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Piauí tem 81 processos minerários abertos para exploração de terras raras, revela Ministério

O volume de pedidos foi revelado em entrevista exclusiva ao O Dia pelo ministro Alexandre Silveira e reforça a posição do estado no mapa nacional de minerais estratégicos para a transição energética

24/08/2026 às 14h20

24/08/2026 às 14h20

O Piauí soma atualmente 81 processos minerários voltados à exploração de terras raras, segundo o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, em entrevista exclusiva ao O Dia nesta sexta-feira (21). Do total, 61 processos já estão em fase de autorização de pesquisa e outros 20 seguem em fase de requerimento, cobrindo uma área de 130,4 mil hectares no estado.

O Estado concentra 130,4 mil hectares em pedidos de pesquisa mineral, principalmente nas regiões de Itainópolis e Santa Cruz dos Milagres. - (Reprodução/AgênciaGov) Reprodução/AgênciaGov
O Estado concentra 130,4 mil hectares em pedidos de pesquisa mineral, principalmente nas regiões de Itainópolis e Santa Cruz dos Milagres.

O volume de pedidos segundo o ministro, reforça a posição do Piauí no mapa nacional de minerais estratégicos para a transição energética. O Brasil detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da China, e o estado piauiense concentra parte relevante desse potencial, hoje disputado entre as principais potências econômicas.

"Esses processos de terras raras aqui no Piauí estão concentrados principalmente na região central do estado, perto de Itainópolis, e, também, mais ao Norte, na região de Santa Cruz dos Milagres. São mais de 130 mil hectares já com processo minerário requerido, uma área bem expressiva, que mostra o tamanho do potencial que tem o Piauí", declarou o ministro.

As terras raras reúnem 17 elementos químicos usados na fabricação de equipamentos eletrônicos, carros elétricos, celulares, turbinas eólicas e itens de defesa. Com o avanço da transição energética e o acirramento das disputas geopolíticas, esses minérios têm atraído interesse crescente dos Estados Unidos, em concorrência direta com a China pelo controle da cadeia produtiva.

Por que as terras raras importam para o estado

Segundo Silveira, praticamente toda a indústria tecnológica depende desses minérios, sobretudo na fabricação de ímãs de alto desempenho, semicondutores, sistemas de armazenamento de energia e equipamentos de defesa. Para o ministro, esses elementos sustentam tanto a transição energética quanto a base industrial das economias mais avançadas, e o Piauí entra nessa disputa como parte do país na corrida tecnológica global.

Ministro Alexandre Silveira, de Minas e Energia. - (Agência Brasil) Agência Brasil
Ministro Alexandre Silveira, de Minas e Energia.

O ministro afirma que o governo federal constrói um arcabouço regulatório para transformar o potencial de exploração em desenvolvimento efetivo, com regras que deem segurança jurídica e previsibilidade ao setor.

"Um exemplo disso é o Conselho Nacional de Política Mineral e a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, que está em tramitação no Senado agora. Essa política traz incentivo à pesquisa, à extração, ao processamento e à transformação industrial. Incentivo fiscal, linha de financiamento, tudo pensado para que o produtor brasileiro consiga avançar nas etapas mais nobres da cadeia: separação química, refino, liga metálica, fabricação de ímã permanente", disse.

Governo diz ser necessário apostar na industrialização ao invés de só exportar matéria-prima

O Brasil tem reservas minerais expressivas, mas concentra baixa participação nas etapas mais avançadas da cadeia produtiva das terras raras, da extração ao processamento final. Segundo Silveira, esse ciclo completo hoje está concentrado em poucos países, que retêm a maior parte da renda gerada pela cadeia. O ministro defende o desenvolvimento desse ciclo produtivo também no Piauí, com potencial para gerar empregos, inovação e impacto social direto no estado.

"É esse o compromisso da nossa política mineral: criar um ambiente que atraia investimento, que estimule agregação de valor, que deixe a nossa indústria mais competitiva. E que aproveite essa demanda mundial crescente por minerais essenciais à transição energética, garantindo que esse benefício fique aqui, para o Brasil", destacou.

Para Silveira, o Piauí ocupará papel relevante nessa nova etapa da mineração nacional, desde que a exploração venha acompanhada de industrialização, e não apenas da atração de capital estrangeiro para a extração da matéria-prima.

"Como sempre digo: os minerais críticos e estratégicos são nossos e é neste sentido que temos trabalhado, construindo políticas públicas para que os minerais críticos sejam instrumentos de inovação e soberania", concluiu.