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Piauí está entre estados com maior sub-registro de nascimentos e óbitos no país

Pesquisa do IBGE aponta dificuldades de acesso a cartórios e desigualdades regionais como fatores para altas taxas registradas no estado em 2024.

20/05/2026 às 14h00

O Piauí aparece entre os estados brasileiros com maiores índices de sub-registro de nascimentos e óbitos em 2024, segundo levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com base em dados do Registro Civil e do Ministério da Saúde. O estado teve taxa de 3,98% de sub-registro de nascidos vivos, a quarta maior do país, além de 16,15% de sub-registro de óbitos, ficando atrás apenas do Maranhão e do Amapá.

Os dados fazem parte das Estimativas de Sub-Registro de Nascimentos e Óbitos, estudo que cruza informações dos cartórios com os sistemas oficiais de saúde, como o Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc) e o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM).

Piauí está entre estados com maior sub-registro de nascimentos e óbitos no país - (Reprodução/Freepik) Reprodução/Freepik
Piauí está entre estados com maior sub-registro de nascimentos e óbitos no país

O sub-registro ocorre quando um nascimento ou óbito acontece, mas não é oficialmente registrado em cartório dentro do período considerado pelas estatísticas públicas. Já a subnotificação acontece quando o evento até é registrado civilmente, mas não aparece nos sistemas de informação da saúde.

A pesquisa do IBGE cruza dados dos cartórios com os registros do Ministério da Saúde para identificar quantos nascimentos e mortes ficaram fora das bases oficiais, permitindo medir falhas na cobertura dos sistemas e desigualdades no acesso à documentação civil.

O levantamento mostra que as maiores taxas de sub-registro se concentram nas regiões Norte e Nordeste. Segundo os analistas da pesquisa, fatores como dificuldade de acesso aos cartórios, infraestrutura precária, população rural e desigualdades socioeconômicas ajudam a explicar o cenário.

“Uma possível razão dessas taxas mais elevadas na região Norte é a dificuldade de acesso aos cartórios, quando se tem que percorrer grandes distâncias”, afirmou o pesquisador Jailson Assis. Ele destacou que, em algumas regiões do país, o deslocamento até os serviços de registro depende de barcos e longos trajetos.

No Piauí, os dados chamam atenção também em nível municipal. Boqueirão do Piauí registrou a maior taxa de sub-registro de nascidos vivos do estado e a 6ª maior do Brasil, com índice de 39,2%. Lagoa do Barro do Piauí aparece logo em seguida, com taxa de 38,49%, a 7ª maior do país.

Teresina também aparece no levantamento, registrando uma taxa de sub-registro de nascidos vivos de 5,34%, acima da média nacional observada nos estados do Sul e Sudeste.

Piauí está entre estados com maior sub-registro de nascimentos e óbitos no país - (Reprodução/IBGE) Reprodução/IBGE
Piauí está entre estados com maior sub-registro de nascimentos e óbitos no país

Entre os estados brasileiros, apenas Roraima, Amapá e Amazonas tiveram índices maiores que o Piauí no sub-registro de nascimentos. Já no caso dos óbitos, o estado ficou entre os três piores resultados do país, atrás apenas do Maranhão, com 24,48%, e do Amapá, com 17,47%.

A pesquisa também aponta que o Piauí lidera o ranking nacional de subnotificação de óbitos no Sistema de Informações sobre Mortalidade, com taxa de 7,14%. O indicador mede casos registrados em cartório, mas que não aparecem no sistema oficial de saúde.

Os pesquisadores observaram melhora gradual nos registros hospitalares ao longo dos últimos anos. Em todo o país, o percentual de nascimentos ocorridos em hospitais e não registrados caiu de 3,94% em 2015 para 0,83% em 2024.

O estudo também identificou maior vulnerabilidade entre mães adolescentes. Nacionalmente, filhos de mães com menos de 15 anos apresentaram taxa de sub-registro de 6,10%, acima das demais faixas etárias. De acordo com os pesquisadores, a falta de rede de apoio e dificuldades de acesso à documentação contribuem para o problema.

Entre os óbitos, as maiores taxas de sub-registro foram observadas em crianças menores de um ano e na faixa de um a quatro anos. O IBGE aponta que mortes ocorridas em domicílio, especialmente em áreas remotas e vulneráveis, ainda representam um desafio para os sistemas de registro civil e de saúde.


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Com edição de Ithyara Borges