Portal O Dia - Notícias do Piauí, Teresina, Brasil e mundo

WhatsApp Facebook x Telegram Messenger LinkedIn E-mail Gmail

Moraes pede vista e adia julgamento que pode afetar 222 municípios piauienses com fim da desoneração previdenciária

Decisão do ministro do STF adia análise de ação que pode elevar custos de prefeituras em cidades como Picos, Floriano e Piripiri, caso o benefício seja suspenso.

23/10/2025 às 16h06

23/10/2025 às 16h06

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, pediu vista e adiou o julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) que pode afetar 222 municípios piauienses com a possível queda da desoneração previdenciária. A medida, prevista na Lei 14.784/2023, garante a isenção parcial na folha de pagamentos para 17 setores da economia e para municípios com até 156 mil habitantes.

Ministro Alexandre de Moraes pediu vista na ação e suspendeu o julgamento por até 90 dias.  - (Gustavo Moreno/SCO/STF) Gustavo Moreno/SCO/STF
Ministro Alexandre de Moraes pediu vista na ação e suspendeu o julgamento por até 90 dias.

Com o pedido de vista, Moraes terá até 90 dias para devolver o processo ao plenário. Atualmente, os municípios beneficiados contribuem com 12% de encargos previdenciários e, pela lei em vigor, passariam a pagar o percentual integral de 20% de forma gradual até 2027.

Entre as cidades piauienses que podem ser afetadas estão Picos, Floriano, Piripiri, Campo Maior e São Raimundo Nonato, além de dezenas de outros municípios de pequeno e médio porte que dependem do benefício para equilibrar suas finanças, ficam de fora apenas Teresina e Parnaíba.

A Confederação Nacional de Municípios (CNM) alerta que o fim da desoneração pode gerar desequilíbrio nas contas públicas, dificultando o pagamento de servidores e comprometendo a continuidade de serviços essenciais, como saúde e educação. A entidade estima que, se o julgamento sustar os efeitos da desoneração em 2026, os municípios terão aumento de despesas de cerca de R$ 3,5 bilhões.

A CNM já havia solicitado que o julgamento fosse realizado no plenário físico do Supremo. O pedido foi encaminhado ao relator da ação, ministro Cristiano Zanin, e destacou que a medida pode causar impactos severos no financiamento público, na segurança jurídica e no planejamento orçamentário local, além de afetar a continuidade dos serviços municipais.

O julgamento ocorre em meio às tentativas do Governo Federal de compensar o rombo fiscal de R$ 20,9 bilhões deixado pela Medida Provisória (MP) das bets, que foi rejeitada pelo Congresso Nacional.

O ministro Cristiano Zanin foi o primeiro a votar e se manifestou favoravelmente à inconstitucionalidade dos dispositivos da lei que prorrogaram a desoneração. No entanto, ele não reconheceu a nulidade retroativa das normas, garantindo a segurança jurídica e preservando os benefícios já concedidos. Os ministros Gilmar Mendes e Edson Fachin acompanharam o voto do relator.

Com o pedido de vista de Alexandre de Moraes, a decisão final sobre o futuro da desoneração e, consequentemente, das contas municipais fica adiada, mantendo expectativa e apreensão entre os gestores públicos piauienses.


Você quer estar por dentro de todas as novidades do Piauí, do Brasil e do mundo? Siga o Instagram do Sistema O Dia e entre no nosso canal do WhatsApp se mantenha atualizado com as últimas notícias. Siga, curta e acompanhe o líder de credibilidade também na internet.