos sorteios pela empresa estão proibidos e novas diligências devem ser feitas em desdobramento. As investigações prosseguem sob a coordenação da Polícia Federal.
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