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Fósseis de 280 milhões de anos são identificados por pesquisadores da UFPI; saiba mais

Os fósseis foram encontrados em 2018, um deles é um osso maxilar, achado em Nazária (PI), e outro é uma vértebra, descoberta em Palmeirais (PI).

02/03/2026 às 09h33

Um estudo coordenado pelo professor da Universidade Federal do Piauí (UFPI), Juan Carlos Cisneros, identificou os primeiros fósseis de pelicossauros do Brasil. As amostras foram encontradas no interior do Piauí e a descoberta foi divulgada por meio de artigo publicado na revista científica Journal of Vertebrate Palaeontology.

Fósseis de 280 milhões de anos são identificados por pesquisadores da UFPI; saiba mais - (Juan Carlos Cisneros/ Arquivo) Juan Carlos Cisneros/ Arquivo
Fósseis de 280 milhões de anos são identificados por pesquisadores da UFPI; saiba mais

A pesquisa destaca a importância dos pelicossauros para a compreensão dos ecossistemas antigos e aponta uma descoberta inédita no país. Esses animais estão entre os primeiros grandes carnívoros e herbívoros terrestres, contribuindo para a evolução dos ambientes que deram origem aos mamíferos.

"Os pelicossauros eram componentes importantes dos ecossistemas pretéritos. Eles foram os primeiros vertebrados herbívoros e carnívoros de grande porte nos ambientes terrestres, o que pavimentou o caminho para os nossos modernos ecossistemas, onde hoje predominam mamíferos com essas características. Até hoje, os pelicossauros tinham sido apenas descobertos na América do Norte e na Europa", explicou o professor e paleontólogo Juan Carlos Cisneros.

A descoberta ocorreu a partir de dois fósseis encontrados em 2018. O primeiro foi um osso maxilar localizado no município de Nazária, enquanto o segundo corresponde a uma vértebra identificada em Palmeirais. Segundo a pesquisa, os registros datam de aproximadamente 280 milhões de anos atrás. Os pelicossauros viveram no Período Permiano da Era Paleozoica e foram contemporâneos com a Floresta Fóssil do Rio Poti em Teresina.

Na esquerda, o fóssil de maxilar e, na direita, o fóssil de vértebra - (Reprodução) Reprodução
Na esquerda, o fóssil de maxilar e, na direita, o fóssil de vértebra

"A pandemia atrasou um pouco, mas também é que temos muitos fósseis sendo estudados. Os estudos são complexos, sempre demoram meses ou anos. É necessário viajar, visitar outros museus para comparar com os fósseis encontrados em outras partes do mundo", complementou o professor.

Segundo o professor Juan Carlos Cisneros, o registro é inédito para o Gonduana, antigo supercontinente formado pelos continentes do Hemisfério Sul.

"O novo registro destes animais no Piauí representa uma descoberta inédita para o Gonduana. Estes novos fósseis ajudam a pintar um panorama mais completo de como era a vida na floresta que hoje se encontra petrificada, cujos registros encontramos nas margens do Rio Poty", acrescentou.

A equipe coordenada pelo professor Juan Carlos Cisneros era composta pelos pesquisadores Kenneth D. Angielczyk, Jörg Fröbisch, Christian F. Kammerer, Roger M. H. Smith, Claudia A. Marsicano, Jason D. Pardo e Martha Richter. A pesquisa contou com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Prefeitura de Nazária.


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Com edição de Nathalia Amaral.