Viver está cada vez mais caro e nem sempre o que se ganha com a força de trabalho é suficiente para cobrir os gastos básicos. O resultado é um só: o endividamento, seja por contas em atraso ou por fazer mais contas para conseguir pagar as que aparecem todo mês. Um estudo recentemente divulgado pelo Serasa Experian revela que o custo médio mensal de vida do piauiense é R$ 2.690. Significa que ele deveria ganhar, na prática, pelo menos 2,7 mil por mês para conseguir arcar com as contas básicas.
Mas a realidade é outra. O rendimento médio mensal do piauiense é de apenas R$ 1.546 por mês. Quem revelou isso foi o IBGE, na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), divulgada em fevereiro deste ano. O cenário mostra que o trabalhador piauiense ganha R$ 1.144 a menos do que o que realmente precisa para pagar o básico.
E por básico, entende-se alimentação, saúde, educação, transporte e moradia. Para se ter uma ideia: só os gastos com supermercado por mês consomem quase a metade do rendimento médio mensal do piauiense. No Piauí, se gasta com supermercado mensalmente uma média de R$ 680, o que representa 48,93% dos R$ 1.546 recebidos de rendimentos mensais.
O mapa das despesas do Serasa revela ainda que os outros gastos mais vultuosos são: contas recorrentes, como água, luz, internet e streaming; compras em geral; saúde e atividade física. Com as contas recorrentes, o piauiense gasta uma média de R$ 500 mensais; com compras em geral, R$ 410; e com saúde e atividades físicas, a média de gastos é de R$ 510.
As compras em gerais, que incluem gastos como calçados, roupas, cosméticos e custos com pets, são maiores inclusive que os gastos com transporte e mobilidade, que consomem R$ 320 mensais dos rendimentos dos piauienses.
No mapa das despesas constam ainda contas como alimentação pronta ou fora de casa e lazer. Com os pedidos de comida por aplicativo, o piauiense consome em média R$ 140. Já com o lazer, esses gastos são da ordem de 240. O mapa não apresenta os dados do Piauí para quesitos como moradia (aluguel, condomínio e financiamento) e educação.
Segundo a pesquisa do Serasa, dois em casa dez brasileiros consideram difícil gerenciar os pagamentos das despesas. Dentro deste contexto, as despesas que são priorizadas, e também são consideradas mais difíceis de manter em dia, são: compras de supermercados, contas recorrentes e moradia. Isso a nível de Brasil.
Considerando todas aas categorias mapeadas no estudo, o custo mensal de vida médio do brasileiro é R$ 3.520. Os maiores custos de vida estão no Distrito Federal (R$ 4.920), no Paraná (R$ 4.300) e em São Paulo (4.270). Os estados com os custos de vida mais baratos do Brasil são Alagoas (R$ 2.450), Maranhão (R$ 2.230) e Sergipe (R$ 2.010).
Descontrole financeiro contribui para o endividamento
Historicamente, a população brasileira não tem uma cultura de educação financeira ou planejamento financeiro. O resultado disso, somado ao aumento do custo de vida ao longo dos anos, é a incapacidade de arcar com aquilo que se gasta ou, basicamente, gastar mais do que aquilo que se recebe. É aí que surge a inadimplência e a incapacidade de honras com os compromissos financeiros.
Para um trabalhador que já vive no limite da renda, qualquer deslize ou imprevisto leva a uma situação de endividamento. Ter dívidas não é o problema. Todo mundo tem, afinal. O problema mesmo é não conseguir pagá-las e não saber fazer tais dívidas. Quem explica é o economista Francisco Sousa.
“Tem as despesas essenciais como alimentação, despesas básicas de casa, educação e transporte. E tem outras que não são tão essenciais, como aquelas que podem ser reduzidas, não priorizadas e controladas. Entra aí o contexto do status e do padrão social. As pessoas terminam comprando o que está na moda ou o que é tendência naquele momento e se endividam para isso. Então é importante ter essa conciliação entre o que você ganha e qual a sua capacidade financeira”, pontua.
Existe uma diferença importante aí: o que se ganha nem sempre equivale à capacidade de pagar. Um exemplo disso é o cartão de crédito, considerado o principal vilão das contas dos brasileiros. As pessoas pensam que o limite do cartão é uma renda a mais e não é.
Se a pessoa tem renda de R$ 2 mil ou R$ 3 mil por mês, o limite do cartão dela jamais pode ser somado a este valor. O limite tem que estar preferencialmente abaixo de sua renda.
Ele acrescenta: uma coisa é passar o cartão e pagar a conta na hora. Outra completamente diferente é pagar o cartão mais na frente. Ao usar o cartão de crédito, o trabalhador não está exatamente quitando uma compra, mas fazendo uma dívida para arcar com ela posteriormente. É aí que entra o equilíbrio.
“A parir do momento que a pessoa sai comprando com o cartão, ela não sente o dinheiro sair da conta nem do bolso. E essa sensação de poder comprar para pagar no futuro e parcelar em várias vezes é altamente sedutora. Ela estimula o endividamento. Tem que saber priorizar o que deve ser comprado no cartão e parcelado. Cartão, em tese, é para uso excepcional, não corriqueiro”, finaliza o economista.
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