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Homem é alvo de operação após usar dados de pessoa morta para registrar B.O. falso no Piauí

A fraude foi identificada pela Polícia Civil, que passou a investigar o caso

10/09/2026 às 17h45

Um homem de 37 anos é investigado pela Polícia Civil após registrar um falso boletim de ocorrência utilizando os dados de uma pessoa já falecida, em Demerval Lobão, no Piauí. O suspeito também informou, por meio do sistema B.O. Fácil, que um veículo havia sido roubado, mas a polícia descobriu que a ocorrência era falsa.

Homem é alvo de operação após usar dados de pessoa morta para registrar B.O. falso no Piauí - (Arquivo/O Dia) Arquivo/O Dia
Homem é alvo de operação após usar dados de pessoa morta para registrar B.O. falso no Piauí

De acordo com a investigação, o homem utilizou os dados de uma terceira pessoa para fazer o registro e não informou os próprios dados. A fraude foi identificada pela Polícia Civil, que passou a investigar o caso.

O delegado Humberto Mácola, da Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), informou que uma operação foi realizada na residência do investigado. "A DRCC cumpriu mandado de busca e apreensão na residência desse nacional que está sendo investigado. Outras pessoas também estão sendo investigadas porque colocaram, inseriram dados falsos no momento em que registraram o B.O. Fácil", informou.

Segundo o delegado, uma das situações investigadas envolve pessoas que vendem veículos, mas deixam de comunicar oficialmente a transferência. Em alguns casos, quando o comprador deixa de pagar as parcelas, o antigo proprietário registra falsamente o veículo como roubado.

"As pessoas às vezes passam o veículo, vendem o veículo, não informam ao órgão oficial essa venda. A outra pessoa, o comprador, fica no compromisso de pagar parcelas, não paga, e a pessoa que vendeu acha que pode inserir um dado falso dizendo que o veículo foi roubado. Na verdade, não houve roubo nenhum", complementou.

Com o registro falso, o veículo pode acabar sendo apreendido durante uma abordagem policial, mesmo estando em posse de uma pessoa que afirma ter adquirido o bem de boa-fé. "Aí, o que acontece? O comprador é surpreendido com a apreensão desse veículo pela PRF, pela Polícia Civil e alguma blitz", disse.

Outros casos são investigados

A Polícia Civil afirma que a inserção de informações falsas no sistema B.O. Fácil não é um caso isolado. Segundo Humberto Mácola, outros registros com suspeitas de fraude já foram identificados e novos investigados estão sendo apurados.

"Isso acontece já em algumas outras ocasiões. Inclusive, a DRFV já identificou essa prática e a Polícia Civil está investigando. Outras pessoas estão sendo investigadas por inserir esses dados falsos, mas o sistema é seguro, o sistema é eficaz e ele está sendo muito utilizado pela população teresinense e piauiense", afirmou.

O sistema B.O. Fácil permite que a população registre ocorrências sem precisar comparecer presencialmente a uma delegacia. As informações inseridas são analisadas pelos órgãos de segurança e, em caso de suspeita de fraude, a polícia pode identificar o responsável.

Ainda conforme o delegado, registrar uma ocorrência falsa pode gerar responsabilização criminal. "Registrar um boletim de ocorrência falso é crime, pode caracterizar a denunciação caluniosa, a informação falsa de crime ou até a falsidade ideológica e pode levar à cadeia", destacou.

No caso investigado em Demerval Lobão, a Polícia Civil aponta que houve intenção de utilizar os dados de uma terceira pessoa, já falecida, para formalizar o registro falso. A investigação também busca esclarecer a negociação envolvendo o veículo e a motivação para a comunicação falsa de roubo.