Tomar café faz parte da rotina de milhões de pessoas, mas, em alguns casos, o caminho até a xícara envolve um processo incomum que chama atenção pelo método e pelo preço. No Dia Mundial do Café, celebrado nesta terça-feira (14), um dos exemplos mais peculiares desse tipo de produção é o Kopi Luwak, bebida valorizada no mercado internacional por ser feita a partir de grãos encontrados nas fezes de um pequeno mamífero asiático, a civeta.
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A produção está concentrada principalmente na Indonésia e nas Filipinas, onde o animal consome frutos maduros do café. Durante a digestão, apenas a polpa é absorvida, enquanto o grão permanece intacto.
Antes de chegar ao consumo, o café passa por etapas rigorosas. Os grãos são lavados, têm as camadas externas removidas e são secos ao sol. Em seguida, passam pela torra em altas temperaturas, etapa que elimina microrganismos e contribui para a definição do sabor.
O resultado é um produto de alto valor no mercado internacional. Em alguns países, uma xícara pode custar cerca de 50 libras esterlinas, enquanto o quilo pode ultrapassar R$ 14 mil. O Kopi Luwak é comercializado na Europa, no Japão e nos Estados Unidos, mantendo-se como referência entre cafés de produção diferenciada. Outro exemplo é o Black Ivory, produzido na Tailândia com processo semelhante envolvendo elefantes, também associado a preços elevados.
Como funciona a produção do Kopi Luwak
A produção começa nas plantações, onde a civeta seleciona os frutos mais maduros com base no olfato, priorizando aqueles em estágio ideal de consumo. Esse comportamento influencia diretamente a qualidade do grão, substituindo a seleção manual comum em outras produções.
Após a ingestão, a polpa do fruto é digerida, enquanto o grão permanece intacto no sistema digestivo por cerca de 24 horas. Nesse período, enzimas e sucos gástricos provocam alterações químicas que reduzem compostos associados ao amargor e modificam a acidez, impactando o perfil final da bebida.
Depois de excretados, os grãos são coletados por trabalhadores em áreas de floresta ou plantações. A coleta exige atenção, já que o material precisa ser separado e encaminhado para as etapas seguintes de processamento.
Na sequência, os grãos passam por lavagem intensa, remoção das camadas externas e secagem ao sol. Essas etapas são essenciais para eliminar resíduos e preparar o produto para a torra.
Por fim, a torra em altas temperaturas completa o processo. Além de desenvolver o sabor, essa fase reduz riscos microbiológicos e garante condições adequadas para o consumo
O café feito com fezes é seguro para consumo?
A segurança do Kopi Luwak depende das etapas realizadas após a coleta dos grãos. Depois de retirados das fezes, eles passam por processos rigorosos de limpeza, incluindo lavagem em água corrente e remoção de resíduos. A torra em altas temperaturas é considerada fundamental, pois elimina possíveis microrganismos e reduz riscos de contaminação, tornando o produto adequado para o consumo.
Especialistas apontam que o controle sanitário pode variar conforme o produtor, o que torna a procedência um fator relevante na comercialização. Em mercados internacionais, há exigências específicas relacionadas à segurança alimentar, que incluem padrões de qualidade e fiscalização.
Esses critérios são determinantes para a entrada do produto em outros países e para a confiança do consumidor final.
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