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Meninas de hoje, mulheres do futuro: o que elas esperam dos próximos 10 anos

Entre sonhos, planos e escolhas, as jovens de hoje mostram que o futuro já começa a ser desenhado agora.

08/03/2026 às 12h48

Entre sonhos, planos e escolhas, as jovens de hoje mostram que o futuro já começa a ser desenhado agora. Mais do que carreiras, elas desejam fazer a diferença e transformar a realidade de outras mulheres ao longo do caminho.

Desde criança, o sonho de Hadassa Silva Cassimiro (16) é ser psicóloga. Para ela, essa é a oportunidade de acolher e transformar vidas, buscando a melhor versão das pessoas e ajudando-as a superar suas dificuldades. “E, com esse trabalho, eu também vou conseguir minha estabilidade financeira”, disse.

Sonho de Hadassa é cursar Psicologia - (Assis Fernandes / O DIA) Assis Fernandes / O DIA
Sonho de Hadassa é cursar Psicologia

Já Ana Carolina Ribeiro da Cruz (16) se vê atuando na área do Direito. Seu sonho é se tornar juíza ou promotora e lutar por justiça. Para ela, a escolha da profissão está ligada ao desejo de transformar a realidade.

“A área do Direito sempre me encantou, apesar de saber que há muita desigualdade entre homens e mulheres, com um machismo muito presente, mas espero ser uma figura de destaque. Sempre tive o pensamento de ir atrás do que é certo e justo. A gente sabe que nem sempre a justiça é feita, mas se tiver pessoas que realmente se esforcem e acreditem nisso, podemos construir um caminho melhor, principalmente para as mulheres”, enfatiza.

Ana Carolina quer cursar Direito. - (Assis Fernandes / O DIA) Assis Fernandes / O DIA
Ana Carolina quer cursar Direito.

Maria Paula Lopes de Oliveira (16) também já definiu seu objetivo profissional: quer seguir carreira na Odontologia. Segundo ela, a profissão pode ajudar muitas pessoas a recuperarem autoestima e confiança, afinal, o cuidado vai além da saúde bucal.

“É uma área que pode ajudar muitas pessoas, especialmente aquelas que têm dificuldade de aceitar sua própria aparência ou identidade. No consultório, somos como um psicólogo, e muitas mulheres que sofreram violência doméstica ou têm deformações no rosto precisam desse cuidado e desse acolhimento”, comenta.

Maria Paula sonha em cursar Odontologia. - (Assis Fernandes / O DIA) Assis Fernandes / O DIA
Maria Paula sonha em cursar Odontologia.

Sarah Cristina da Silva Costa (17) imagina seu futuro na Medicina, com especialização em psiquiatria. Seu desejo é trabalhar com saúde mental e acolher mulheres que enfrentam diferentes tipos de sofrimento. “Quero muito poder acolher mulheres, ajudá-las a ter confiança e não terem medo de buscar ajuda”, reforça.

Medicina é o objetivo profissional de Sarah. - (Assis Fernandes / O DIA) Assis Fernandes / O DIA
Medicina é o objetivo profissional de Sarah.

Já Kanandra Lima (17) sonha em se tornar advogada. Para ela, a profissão é uma forma de dar voz a quem precisa de justiça. “Quero dar voz às pessoas e ajudar as mulheres também. Nessa área, a gente busca justiça, especialmente para mulheres que sofrem agressão ou são vítimas de violência. Fazendo isso, eu terei a sensação de dever cumprido”, completa.

Kanandra, uma futura advogada. - (Assis Fernandes / O DIA) Assis Fernandes / O DIA
Kanandra, uma futura advogada.

Violência contra a mulher: consciência e mudança começam agora

Apesar dos avanços conquistados ao longo das últimas décadas, a violência e o preconceito contra as mulheres ainda fazem parte da realidade de muitas meninas e mulheres. Compreender a história dessas lutas é essencial para valorizar os direitos já conquistados e continuar avançando.

Hadassa Silva lembra que muitas das liberdades que as mulheres possuem hoje são fruto de lutas de gerações anteriores, por isso, é importante que as conquistas sejam reconhecidas e valorizadas.

“A mulher nunca foi tratada como ela merece, e isso é histórico. Todos os dias temos que lutar pelos nossos direitos ou pelo menos para mantê-los. Se podemos usar uma calça jeans hoje, é porque muitas mulheres no passado lutaram para ter esse direito, assim como o acesso à educação. “Podemos conseguir tudo que quisermos, não porque temos um ‘rostinho bonito’, mas porque estudamos e estamos correndo atrás dos nossos sonhos”, disse.

Para Ana Carolina, muitas dessas desigualdades podem ser percebidas dentro das próprias famílias, o que ajuda a formar uma consciência crítica desde cedo, e destaca que estereótipos ainda influenciam a forma como as mulheres são vistas.

Violência contra a mulher: consciência e mudança começam agora - (Assis Fernandes / O DIA) Assis Fernandes / O DIA
Violência contra a mulher: consciência e mudança começam agora

Acredito muito que devemos olhar para os erros do passado para não cometê-los futuramente. Somos vistas como ‘sexo frágil’ e ‘indefesas’, e isso cria um estereótipo de que estamos ali somente por estar, mas também podemos ser imponentes e ter nossa voz”, acrescenta.

Para Kanandra Lima, os casos de violência não têm aumento, mas, sim, ganhado visibilidade com a internet e as redes sociais. Sarah Cristina complementa destacando outro problema muito atual: a forma como o corpo feminino ainda é tratado pela sociedade. “Nosso corpo ainda é muito sexualizado. Quando não somos vistas para gerar outras vidas, somos vistas como um objeto, mas somos além disso”, ressalta.

