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População em situação de rua tem 54 vezes mais risco de contrair tuberculose no Piauí

A tuberculose é uma doença infectocontagiosa transmitida pelo ar, de pessoa para pessoa.

24/03/2026 às 11h14

24/03/2026 às 11h14

O dia 24 de março é marcado pelo Dia Mundial de Combate à Tuberculose. Apesar de ser uma doença antiga, ela ainda representa um desafio para a saúde pública, especialmente entre populações mais vulneráveis. No Piauí, um dado chama atenção: pessoas em situação de rua têm 54 vezes mais risco de desenvolver a doença. A tuberculose é uma doença infectocontagiosa transmitida pelo ar, de pessoa para pessoa.

Somente em 2025, a Secretaria de Saúde do Piauí (Sesapi) identificou 1.085 casos da doença, mas o número pode ultrapassar 1.300 até o fechamento do ano epidemiológico. Ivone Venâncio, supervisora do Programa Estadual de Controle da Tuberculose, explica que, uma pessoa infectada, não tratada, consegue infectar até 15 pessoas, dependendo do ambiente, sendo que seis poderão adoecer, dependendo da imunidade do indivíduo.

A população em situação de rua é a mais vulnerável, porque está exposta, muitas vezes sem alimentação adequada, sem cuidado, sem higiene. Tudo isso corrobora para o adoecimento

Ivone Venânciosupervisora do Programa Estadual de Controle da Tuberculose da Sesapi

Ivone Venâncio explica que há equipes específicas realizando acompanhamento junto à população em situação de rua, e que esse público concentra-se, em sua maioria, em Teresina. Ainda segundo a supervisora, em 2025, dos pacientes que compõem essa população e tiveram o diagnóstico da doença, todos vieram a óbito.

Além das pessoas em situação de rua, outros grupos também apresentam maior risco de adoecimento por tuberculose em relação à população geral, como pessoas que vivem com HIV (23 vezes), profissionais de saúde (20 vezes), indígenas (1,4 vezes), imigrantes ( 5,8 vezes) e pessoas privadas de liberdade (24 vezes). “Esses grupos têm um risco aumentado porque já possuem fatores que comprometem a imunidade ou estão mais expostos ao contexto da doença”, explica.

População em situação de rua tem 54 vezes mais risco de contrair tuberculose no Piauí - (Arquivo O Dia) Arquivo O Dia
População em situação de rua tem 54 vezes mais risco de contrair tuberculose no Piauí

No Piauí, os municípios que tiveram o maior número de casos novos de tuberculose, em 2024, foram: Teresina (312), Parnaíba (73), Altos (24), Piripiri (20) e Esperantina (17). Segundo dados da Sesapi, 22 municípios correspondem 67,7% do total de casos diagnosticados no Estado no respectivo ano.

Entre os estados do Nordeste, o Piauí está em nono lugar em incidência de tuberculose, acima de 25 casos para cada 100 mil habitantes. Segundo a Sesapi, houve um aumento na taxa de mortalidade por tuberculose, passando de 1,8 para 2,3 casos.

Doença tem cura, mas ainda mata

Mesmo sendo uma doença evitável e com tratamento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a tuberculose ainda causa mortes, principalmente quando o diagnóstico é tardio e, segundo Ivone Venâncio, um dos principais problemas é a demora no diagnóstico.

“A tuberculose é 100% curável e o tratamento é ambulatorial, mas ainda assim a gente observa aumento na taxa de mortalidade, o que preocupa. Muitas vezes, o paciente não é identificado na atenção primária e só chega ao hospital em estado avançado, já bastante debilitado. Em alguns casos, isso pode evoluir para óbito”, alerta.

Principais sintomas e como identificar

A tuberculose pode ser confundida com outras doenças respiratórias, o que dificulta o reconhecimento precoce. Por isso, é importante ficar atento aos sinais. Nesse sentido, Ivone Venâncio reforça que a investigação é essencial para evitar que a doença chegue a um estágio mais grave.

“Os principais sintomas são tosse por mais de três semanas, dor no peito, febre ao entardecer, suor noturno e perda de peso. A tuberculose é uma doença de diagnóstico. Não é só olhar para a pessoa e concluir, é necessário realizar exame laboratorial para confirmar”, afirma.

Ivone Venâncio explica que, uma pessoa infectada, não tratada, consegue infectar até 15 pessoas,  - (Assis Fernandes/ODIA) Assis Fernandes/ODIA
Ivone Venâncio explica que, uma pessoa infectada, não tratada, consegue infectar até 15 pessoas,

Hoje, o Piauí conta com um teste rápido molecular que identifica a doença em até duas horas, mas que somente são realizados em Teresina, Parnaíba e Picos. Além disso, há a baciloscopia (BK), que pode levar de 24 a 48 horas, e métodos mais avançados, como a cultura, que é considerado o “padrão ouro”.

Tratamento deve ser contínuo

Ivone Venâncio, supervisora do Programa Estadual de Controle da Tuberculose, explica que o tratamento da tuberculose dura, em média, seis meses e é feito com antibióticos. Porém, em casos excepcionais, como com crianças menores de 16 anos, o tratamento pode ser reduzido para quatro meses.

Segundo a especialista, o preconceito e o estigma com a doença ainda impede que muitas pessoas busquem ajuda. “O tratamento não é curto, e isso faz com que muitas pessoas abandonem. O paciente sente vergonha, medo de ser julgado, e acaba interrompendo o tratamento, e esse estigma é o que mais dificulta o controle da doença”, afirma.

Foco na prevenção e busca ativa

Para reduzir os casos, o Estado tem investido em estratégias de prevenção, diagnóstico precoce e acompanhamento dos pacientes, por meio da busca ativa, qualificação dos profissionais e ampliação do diagnóstico. Também tem fortalecido o tratamento da tuberculose latente, que é quando a pessoa tem a bactéria, mas ainda não desenvolveu a doença.

A falta de conhecimento continua sendo um dos principais obstáculos no combate à tuberculose - (Assis Fernandes/ODIA) Assis Fernandes/ODIA
A falta de conhecimento continua sendo um dos principais obstáculos no combate à tuberculose

Para Ivone Venâncio, a falta de conhecimento continua sendo um dos principais obstáculos no combate à tuberculose, e reforça que a disseminação de informação é essencial para reduzir casos e salvar vidas.

“Muita gente acha que a tuberculose não existe mais. Só que, quando não se conhece a doença, não se procura o serviço de saúde. A informação é o carro-chefe para diminuir o estigma e incentivar a procura pelo tratamento. Quanto mais cedo a doença for identificada, maiores são as chances de cura”, conclui.


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