Com a proximidade do Carnaval e a confirmação de um novo surto do vírus Nipah na Índia, aumentou nas redes sociais a preocupação sobre a possibilidade de uma nova crise sanitária global. O temor se intensifica diante da alta taxa de letalidade associada à doença e do histórico recente de pandemias, como a covid-19, que levantam questionamentos sobre um eventual risco para o Brasil em meio às grandes aglomerações.
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Especialistas e autoridades de saúde, no entanto, afirmam que o cenário atual não indica risco para o Brasil nem sinais de disseminação internacional da doença. De acordo com o Ministério da Saúde, o país mantém monitoramento contínuo para agentes infecciosos de alto risco, e não há evidências de circulação do vírus fora das regiões afetadas na Ásia. Além disso, a ausência no Brasil dos principais hospedeiros naturais do vírus reduz significativamente a probabilidade de transmissão local.
Autoridades sanitárias indianas confirmaram casos recentes do vírus Nipah na região de Bengala Ocidental. Ao avaliar o cenário epidemiológico, a Organização Mundial da Saúde (OMS) destacou que o surto está restrito a uma área específica. A entidade também informou que não há registro de disseminação internacional nem evidência de transmissão fora do contexto local.
Surto de Nipah e risco para o Brasil
O vírus Nipah tem como principal reservatório morcegos frugívoros do gênero Pteropus, conhecidos como raposas-voadoras. Essas espécies estão concentradas sobretudo na Ásia e em partes da África, o que reduz a possibilidade de circulação do vírus em território brasileiro.
Autoridades sanitárias brasileiras acompanham a situação internacional e mantêm protocolos permanentes de vigilância epidemiológica. Segundo o Ministério da Saúde, o risco de uma pandemia causada pelo vírus continua sendo considerado baixo. Essa é a mesma avaliação da OMS, que considera o surto recente registrado na Índia praticamente encerrado. Não há, portanto, nenhuma evidência de disseminação internacional ou risco para a população brasileira.
De acordo com a OMS, foram confirmados na Índia apenas dois casos, ambos entre trabalhadores de saúde, que tiveram contato com 198 pessoas já identificadas e testadas, todas com resultado negativo. A pasta também informou que o último dos dois casos confirmados na Índia foi diagnosticado em 13 de janeiro.
Em informe técnico recente, a OMS classificou o risco como baixo e reforçou que não há registro de casos fora dessa região nem em outros países citados equivocadamente em conteúdos desinformativos. Além disso, o vírus está associado a espécies específicas de morcegos que não existem no Brasil, o que afasta qualquer indicação de risco para a população brasileira no momento.
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O que é o vírus Nipah, sintomas e como ocorre a transmissão
Identificado pela primeira vez em 1999, durante um surto entre criadores de suínos na Malásia, o vírus Nipah é classificado como zoonótico, ou seja, pode ser transmitido de animais para humanos. A infecção também pode ocorrer pelo consumo de alimentos contaminados ou pelo contato direto entre pessoas.
Em análises epidemiológicas, a OMS ressalta que a transmissão pode ocorrer por secreções de animais infectados, alimentos contaminados ou contato próximo entre pessoas.
Segundo a OMS, a infecção pode variar de quadros assintomáticos a manifestações graves. Os sintomas iniciais mais comuns incluem:
- Febre
- Dor de cabeça
- Dores musculares
- Vômitos
- Dor de garganta
Em alguns casos, a evolução clínica inclui sintomas neurológicos e respiratórios mais intensos, como sonolência, confusão mental, dificuldades respiratórias e sinais de encefalite, condição que pode levar ao coma em situações graves.
O período de incubação costuma variar entre quatro e 14 dias, embora haja registros mais longos. A taxa de letalidade pode variar entre 40% e 75%, dependendo do acesso ao diagnóstico, vigilância epidemiológica e suporte clínico.
Tratamento, prevenção e diagnóstico do vírus Nipah
Atualmente não existe vacina nem tratamento antiviral específico para o vírus Nipah. O manejo clínico se baseia principalmente em cuidados de suporte para sintomas respiratórios e neurológicos.
A Organização Mundial da Saúde orienta medidas preventivas focadas na redução do contato com animais potencialmente infectados e alimentos contaminados. Também sugere a higienização regular das mãos, cuidado ao manusear animais, atenção ao manusear frutas e a diminuição do contato entre morcegos e humanos.
Com informações da Agência Brasil e Ministério da Saúde.
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