A justiça piauiense arquivou o processo penal movido contra o empresário Antônio Edeiane Soares Batista, que havia sido preso numa operação do Denarc em outubro de 2024 em Altos, por suspeita de envolvimento com o tráfico. Na época, a polícia havia dito que o empresário, que atuava no ramo de veículos, emprestaria seu CPNJ para lavar dinheiro oriundo do comércio de drogas.
Mas Antônio Edeiane alegou que não tinha qualquer envolvimento com o crime e que a polícia estava cometendo um engano. No dia seguinte, ele foi solto e a ação penal não chegou a ser julgada por conta da falta de provas. Não foram encontradas provas de que ele tinha envolvimento com a organização criminosa e a própria polícia mandou retirar seu nome dos autos.
O inquérito policial se baseou em análises de um celular apreendido em poder uma das investigadas na operação. Instado a se manifestar, o Ministério Público havia representado pelo arquivamento da ação penal por ausência de causa para prosseguimento do processo. De acordo com o MPPI, “no celular foram extraídos indícios de tratativas potencialmente relacionadas a atividades ilícitas, mas não há nos autos prova suficiente que permita afirmar que os investigados efetivamente participaram das condutas delituosas narradas”.
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Além de Antônio Edeiane, outras 25 pessoas foram alvos da polícia suspeitas de organização e lavagem de dinheiro. O processo tramitava na justiça desde o final de 2024, mas, em decisão proferida no último dia 09 de março, o juiz Valdemir Ferreira Santos, da Central de Inquéritos, determinou o arquivamento da ação.
No entendimento do magistrado, não há elementos suficientes para propor a denúncia e a instauração da ação penal. O juiz lembrou que, conforme o Código de Processo Penal, não há como deflagrar uma ação que não há sequer indícios probatórios de autoria criminosa. “Esgotadas as diligências investigatórias e não obtidos os elementos informativos-probatórios, mínimos exigidos para fundamentar o início da ação, assiste razão para deixar de oferecer denúncia e promover o arquivamento”, diz a decisão.
Polícia mandou corrigir nome do empresário no dia seguinte à prisão
No dia seguinte à prisão, Antônio Edeiane foi liberado após a própria polícia constatar que sua prisão havia sido um equívoco. Em documento enviado à justiça, o Denarc pede que o nome do empresário seja retirado dos autos e substituído pelo de Diego Stevenson Gomes dos Santos, verdadeiro alvo investigado da ação.
Mas mesmo depois da retificação, Antônio conta que foi difícil retomar a vida, uma vez que seu nome havia sido vinculado ao de uma organização criminosa. Em entrevista a o Dia, ele conta que teve que fechar a loja de veículos e parar de trabalhar por causa da falta de clientes.
“Foi muito sofrimento, muito doído. A própria autoridade policial viu que se tratava de outra pessoa e não eu. Mas o caso teve repercussão e meus parceiros comerciais foram todos embora. Eu tive minha loja fechada e tive que esperar quase dois anos para conseguir provar minha inocência”, disse Antônio Edeiane.
Ele finaliza afirmando que confia na justiça e que pretende mover uma ação contra o Estado pelos danos morais sofridos. “Dizerem que eu era o chefe da organização era uma coisa muito pesada, é algo muito sério e grave para, no final, ser concluído que não era eu. O Estado já foi acionado. Quero que quem cometeu o erro seja punido. Estou aqui atrás do meu direito”, finaliza.
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