O engenheiro civil Carlos Eduardo Marques, de 25 anos, foi indiciado por homicídio doloso qualificado após atropelar e matar o mototaxista Edson Barbosa Dias, na Avenida Frei Serafim, em Teresina, no dia 15 de março. Segundo o inquérito policial, ele havia se envolvido em uma confusão em uma casa noturna minutos antes do acidente.
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O relatório final da investigação concluiu pelo indiciamento com base no artigo 121, § 2º, inciso IV, do Código Penal, que trata do homicídio qualificado por recurso que dificulta a defesa da vítima, combinado com o artigo 18, inciso I, referente ao dolo eventual.
De acordo com a Polícia Civil, a conduta do investigado ultrapassou a imprudência comum no trânsito. O indiciamento foi fundamentado em elementos como sinais de embriaguez, alta velocidade e avanço de sinal vermelho sem frenagem eficaz, o que, segundo a autoridade policial, configura risco de provocar a morte.
Durante a abordagem, policiais militares relataram que o motorista apresentava sinais evidentes de alteração da capacidade psicomotora, com fala desconexa e dificuldade de compreensão da situação. Ele afirmou, de forma confusa, que trafegava com o sinal verde quando a motocicleta teria surgido à frente do veículo.
Ainda conforme o relato, o condutor demonstrava saber que havia se envolvido em um acidente, mas não compreendia a gravidade do ocorrido. Ele também se recusou a realizar o teste do etilômetro.
No interior do veículo, foram encontrados um celular, uma bolsa com pequena quantidade de substância análoga à maconha, um triturador de ervas, um isqueiro e uma garrafa de bebida alcoólica parcialmente consumida.
Testemunhas ouvidas pela investigação informaram que o engenheiro esteve em uma casa noturna antes do acidente. Funcionários da boate relataram que ele já apresentava sinais de embriaguez ao chegar e se envolveu em uma discussão com seguranças e com o proprietário do estabelecimento.
Segundo os relatos, o cliente chegou a urinar em um corredor dentro da boate, sendo advertido pelos seguranças, e teve dificuldades para realizar o pagamento das bebidas consumidas, precisando de ajuda. Após comportamento inadequado, ele foi retirado do local e teve o acesso à casa noturna bloqueado.
Depois da colisão com o motociclista, policiais militares que atenderam à ocorrência relataram que o motorista apresentava sinais de alteração da capacidade psicomotora e dificuldade de compreensão da situação. “Apresentava fala desconexa e não demonstrava compreensão da gravidade do ocorrido”, afirmou um dos agentes.
Outro policial destacou a violência da colisão e informou que o motorista se recusou a fazer o teste do etilômetro. Uma testemunha que presenciou o acidente afirmou que o motociclista estava parado no cruzamento da Avenida Frei Serafim com a Avenida Miguel Rosa quando o carro avançou o sinal e provocou a colisão. “O motociclista foi arrastado pelo veículo e caiu possivelmente já sem vida”, relatou.
Entenda o caso
De acordo com a investigação, o motociclista estava parado no sinal vermelho quando foi atingido na traseira pelo carro conduzido pelo engenheiro. Com o impacto, a vítima foi arremessada, e a motocicleta arrastada por cerca de 40 metros. O veículo ficou com a parte frontal destruída.
A perícia apontou que o carro avançou o sinal vermelho e não houve frenagem eficaz antes da colisão. A dinâmica do acidente indica ainda que o motorista trafegava em velocidade incompatível com a via.
No veículo conduzido pelo investigado, foram encontrados itens relacionados ao consumo de álcool e substância análoga à maconha, conforme apontado em análise preliminar. A Polícia Civil informou que os laudos periciais complementares ainda serão anexados ao processo.
Carlos Eduardo Marques foi preso em flagrante após o acidente, e a prisão foi convertida em preventiva. O inquérito foi encaminhado ao Poder Judiciário para os procedimentos legais.
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