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Dia Mundial do Rock: no Piauí, um público fiel movimenta o cenário

O ritmo musical que revolucionou o mundo atravessa gerações conquistando novos fãs

13/07/2026 às 08h38

Dia 13 de julho é comemorado o Dia Mundial do Rock e, em 2026, a data completa 41 anos de existência. A celebração costuma não passar em branco em diversas partes do mundo e, no Piauí, não é diferente. Há 41 anos acontecia um evento que marcaria a história da música e se tornaria um dos principais símbolos desse estilo: o festival beneficente Live Aid, realizado em 1985, em Londres, reunindo grandes nomes como David Bowie, Mick Jagger, Queen, U2 e The Who.

Apesar de o Piauí ser um estado nordestino e de pesquisas apontarem que o forró é o gênero preferido de grande parte dos teresinenses, o rock continua mantendo um público fiel, que atravessa gerações e segue fortalecendo a cena local.

Teresina viveu seus anos dourados do rock, especialmente nas décadas de 1990 e 2000 - (Renan Melo) Renan Melo
Teresina viveu seus anos dourados do rock, especialmente nas décadas de 1990 e 2000

Teresina viveu seus anos dourados do rock, especialmente nas décadas de 1990 e 2000. Festivais como o Piauí Pop e o Boca da Noite, além de espaços tradicionais, como Planeta Diário, Bar do Churu, Bueiro do Rock, Raízes, Caneleiro e Bar do Clóvis, ajudaram a consolidar o cenário musical, abrindo espaço principalmente para bandas autorais. Muitos desses locais deixaram de existir, mas permanecem vivos na memória de quem acompanhou esse período.

Mesmo com a redução desses espaços, o rock segue resistindo. Para Driênio Silva, um dos proprietários do Bueiro do Rock, essa permanência está diretamente ligada à fidelidade do público. “Eu creio que o rock tem um público bastante fiel, que sempre está escutando, sempre está comparecendo. E, por conta dessa fidelidade ao gosto, ao estilo musical e ao estilo de vida, o público vai se renovando aos poucos”, afirmou.

Segundo ele, essa renovação acontece principalmente dentro das famílias, com filhos sendo influenciados pelos pais.

A gente vê muito isso, os pais levando os filhos jovens para alguns eventos. É isso que vai mantendo uma certa rotatividade no público, embora pareça que ele esteja diminuindo

Driênio Silvaum dos proprietários do Bueiro do Rock

Entre os espaços que ainda mantêm essa cultura viva está o Bueiro do Rock, que completa quase duas décadas de funcionamento e se consolidou como uma das principais referências do gênero em Teresina. O empresário ressalta que a proposta do Bueiro do Rock sempre foi apoiar a produção local.

“Eu creio que o Bueiro é um dos pontos mais simbólicos da cidade para o encontro desse público. Mas ainda existem outros espaços, como o Boca da Noite, além de shows underground realizados em praças, ruas e becos. O público punk ainda promove muitos eventos no Centro de Teresina, e isso mantém a rotatividade da cena. A casa surgiu com essa proposta de apoiar a produção local. Durante todo esse tempo, a gente vem dando esse suporte para bandas que querem realizar seus shows e para produtores que desejam levar seus eventos para lá”, disse.

Além de receber bandas locais, a casa também abre espaço para artistas nacionais e internacionais, fortalecendo a cena autoral e aproximando o público de diferentes vertentes do rock. Assim, o espaço ganhou reconhecimento e rompeu fronteiras.

Em Teresina, entre os espaços que ainda mantêm essa cultura viva, está o Bueiro do Rock - (Renan Melo) Renan Melo
Em Teresina, entre os espaços que ainda mantêm essa cultura viva, está o Bueiro do Rock

“Hoje recebemos e-mails e mensagens do mundo inteiro, de bandas elogiando o espaço e querendo conhecer a casa e ter esse reconhecimento internacional é muito gratificante”, afirmou.

Para Driênio Silva, o Dia Mundial do Rock representa mais do que uma homenagem ao estilo musical. A data reforça os valores que sempre acompanharam o gênero e enfatiza que é o amor ao rock que mantém o estilo vivo até hoje.

“A importância dessa data é justamente fazer com que as pessoas continuem vivendo a essência do rock and roll. Na sua essência, ele fala de união, liberdade e respeito ao próximo. O rock está aí para apoiar a diversidade e acolher as pessoas diferentes. Com certeza é o amor pelo rock que faz com que o público continue frequentando os espaços. Não só aqui, mas em todo o Brasil”, concluiu.

