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Oposição terá a menor bancada dos últimos 20 anos na Alepi

Levantamento da Assembleia mostra que só o PP elegeu oposicionistas, enquanto a base governista terá 27 das 30 cadeiras

05/10/2026 às 15h25

O Piauí terá, na próxima legislatura estadual, o menor número de deputados de oposição dos últimos 20 anos. É o que mostra levantamento da própria Assembleia Legislativa (Alepi). No último domingo (4), apenas três oposicionistas foram eleitos, todos do Progressistas (PP), partido de Joel Rodrigues, derrotado por Rafael Fonteles (PT) na disputa pelo governo, com 70,90% dos votos.

Apenas três parlamentares foram eleitos na chapa que foi contrária ao governador. - (Arquivo/O DIA) Arquivo/O DIA
Apenas três parlamentares foram eleitos na chapa que foi contrária ao governador.

Junior Percy, Zé Fernando e Gustavo Neiva, todos do PP, dividirão o plenário com 27 deputados da base governista. Entre as últimas legislaturas, o melhor desempenho da oposição foi em 2010, quando elegeu 14 parlamentares que não apoiavam o governador eleito. Naquele ano, a eleição teve três chapas competitivas, e a base de Wilson Martins ficou com 16 nomes.

Em 2014, quando Zé Filho foi derrotado por Wellington Dias, o número de oposicionistas caiu para dez. Nas legislaturas seguintes, passou a seis em 2018 e subiu para sete em 2022, mas Bárbara do Firmino, Thales Coelho, Marden Menezes e Gracinha do Mão Santa migraram para a base governista ao longo do mandato.

Para a cientista política da Alepi, Laís Araújo, os números revelam uma grande derrota do Progressistas e um enfraquecimento contínuo da oposição no estado, refletido na composição partidária da Assembleia.

“Esse espaço [do PP] foi absorvido pelo PSD, que não possuía assentos em 2022, atraiu 3 deputados na janela partidária de 2026 e elegeu 5 parlamentares no pleito mais recente”, descreve a cientista política.

Redução de partidos na Alepi

O PSD, que já integrava a base governista, passa a figurar entre as maiores forças da Casa, ao lado da Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, e do MDB. A federação subiu de 12 para 14 deputados, enquanto o MDB caiu de 9 para 8. O PSD compõe a base com 5 parlamentares.

Segundo a cientista política, desde a janela partidária de março deste ano há um afunilamento no quadro de legendas, com Solidariedade e Republicanos deixando de ter bancada. De acordo com Laís Araújo, a composição partidária impacta não apenas a relação entre Legislativo e Executivo, mas também os debates nas comissões técnicas. Pelo Regimento, a formação desses colegiados e a presidência deles devem acompanhar, de forma proporcional, o resultado eleitoral.