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Sem casos de sarampo desde 2020, Piauí tem cobertura vacinal abaixo da meta e reforça vacinação

Surto em São Paulo, já com 16 casos confirmados, reacende alerta no estado; especialistas reforçam que a proteção contra a doença só é garantida com as duas doses da vacina Tríplice Viral

04/08/2026 às 15h38

O recente surto de sarampo em São Paulo, que já soma 16 casos confirmados pelo Ministério da Saúde até esta terça-feira (04) acendeu um alerta no Piauí diante do risco de dispersão do vírus pelo fluxo de viajantes, especialmente em Teresina. Segundo o chefe do Núcleo de Agravos Imunopreveníveis da Fundação Municipal de Saúde (FMS), Johansen Pitta, o último caso registrado na capital foi em 2019, mesmo ano do último registro em todo o estado do Piauí. Assim como no surto paulista, os casos anteriores tiveram origem em vírus importado, cenário que volta a preocupar as autoridades sanitárias.

Somente em São Paulo foram registrados 16 casos esse ano; Piauí está livre da doença desde 2020. - (Assis Fernandes/O Dia) Assis Fernandes/O Dia
Somente em São Paulo foram registrados 16 casos esse ano; Piauí está livre da doença desde 2020.

Um dos pontos de alerta é a cobertura vacinal no estado. O Ministério da Saúde estabelece como meta que 95% da população esteja imunizada com a vacina Tríplice Viral. No Piauí, porém, os dados apontam cobertura abaixo do ideal: a primeira dose, até junho deste ano, atingiu 93,75%, enquanto a segunda dose alcançou apenas 76,82%, segundo o painel de vacinação do Ministério da Saúde. Johansen Pitta alerta que a imunização completa só é garantida com a aplicação das duas doses, em São Paulo, o último caso confirmado foi o de um bebê que havia recebido apenas a primeira dose.

"Não adianta só fazer a primeira dose e não ter feito a segunda", alerta Johansen Pitta. Em Teresina, os números atuais também preocupam, a cobertura da primeira dose está em 86%, enquanto a segunda em 76%. Segundo o especialista, o cenário de baixa cobertura "reflete em todo o Brasil, não é um cenário apenas de Teresina", complementou.

De acordo com o diretor da FMS, as equipes de vigilância estão treinadas para agir rapidamente assim que um caso suspeito é identificado, seguindo um protocolo rigoroso: em até 48 horas após a notificação, é realizada toda a investigação epidemiológica, feito o rastreamento dos contatos da pessoa infectada e iniciado o bloqueio vacinal na região.

Onde e como vacinar

Para combater o déficit vacinal, a FMS realiza uma campanha de multivacinação em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) do município e no posto instalado no Teresina Shopping. A gestão municipal também aposta em ações nas escolas e no cumprimento de uma legislação local que condiciona a matrícula escolar à comprovação da situação vacinal, "tem um incentivo de uma lei municipal que foi aprovada em que o aluno, ele sai matriculado mediante a comprovação da situação vacinal".

Todas as UBS em Teresina estão em campanha de vacinação durante todo o mês de agosto. - (Arquivo O Dia) Arquivo O Dia
Todas as UBS em Teresina estão em campanha de vacinação durante todo o mês de agosto.

Em crianças, a imunização é feita em duas etapas: a primeira dose aos 12 meses de idade e a segunda aos 15 meses, pessoas de até 29 anos devem comprovar duas doses, enquanto as de 30 a 59 anos precisam comprovar apenas uma dose, para os profissionais de saúde, independentemente da idade (até 59 anos), devem comprovar duas doses da vacina, e o profissional estiver na faixa etária de 60 anos e mais, sem histórico vacinal completo, recomenda-se avaliação prévia do risco-benefício.

Caderneta de vacinação é cobrada na matrícula de alunos nas escola municipais de Teresina. - (Arquivo O DIa) Arquivo O DIa
Caderneta de vacinação é cobrada na matrícula de alunos nas escola municipais de Teresina.

Para gestantes, segundo Pitta, a vacina é contraindicada. Nesses casos, tanto as mulheres grávidas quanto pessoas imunossuprimidas precisam reforçar medidas preventivas, como o uso de máscaras, a higienização das mãos e evitar aglomerações em períodos de surto.

Sintomas do sarampo

Segundo Pitta, o sarampo é uma doença viral altamente contagiosa, podendo ser até três vezes mais transmissível que a Covid-19. A infecção se manifesta de forma relativamente rápida: os primeiros sinais costumam surgir entre dois e cinco dias após o contato com o vírus.

Os principais sintomas que ajudam a identificar a doença são febre, manchas vermelhas espalhadas pelo corpo, tosse e conjuntivite. Ao notar esses sinais, é recomendado procurar imediatamente uma unidade de saúde, já que o diagnóstico precoce por profissionais de saúde é fundamental para colocar o paciente em isolamento e evitar que a doença se espalhe pela comunidade.