O Dia Mundial do Rock representa mais do que uma homenagem ao estilo musical.  - (Renan Melo) Renan Melo
O Dia Mundial do Rock representa mais do que uma homenagem ao estilo musical.

Três décadas de resistência ao rock autoral

Com 30 anos de estrada, a banda Radiofônicos é um dos exemplos de resistência do rock autoral em Teresina. Fundado em 1996, o grupo nasceu da amizade entre jovens que queriam tocar versões de bandas que admiravam, mas que logo decidiram criar músicas próprias e construir uma identidade musical. Ao longo de três décadas, lançou discos, singles, passou por mudanças na formação e enfrentou as dificuldades comuns às bandas independentes, sem abrir mão da produção autoral.

Para o vocalista Henrique Douglas, permanecer ativo por tanto tempo só foi possível graças à persistência. Além disso, ele conta que a motivação nunca esteve apenas no mercado musical.

"Chegar aos 30 anos é uma prova de resistência, amizade e, principalmente, de muito amor pelo rock e pela música. O maior desafio sempre foi conciliar outro tipo de vida profissional e os compromissos pessoais sem abandonar a música. Fazer rock autoral aqui exige persistência, porque quase tudo depende da iniciativa da própria banda", afirma.

Com 30 anos de estrada, a banda Radiofônicos é um dos exemplos de resistência do rock autoral em Teresina - (Arwuivo pessoal) Arwuivo pessoal
Com 30 anos de estrada, a banda Radiofônicos é um dos exemplos de resistência do rock autoral em Teresina

Ao olhar para o cenário atual, Henrique acredita que a realidade do rock em Teresina mudou bastante em comparação às décadas de 1990 e 2000, quando havia mais festivais, casas de shows e bandas em atividade. Hoje, embora ainda existam bons músicos e grupos, o espaço para o gênero diminuiu.

"Nos anos 1990 e 2000 existia uma cena muito movimentada, com festivais, casas de shows e uma quantidade maior de bandas circulando ao mesmo tempo. Hoje o cenário está mais pulverizado", comenta.

O vocalista destaca que o rock perdeu espaço nos grandes eventos musicais e que as redes sociais, apesar de facilitar a divulgação, acabam fragmentando o público. Apesar disso, ele destaca que ainda existem boas bandas e músicos em Teresina, mas que precisam disputar atenção com um universo muito maior de conteúdos.

O desafio agora é fortalecer novamente os espaços para apresentações ao vivo e incentivar o público a prestigiar a produção local. O rock vive passando por várias fases, mas agora não está nada popular. Os grandes festivais e eventos são muito mais pop do que rock

Henrique Douglasvocalista da banda Radiofônicos

Mesmo assim, Henrique acredita que o gênero continua vivo graças à fidelidade de seus admiradores. Além disso, segundo ele, atualmente a cena se organiza muito mais pela mobilização coletiva do que por espaços fixos.

"O rock sempre encontrou um jeito de sobreviver em Teresina. Mesmo sendo um mercado dominado pelo forró e pelo sertanejo, existe um público muito fiel que acompanha bandas locais, festivais e eventos temáticos. Esse público se encontra principalmente nos bares que abrem espaço para bandas de rock, em festivais independentes e em eventos organizados pelos próprios músicos e produtores culturais. Mais do que um endereço específico, a cena hoje funciona muito pela mobilização das pessoas. Quando surge um bom evento, o público aparece”, destaca.

Para o vocalista da Radiofônicos, essa relação próxima entre artistas e fãs explica por que o rock continua atravessando gerações, e criando conexão que passa de pais para filhos.

"O rock tem uma característica que poucos gêneros conseguem manter: ele se reinventa sem perder sua essência. Além disso, cria comunidades. Quem gosta de rock normalmente não consome apenas música, acompanha a história das bandas, os discos, os shows e as referências culturais. Pais apresentam suas bandas favoritas aos filhos, e os jovens acabam descobrindo um universo que continua atual justamente porque fala de temas humanos, universais e permanentes", conclui Henrique Douglas.

Radiofônicos, três décadas de resistência ao rock autoral - (Arquivo pessoal) Arquivo pessoal
Radiofônicos, três décadas de resistência ao rock autoral