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Caso Master: contrato de R$ 427 milhões com a “Turma do KN” previa destravar R$ 8,5 bi em precatórios

Documentos indicam honorários de 5% líquidos em 12 processos, pagos em até cinco dias após o êxito, com potencial de destravar R$ 8,5 bilhões em precatórios

21/09/2026 às 18h05

21/09/2026 às 18h05

Mensagens do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, obtidas pela Polícia Federal e enviadas ao Supremo Tribunal Federal (STF), revelam um contrato de R$ 427 milhões em honorários de êxito com o escritório da “Turma do KN”. O acordo, de interesse do banqueiro, poderia destravar R$ 8,5 bilhões em precatórios. Segundo o site Metrópoles, que divulgou os documentos nesta segunda-feira (21), as mensagens indicam que “KN” é uma menção ao ministro Kassio Nunes Marques.

"KN" seria a alcunha de Kássio Nunes Marques, ministro do STF.  - (Antonio Augusto/Secom/TSE) Antonio Augusto/Secom/TSE
"KN" seria a alcunha de Kássio Nunes Marques, ministro do STF.

O material estava em um HD enviado pela PF em julho ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso Master. Na semana passada, os ministros Cristiano Zanin, Flávio Dino e Gilmar Mendes chegaram a exigir acesso ao arquivo na íntegra, em meio a suspeitas de que André Mendonça estaria direcionando as investigações com foco em Alexandre de Moraes.

Contrato previa honorários de 5% em 12 processos

As mensagens chamam de “Turma do KN” o desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), e a esposa dele, a advogada Camilla Ramos. O acordo previa a contratação do escritório Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos Advocacia, pertencente a ela. O documento estabelece honorários de 5% líquidos sobre os valores recebidos pelo Banco Master em 12 processos, em caso de êxito.

Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, - (Esfera Brasil/Divulgação) Esfera Brasil/Divulgação
Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master,

Os processos tratam de ações de indenização ligadas ao controle de preços adotado pelo antigo Instituto do Açúcar e do Álcool, nas quais o Banco Master aparece como credor ou cessionário dos créditos. Os honorários deveriam ser pagos em até cinco dias após a obtenção dos valores. O contrato também autorizava o escritório a receber sua parcela diretamente da União e a inscrever os precatórios em seu próprio nome. Segundo os documentos, os processos abrangiam todas as etapas das ações, inclusive recursos e incidentes nos tribunais.

Comemoração de voto e pedidos ao banqueiro

As mensagens obtidas pela colunista do Metrópoles Andreza Matais indicam que "KN" é uma menção ao ministro do STF Kassio Nunes Marques. Em um dos prints, Camilla Ramos, dona do escritório, comemora o voto de Nunes Marques em julgamento sobre os precatórios de usinas de cana-de-açúcar, escrevendo que se tratava de "um excelente voto do Min. Nunes Marques fazendo aa distinção dos casos em que o título judicial trouxe os critérios da indenização".

Os documentos também mostram o desembargador Newton Ramos repassando a Vorcaro pedidos atribuídos ao ministro piauiense, entre eles uma diária no Fasano Itaim. Na conversa, uma assessora pergunta se seria possível conseguir uma tarifa promocional para o ministro, e o dono do Banco Master responde que a despesa seja colocada na conta dele. Outras mensagens tratam de reservas para camarote e de gastos ligados a Newton Ramos e à esposa. Vorcaro autorizou uma noite no Fasano Itaim, faturada para a Prime, empresa ligada ao então banqueiro.

O que diz o ministro Kassio Nunes Marques

Ao Metrópoles, o ministro declarou que nunca votou a favor de Daniel Vorcaro ou do Banco Master, que nunca trocou mensagens com o banqueiro e que nunca pediu nada a ele. Afirmou ainda que nunca autorizou ninguém a falar em seu nome e considerou irresponsável qualquer tentativa de relacioná-lo, na atuação como ministro, a serviços prestados por seu filho ou por terceiros.

Em nota, o desembargador Newton Ramos afirmou ter relação pessoal prévia com Vorcaro, esclareceu que as consultas sobre transporte e imóveis eram privadas com a esposa e ressaltou que nunca julgou causas de interesse do Banco Master

Com informações do Metropoles.