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Com produção de 6,82 milhões de toneladas, Piauí terá a maior safra de grãos da história em 2026

Este ano, mais de 92% de toda a produção de grãos do Estado é de soja e milho; o montante total é mais de cinco vezes superior ao de 2016.

17/08/2026 às 12h34

Com uma produção de 6,82 milhões de toneladas até o momento, o Piauí terá em 2026 a maior safra de grãos (cereais, leguminosas e oleaginosas) da história. O resultado é 20% superior ao registrado no ano anterior, que foi de 5,67 milhões de toneladas. Os dados preliminares fazem parte do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e podem registrar alterações para mais, por conta de uma pequena área que ainda está em fase de colheita.

Segundo levantamento, a maior safra de grãos registrada no Piauí, até o momento, tinha ocorrido em 2023, quando foram colhidas 6,44 milhões de toneladas, seguindo-se dois anos consecutivos de redução da produção.

Em 2026, no entanto, a safra voltou a crescer de um modo tão expressivo que alcançou recorde no total produzido. Com esse resultado, a safra de grãos deste ano foi mais de cinco vezes superior à de 2016, quando a produção chegou a 1,33 milhão de toneladas, em razão de quebra de safra por motivos climáticos.

Com produção de 6,82 milhões de toneladas, Piauí terá a maior safra de grãos da história em 2026 - (Agência Brasil) Agência Brasil
Com produção de 6,82 milhões de toneladas, Piauí terá a maior safra de grãos da história em 2026

A safra deste ano foi colhida em 1,85 milhão de hectares, uma área 8,3% superior à que foi colhida no ano passado. Dessa área total, 83,7% foram utilizadas apenas para as culturas de soja e milho. A área de terras plantadas com grãos no Piauí está próxima da área total do estado de Sergipe, o menor da Federação, que possui 2,2 milhões de hectares.

De acordo com o Chefe da Seção de Pesquisas Agropecuárias (SPA), da Superintendência Estadual do IBGE no Piauí, Pedro Andrade, a safra de grãos de 2026 foi beneficiada por um período de regularidade das condições climáticas.

“Também verificamos um aumento expressivo da produtividade das culturas, que permitiram alcançar melhores resultados na colheita, sem ampliação considerável da área plantada”, destacou.

Ainda de acordo com o levantamento do IBGE, mais de 92% de toda a produção de grãos do Piauí, em 2026, equivale a apenas duas culturas: soja e milho, que são cultivadas, principalmente, por grandes empreendimentos do agronegócio, que se concentram na região do bioma cerrado, no Sul do estado.

A produção de soja deste ano alcançou 4,19 milhões de toneladas - (Reprodução) Reprodução
A produção de soja deste ano alcançou 4,19 milhões de toneladas

A produção de soja deste ano alcançou 4,19 milhões de toneladas, enquanto a de milho foi de 2,1 milhões de toneladas. Os demais grãos pesquisados produziram um montante mais modesto: algodão herbáceo (140,8 mil t), arroz (89,1 mil t), Fava (592 t), Feijão (48,7 mil t) e Sorgo (243,8 mil t).

Houve aumento de produção em todas as culturas acompanhadas pelo LSPA em 2026, quando comparadas ao ano anterior, com exceção do sorgo em grãos, que registrou uma leve redução de 3%. As maiores variações na produção, no período, ocorreram nas culturas de fava, que aumentou 40,95% e arroz, com variação positiva de 40,89%. O aumento na produção de soja foi de 17% e no de milho foi de 28% entre 2025 e 2026.

Produção de grãos será recorde, mesmo com redução na área plantada

O recorde na produção de grãos em 2026 não precisou ser acompanhado de recorde na área colhida, visto que em 2023 e 2024 a colheita ocorreu em uma área de tamanho superior à deste ano, respectivamente 1,89 e 1,86 milhão de hectares, com resultados menos expressivos. Em 2026 a área colhida será de 1,83 milhão de hectares.

Mesmo com uma área de colheita menor em relação a 2023 e 2024, a produção deste ano foi maior, em decorrência do aumento da produtividade, ou seja, houve uma quantidade maior de toneladas colhidas por hectare.

Nos últimos dez anos a produção de grãos aumentou mais de 500%, enquanto a área de colheita cresceu em ritmo bem menor, 46% no período. “Esse resultado mostra que não há a necessidade de desmatamento para que ocorra o crescimento da produção agrícola, bastam os investimentos corretos em tecnologia e manejo adequado para que isso se reflita no aumento da produtividade, o que é uma boa notícia para quem se preocupa com a questão ambiental”, declarou Pedro Andrade.