Família: escolhas, prioridades e novos caminhos

Para muitas meninas, pensar no futuro também envolve refletir sobre família, casamento e filhos. No entanto, diferente de gerações anteriores, essas decisões já não aparecem como prioridade. Antes de qualquer coisa, elas querem estudar, conquistar independência e construir suas próprias trajetórias.

Para Hadassa Silva, o foco neste momento está na formação e na autonomia financeira. “Considerando a sociedade em que vivemos atualmente, casar e ter filhos não é uma prioridade para mim. Meu maior foco é estudar e conseguir minha independência financeira. Depois eu penso em outras coisas. Vemos milhares de histórias de mulheres que dependem de seus maridos, e eu me recuso a depender de homem”, disse.

Ana Carolina acredita que o casamento e a formação de uma família devem acontecer no tempo certo de cada pessoa. Para ela, a independência conquistada pelas mulheres por meio da educação representa um avanço importante.

“A sociedade muitas vezes coloca na nossa cabeça que precisamos nos casar, mas é importante ter certeza com quem estamos construindo uma vida. Sempre devemos priorizar os estudos. Antigamente, as mulheres dependiam financeiramente dos homens e isso as prendia em ciclos de violência”, lembra.

Maria Paula também afirma que, neste momento, a prioridade é investir no futuro profissional. Mesmo assim, ela reconhece a importância de um ambiente familiar saudável. “Minha prioridade é estudar e me estabilizar financeiramente. Depois penso se realmente quero constituir uma família. Se isso acontecer, quero criar uma base familiar agradável, para que meus filhos sejam bem educados.”

Sarah Cristina compartilha de uma visão semelhante. “Busco minha carreira e minha estabilidade financeira. Entendo que posso ter uma família com a pessoa que eu escolher, mas ter filhos nunca foi uma prioridade para mim”, comenta.

Já Kanandra Lima vê a possibilidade de constituir uma família no futuro, mas também destaca a importância dos valores transmitidos dentro de casa. “Estudo e minha vida profissional são prioridade, mas penso em ter filhos e formar uma família baseada em respeito”, conclui.

Ser mulher é motivo de orgulho

Ser mulher ainda significa enfrentar desafios diários, desde julgamentos sociais até desigualdades que persistem ao longo do tempo. Ainda assim, para muitas jovens, ser mulher também é motivo de orgulho, força e inspiração. Ao refletirem sobre o presente e o futuro, as jovens destacam as dificuldades, referências femininas e o que desejam para as próximas gerações.

“Considerando a sociedade machista em que vivemos atualmente, ser mulher é difícil, pois sempre seremos julgadas e diminuídas. Sempre haverá julgamentos para invalidar ou taxar, mas temos capacidade para conseguir o que queremos. Me inspiro muito na minha mãe, pois ela se dedica e vai atrás do que quer e me dá exemplos diariamente”, disse Hadassa Silva, destacando.

Ana Carolina acredita que, apesar das dificuldades, ser mulher também é algo especial. Ela reconhece que o machismo ainda existe, mas destaca avanços importantes. “Ser mulher é maravilhoso, apesar dos desafios. Nós nos cuidamos, sentimos prazer nas coisas básicas, como cuidar de nós mesmas, fazer o cabelo, as unhas e escolher uma roupa. Vejo que as mulheres estão conquistando espaços e isso é muito positivo”, ressalta, destacando que, entre suas inspirações, estão sua mãe e a judoca piauiense Sarah Menezes.

Para ela, o futuro precisa ser marcado por mais união e empatia entre mulheres. “Estamos em uma sociedade onde somos o tempo inteiro julgadas, então por que nós mesmas vamos nos julgar ao invés de nos apoiarmos?”, questiona a jovem

Maria Paula também reconhece os desafios, mas afirma que ser mulher é gratificante, e que sua mãe é seu maior exemplo e inspiração. “Minha mãe cresceu em um ambiente de agressão e machismo, mas conseguiu se erguer e me educou de uma forma linda. Então, mesmo diante das incertezas e das falas negativas, que as mulheres não desistam do que tanto almejam”, reforça.

Família: escolhas, prioridades e novos caminhos - (Assis Fernandes / O DIA) Assis Fernandes / O DIA
Família: escolhas, prioridades e novos caminhos

Segundo Sarah Cristina, mesmo com as diversas conquistas ao longo dos anos, ainda há muitos desafios a serem superados, especialmente no modo como as mulheres são tratadas. “É triste dizer isso, mas, mesmo daqui a 10 anos, ainda seremos inferiorizadas por uma parcela da sociedade. Muitos homens ainda vão achar que somos submissas a eles e que somos um objeto decorativo. Espero que, daqui a 10 anos, mude isso de sermos silenciadas. Acredito que essa nova geração de mulheres não vai se calar e não daremos palco para tirarem nossos direitos. Que sejamos a geração que vai fazer e viabilizar mais isso”, enfatiza.

“Tenho como inspiração a minha mãe. Ela é uma mulher muito batalhadora, sempre buscou o que queria e nunca nos deixou faltar nada. Nunca deixou de ser mulher, de ter o papel dela dentro de casa. Quero ser pelo menos 1% do que ela é”, acrescenta Sarah.

Kanandra Lima também compartilha do mesmo sentimento e esperança. “A sociedade ainda tem muito machismo enraizado, mas espero que daqui a 10 anos isso diminua com a nova geração.” Sua maior inspiração é a avó, que faleceu recentemente. “Ela cresceu enfrentando racismo e machismo, mas nunca deixou isso abalá-la”, conclui a jovem.


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