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“Queremos colocar o Piauí na rota dos viajantes internacionais”, diz ministro do Turismo ao O Dia

Em entrevista exclusiva ao O DIA, ministro Gustavo Feliciano destaca investimentos federais, alta no número de visitantes e estratégias para transformar o potencial turístico do Estado em empregos e renda

09/09/2026 às 13h04

O ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, cumpre agenda em Teresina nesta quinta-feira (10) e conversou com exclusividade com O DIA. Na pauta, ele falou sobre os investimentos em infraestrutura turística que o Piauí tem recebido do governo federal, sobre o acesso a crédito para investimentos privados no setor, quais as estratégias a pasta tem desenvolvido para tentar atrair turistas internacionais ao estado. Boa leitura!

“Queremos colocar o Piauí na rota dos viajantes internacionais”, diz ministro do Turismo ao O Dia - (Marcelo Camargo/Agência Brasil) Marcelo Camargo/Agência Brasil
“Queremos colocar o Piauí na rota dos viajantes internacionais”, diz ministro do Turismo ao O Dia

1. O Piauí tem um potencial turísticos que vai do patrimônio histórico, como a Serra da Capivara, aos 66 quilômetros de litoral. Como usufruir deste potencial e conseguir atrair turistas?

O Piauí abriga atrativos naturais incríveis, que despertam o interesse de turistas de todo o mundo. Temos a Serra da Capivara, patrimônio reconhecido pela Unesco; a Rota das Emoções; o Delta do Parnaíba; Barra Grande; a Serra das Confusões, além de uma gastronomia única. Para atrair mais turistas, é preciso avançar em diferentes frentes. Uma delas é a conectividade, e o Ministério do Turismo atua diariamente com o Ministério de Portos e Aeroportos e as companhias aéreas para ampliar a malha aérea. Em novembro, por exemplo, a Azul deve iniciar novos voos interligando Parnaíba, Teresina e Belo Horizonte. Paralelamente, trabalhamos em parceria com a Embratur, por meio do Plano Brasis, para promover as belezas piauienses em eventos e feiras nos maiores mercados emissores do planeta. Queremos que todo o Brasil e o mundo descubram e se apaixonem pelas riquezas do Piauí.

2. O que foi realizado de investimentos federais no Piauí no setor de turismo? Principalmente em infraestrutura e divulgação?

Nossa presença no estado é sólida. Entre 2023 e agosto de 2026, firmamos mais de 90 contratos para obras de infraestrutura turística, ultrapassando R$ 100 milhões. Além disso, já entregamos 41 obras, que somam outros R$ 64 milhões. São melhorias que transformam a experiência do visitante, como os acessos às lagoas do Portinho e da Prata, em Parnaíba; a infraestrutura no entorno da Serra da Capivara; e a urbanização da Orla do Rio Parnaíba, em Amarante. O acesso ao crédito também é uma ação estratégica que o Ministério do Turismo tem trabalhado em todo o país. Temos R$ 1 bilhão disponíveis no Fundo Geral de Turismo, o Novo Fungetur, um fundo especial de financiamento vinculado ao MTur e criado para impulsionar o setor turístico no Brasil por meio de crédito com condições facilitadas para melhoria de infraestrutura e até capital de giro. No Piauí, apenas neste ano, o Fungetur injetou R$ 24,5 milhões no estado por meio de 34 financiamentos, garantindo fôlego aos empreendedores locais.

3. Diante do potencial turístico do estado, como o senhor avalia os números de turistas e negócios em torno do setor no estado? E como crescer?

Os dados comprovam que o Piauí está no caminho certo. De janeiro a julho de 2026, os seis principais atrativos do estado receberam cerca de 290 mil visitantes, um salto de 18% em comparação com o mesmo período de 2025. Destaco a Serra da Capivara, que superou 33 mil visitantes; o Parque Nacional de Sete Cidades, cujo fluxo aumentou 23%; e o Parque Estadual Zoobotânico, que recebe o maior movimento do estado e registrou alta de 24%.

