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Estupro na Delegacia-Geral: Suspeito confessa ato sexual; polícia aponta violência extrema

Delegado aponta contradições no depoimento e relata frieza do investigado; devido a lesões graves, polícia apura se caso pode ter sido tentativa de feminicídio.

23/03/2026 às 12h58

23/03/2026 às 15h00

O suspeito de estuprar uma servidora dentro da Delegacia-Geral de Teresina confessou parcialmente a ocorrência de um ato sexual e tentou culpar a vítima, afirmando que o ato teria sido consensual. As informações foram divulgadas nesta segunda-feira (23), pelo delegado-geral Luccy Keiko.

No entanto, a partir das investigações, a polícia trata o caso como de extrema violência e apura, além do estupro, a possibilidade de tentativa de feminicídio. A vítima foi encontrada desacordada na última quinta-feira (19), dentro de uma sala da unidade.

Estupro na Delegacia-Geral: Suspeito confessa ato sexual; polícia aponta violência extrema - (Assis Fernandes/O Dia) Assis Fernandes/O Dia
Estupro na Delegacia-Geral: Suspeito confessa ato sexual; polícia aponta violência extrema

De acordo com o delegado, o homem foi ouvido em três momentos distintos e apresentou versões diferentes. Inicialmente, ao “pedir ajuda” poucos momentos após o crime, afirmou que a servidora havia sofrido um mal súbito e caído. Posteriormente, durante interrogatório formal, admitiu que houve relação sexual, alegando consentimento.

“Ele mudou completamente a versão. Diante das contradições e das circunstâncias, entendemos haver elementos de estupro”, afirmou. O suspeito ainda foi interrogado novamente, uma terceira vez, na Casa da Mulher Brasileira. Nesta ocasião, o acusado teve contato com uma familiar da vítima, teria se aproximado e a questionado sobre o estado de saúde da servidora.

Luccy Keiko também destacou o comportamento do suspeito durante o depoimento. Segundo ele, o investigado demonstrou frieza ao ser questionado. “Ele tentou aparentar tranquilidade, mas ficou evidente que estava mentindo em vários pontos”, disse. A conduta, aliada aos indícios coletados, reforçou a decisão pela prisão em flagrante, posteriormente convertida em preventiva.

Estupro na Delegacia-Geral: Suspeito confessa ato sexual; polícia aponta violência extrema - (Assis Fernandes/O Dia) Assis Fernandes/O Dia
Estupro na Delegacia-Geral: Suspeito confessa ato sexual; polícia aponta violência extrema

Ainda de acordo com o delegado, a vítima foi encontrada com sinais de violência, incluindo sangramento e uma possível luxação no punho, além de estar inconsciente. Ela foi socorrida e encaminhada ao Hospital de Urgência de Teresina (HUT), onde permanece internada em uma UTI.

Conforme relatos repassados à polícia pela advogada de defesa e por uma familiar da vítima, a mulher apresenta momentos de confusão mental, pede socorro quando recobra parcialmente a consciência e precisa voltar a ser sedada.

Diante da gravidade do caso, a investigação passou a contar também com a Delegacia de Feminicídios, que deve apurar se houve tentativa de assassinato. “Pela forma como ela foi encontrada e pelo estado clínico, há necessidade de investigar essa possibilidade”, explicou o delegado.

O caso ainda deve ser investigado pelas delegadas Lucivânia Vidal, da Casa da Mulher Brasileira, Nathalia Figueiredo, titular do Núcleo de feminicídios do DHPP, e Bruna Verena, Diretora de Proteção à Mulher e aos Grupos Vulneráveis da Polícia Civil do Piauí. As três foram designadas para presidir o inquérito.

Estupro na Delegacia-Geral: Suspeito confessa ato sexual; polícia aponta violência extrema - (Assis Fernandes/ O DIA) Assis Fernandes/ O DIA
Estupro na Delegacia-Geral: Suspeito confessa ato sexual; polícia aponta violência extrema

O suspeito é um prestador de serviço terceirizado que atuava na unidade e havia sido deslocado para a Delegacia-Geral há cerca de três meses. Segundo a polícia, ele trabalha vinculado a uma empresa contratada desde 2018 e já possui antecedente criminal por homicídio, relacionado a um linchamento ocorrido em 2017. Após o caso, foi solicitado o desligamento imediato do funcionário.

As investigações seguem em andamento e incluem análise de laudos periciais, exames médicos e depoimentos. A polícia também apura se havia algum tipo de relação prévia entre vítima e suspeito, embora o delegado tenha ressaltado que isso não altera a gravidade do ocorrido. “Independentemente de qualquer vínculo, nada justifica a violência registrada”, afirmou.

O caso continua sob sigilo parcial, com o objetivo de preservar a identidade da vítima enquanto as autoridades buscam esclarecer todas as circunstâncias do crime.


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Com edição de Ithyara Borges.