Uma via praticamente intransitável, moradores isolados e muita lama. Essa é a realidade de quem precisa se deslocar diariamente pela Rua Francisco Nunes da Rocha, no bairro Santa Maria da Copidi, zona Norte de Teresina. Devido ao tráfego de veículos e a correnteza das águas da chuva e do esgoto, o calçamento do local causou imensos buracos, dificultando a passagens e colocando em risco a saúde dos moradores. Outro problema do local é que, o calçamento de pedras só vai até metade da via. Em diante, o outro trecho é de barro que, com a chuva, transforma-se em lama.
“Passar aqui é muito ruim, mas esse é o único caminho que temos. Quando chove, fica ainda mais difícil. Quando chove, nossos filhos não conseguem ir para a escola, porque a correnteza fica muito forte”, explica o vigilante Patrício Alves Oliveira (44), que mora no local há mais de 15 anos e convive diariamente com o problema.
O esgoto corre à céu aberto pela via. Segundo os moradores, o esgoto dos condomínios próximos são despejados na Rua Francisco Nunes da Rocha. Como o bueiro é estreito e não comporta o volume, acaba transbordando. “Essa tubulação de esgoto é dos condomínios, só que ela não aguenta a quantidade de água e estoura. A rua fica cheia de lama, de urina e outras coisas. As crianças vivem doentes”, disse.
A gente fica isolado, não entra ambulância, não entra carro de aplicativo, devido aos buracos e a essa água escorrendo. Para uma mãe pegar um carro de aplicativo ou uma ambulância, a gente tem que vir deixar na avenida, porque os carros não entram. Muita gente mora aqui, mas está todo mundo isolado”
O pedreiro Francisco de Sousa (48) mora na região há mais de 25 anos e relata o descaso do poder público com a comunidade. “Já reclamamos várias vezes na Prefeitura. Eles dizem que vão ajeitar, mas nunca vem. Parece que estamos esquecidos e fora do mapa. A gente está igual a quem está enterrado neste cemitério, mortos. Ninguém olha para a gente. Eu moro aqui há mais de 25 anos, e sempre foi assim. Todo ano é só promessa, mas ninguém faz nada”, destaca.
Vera Lúcia reside na Rua Francisco Nunes da Rocha há cerca de 15 anos. Sua residência fica localizada no trecho que não possui calçamento. Toda a água e esgoto que escorrem pela via se acumulam em frente à sua casa. Ela é avó de um bebê com problemas cardíacos de apenas seis meses e, para levar o neto ao hospital, preciso fazer um verdadeiro malabarismo.
“Aqui é sempre assim, cheio de água. Seja em época de chuva ou não. Quando chove, fica pior, porque além da água da chuva, tem esgoto. Para entrar um carro aqui é muita dificuldade. Nenhum motorista quer aceitar corrida, porque a rua é ruim. Quando preciso levar meu neto ao médico, vou à pé até a avenida, na lama, e lá peço um carro de aplicativo”, disse.
Ela explica que todo o esgoto dos condomínios próximos seguem pela rua, mas, como as caixas são pequenas para aguentar o volume, acabam estourando, fazendo com que a água escorra pela via, acumulando, causando mau cheiro e trazendo problemas de saúde. “Aqui na frente da nossa cama sempre tem essa água acumulada, que vem das fossas. E isso prejudica muito a nossa saúde. As crianças vão para a escola e chegam todas sujas de lama e, às vezes, não tem como se lavar porque no colégio não tem água”, complementa.
A estudante Fernanda de Sousa (18) desabafou e disse que a população não aguenta mais o descaso. “A situação dessa rua está precária. A gente mal consegue sair de casa e, quando conseguimos, ficamos com os pés e a roupa toda suja de lama. Essa água de esgoto está nos adoecendo e ninguém faz nada”, concluiu a jovem.
Contraponto
A equipe de reportagem do PortalODIA.com entrou em contato com a Superintendência de Desenvolvimento Urbano Norte (SDU Norte) e com a Águas de Teresina, que enviaram notas sobre o caso. Confira abaixo o que disse cada órgão.
Nota - SDU Norte
A Superintendência de Desenvolvimento Urbano Norte (SDU Norte) informa que tem conhecimento da situação da Rua Francisco Nunes da Rocha, localizada no bairro Santa Maria da Codipi, especialmente quanto aos problemas de infraestrutura, o acúmulo de lama no período chuvoso e a questão do escoamento inadequado.
O órgão esclarece que, neste momento, não é possível realizar intervenções na via devido ao período chuvoso, uma vez que o volume e a força das águas na região comprometem a execução segura e eficaz de qualquer obra. Ressalta-se que a área é reconhecidamente alagadiça, o que exige planejamento técnico adequado para garantir soluções duradouras.
Reforça que, tão logo haja condições climáticas favoráveis, a situação será reavaliada para que sejam adotadas as medidas necessárias.
A SDU Norte segue à disposição da população e reafirma seu compromisso com a melhoria da infraestrutura urbana e da qualidade de vida dos moradores da zona Norte de Teresina
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Nota - Águas de Teresina
A Águas de Teresina informa que não há rede de coleta de esgoto implantada na rua mencionada. A concessionária esclarece, que sua atuação na região ocorre exclusivamente no condomínio Villa Europa, onde o sistema de esgotamento sanitário é operado com tratamento e destinação adequados, seguindo todos os padrões técnicos e ambientais.
A empresa destaca que a cidade vem avançando de forma contínua na ampliação do sistema. Desde o início da concessão, a cobertura de esgoto cresceu de maneira significativa, saindo de cerca de 19% para mais de 59%. A meta é seguir avançando para alcançar 90% de cobertura de esgotamento sanitário até 2033, ampliando o acesso ao serviço e contribuindo diretamente para a saúde pública e a preservação ambiental.
A Águas de Teresina reforça que permanece à disposição da população por meio dos canais de atendimento 24 horas: 0800 223 2000, com ligação gratuita e atendimento via WhatsApp.
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