A nossa prioridade agora é transformar esse aumento de visitas em desenvolvimento econômico de fato, com mais negócios e empregos. Isso passa por apoiar quem está trabalhando no dia a dia, como o crédito que o Fungetur proporciona. Quando o guia, o motorista, o artesão, o restaurante local e o pequeno empresário conseguem investir e melhorar seus serviços, toda a economia da região cresce junto.

4. O acesso ao crédito para os trabalhadores, por meio do Fungetur, tem consequências a médio prazo? Como garantir a boa aplicação dos recursos e o retorno dos investimentos?

O Fungetur tem justamente esse papel de dar fôlego aos negócios do turismo para que eles consigam investir, melhorar sua estrutura e crescer. No Piauí, desde 2023, a maior parte dos recursos contratados foi destinada a capital de giro, em um total superior a R$ 41,7 milhões. Esse crédito atendeu setores essenciais da economia local: restaurantes, cafeterias e bares tiveram acesso a R$ 15,5 milhões; organizadores de eventos, a R$ 10,4 milhões; transportadoras turísticas, a R$ 9,49 milhões; e hotéis e pousadas, a R$ 7,46 milhões. 

Agora, abrimos uma nova oportunidade para quem mais precisa: microempreendedores individuais do turismo cadastrados no CadÚnico e no Cadastur poderão obter financiamentos do Fungetur de até R$ 21 mil. Esse processo é feito de forma muito responsável. O empreendedor recebe orientação técnica do Sebrae antes de solicitar o crédito, e a proposta passa pela avaliação dos agentes financeiros credenciados, garantindo que o valor seja adequadamente aplicado e traga resultados reais.

5. Os destinos turísticos no Piauí têm potencial internacional, ou seja, de receber turistas de outros países. Como o Ministério tem viabilizado a captação desses turistas?

O Piauí tem atrações com forte interesse internacional. A Serra da Capivara possui uma riqueza arqueológica única no mundo, enquanto o Delta do Parnaíba e a Rota das Emoções chamam a atenção de um perfil de turista estrangeiro que busca natureza, aventura e cultura. Para transformar todo esse potencial em fluxo de visitantes, como eu disse anteriormente, o Ministério do Turismo atua em sintonia com a Embratur na execução do Plano Brasis. A grande diretriz do Plano é justamente a descentralização do turismo, garantindo que a promoção do Brasil no exterior apresente toda a diversidade das nossas regiões e leve o turista internacional para além dos eixos tradicionais. Isso inclui justamente a promoção de atrativos como a Rota das Emoções e a Serra da Capivara em campanhas internacionais e nas maiores feiras e fóruns de turismo do planeta, buscando mercados emissores de alto valor agregado na Europa e nas Américas. O nosso compromisso no Ministério do Turismo é continuar usando a força do Plano Brasis para colocar o Piauí na rota dos grandes viajantes internacionais, convertendo o encanto das nossas belezas naturais e históricas em desenvolvimento, emprego e renda para a população piauiense. E o Piauí tem todos os atributos para ocupar esse espaço. Queremos que o estado participe cada vez mais do ótimo momento vivido pelo turismo brasileiro. Para se ter uma ideia, no ano passado, o país recebeu 9.287.196 turistas estrangeiros, o maior resultado da história. E, em 2026, continuamos em um patamar muito elevado de chegadas internacionais: 5,87 milhões de turistas, o segundo melhor resultado de janeiro a julho.

6. Como o Governo Federal tem pensado o incentivo da aviação regional como forma de garantir fácil acesso dos turistas aos locais mais distantes dos grandes centros?

Democratizar o acesso é a nossa grande prioridade. Por meio do Novo PAC, investimos continuamente na modernização de dezenas de aeroportos regionais. No Piauí, a movimentação nos aeroportos chegou a 708 mil passageiros entre janeiro e agosto deste ano, o que reforça a urgência de integrar, de forma eficiente, Teresina, o litoral e o interior. Também trabalhamos para baratear os custos operacionais das companhias em rotas de menor densidade, utilizando recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC). Garantir esse acesso não é apenas uma questão de mobilidade, mas também de combate às desigualdades. Quanto mais fácil for chegar aos destinos, mais o turista circula, estende sua permanência e distribui renda pelos municípios.