O consumo de carne crua por uma participante do Big Brother Brasil 26 na última semana reacendeu um alerta entre especialistas e o público sobre os riscos à saúde associados à prática. A cena, exibida repetidas vezes no programa, viralizou nas redes sociais e abriu debate acerca da segurança alimentar, após a sister admitir o hábito e relatar mal-estar gastrointestinal.
A ingestão de carne sem preparo térmico adequado pode expor o organismo a bactérias, parasitas e outros microrganismos potencialmente perigosos. Entre os principais agentes estão Salmonella, Clostridium e Listeria, além de parasitas como Toxoplasma gondii, causador da toxoplasmose, e a Taenia, conhecida como solitária.
Em entrevista ao Sistema O Dia, a nutricionista Vanusa Duarte explica que o risco existe e não deve ser ignorado, principalmente quando a carne não passa por processos específicos de preparo.
“É um risco, porque essa carne não foi feita um corte específico para esse consumo. No dia a dia, os cortes que levamos para casa não são preparados adequadamente para serem consumidos crus”, afirma a especialista.
A membro do Conselho Regional de Nutrição do Piauí ressalta que, embora existam exceções em contextos controlados, como o controle e peixes crus em preparações específicas, isso depende de uma cadeia rigorosa de armazenamento e higiene. Já carnes como frango e porco não devem ser consumidas cruas, em nenhuma hipótese. “Essas realmente não devem ser consumidas”, reforça.
Segunda a especialista, o problema não está apenas no alimento em si, mas em todo o processo até chegar ao consumidor. Falhas no armazenamento, transporte e manipulação podem favorecer a contaminação. “Você nunca sabe como essa carne foi armazenada, como foi manipulada e em que condições chega até você”, pontua.
Os efeitos no organismo podem ser graves. “Você pode ter problemas gastrointestinais, diarreias, vômitos e até levar à morte”, alerta Vanusa Duarte. O risco é ainda maior para crianças, idosos e pessoas com o sistema imunológico comprometido.
Além disso, práticas comuns no preparo doméstico, como o uso inadequado de utensílios, também contribuem para a chamada contaminação cruzada. Facas e tábuas utilizadas em alimentos crus, por exemplo, não devem ser reaproveitadas em alimentos prontos sem higienização adequada.
A nutricionista também destaca que o consumo de carne crua não está relacionado a uma alimentação mais natural ou saudável, como muitas vezes se imagina. “Não é inventar. É seguir o que está no guia alimentar da população brasileira”, afirma, ao defender escolhas baseadas em evidências científicas.
O caso no reality show também levanta preocupação sobre a influência de comportamentos exibidos na televisão. Para a especialista, é necessário cautela para evitar que práticas de risco se popularizem. “Nem tudo que aparece deve ser seguido. É preciso ter filtro e cuidado com a saúde”, conclui.
Enquanto o tema segue repercutindo, o alerta permanece claro: o consumo de carne crua, fora de contextos controlados e específicos, representa um risco real à saúde.
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