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Déficit de quase 150 profissionais expõe crise no Hospital Areolino de Abreu após morte de paciente

Audiência no MPPI aponta falhas graves de segurança e risco de novos casos no hospital psiquiátrico

20/03/2026 às 17h55

A morte do paciente Pedro Araújo da Silva, de 29 anos, nas dependências do Hospital Psiquiátrico Areolino de Abreu, no fim de fevereiro, acendeu um alerta sobre a situação da unidade. Em audiência pública realizada nesta sexta-feira (20), no Ministério Público do Piauí (MPPI), foi apontado um déficit de quase 150 profissionais, entre médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares de serviços gerais.

Hospital Areolino de Abreu registrou pelo menos dois assassinatos em dez anos. - (Ascom / Governo do Piauí) Ascom / Governo do Piauí
Hospital Areolino de Abreu registrou pelo menos dois assassinatos em dez anos.

Atualmente, o hospital opera próximo ao limite, com 148 leitos ocupados dos 160 disponíveis, o que, segundo os órgãos de controle, aumenta os riscos para pacientes e trabalhadores.

Uma reportagem especial do Jornal O Dia mostrou que este foi o segundo homicídio registrado na unidade em um intervalo de dez anos. Em ambos os casos, foram identificadas falhas semelhantes no monitoramento de pacientes.

Durante a audiência, relatórios apresentados pelos Conselhos Regionais de Medicina e de Enfermagem do Piauí apontaram a necessidade de pelo menos 68 enfermeiros, 40 técnicos de enfermagem e 38 auxiliares de serviços gerais para que o hospital funcione em condições adequadas.

Em nota, o CRM-PI destacou que, apenas para a contenção de pacientes, é necessária a contratação imediata de sete profissionais para dar suporte às equipes de saúde. Trabalhadores da unidade também relataram a entrada de armas brancas e drogas nas dependências do hospital e cobram a presença permanente da Polícia Militar.

Audiência Pública contou com a presença do CRM-PI, Coren-PI, Sesapi e MPPI.  - (CRM-PI ) CRM-PI
Audiência Pública contou com a presença do CRM-PI, Coren-PI, Sesapi e MPPI.

Especialistas ouvidos pelo Portal O Dia criticaram o modelo de atendimento em hospitais psiquiátricos. O doutor em Psicologia Social, Emanoel José Batista de Lima, afirmou que esses espaços podem agravar a situação dos pacientes, que deveriam ser acompanhados pela Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), em serviços como os Caps e residências terapêuticas, que também garantem internações.

“Instituições manicomiais como o Areolino de Abreu, são comparadas a campos de concentração e que dentro dessas instituições os casos, eles só se cronificam. Eles só pioram, aumentam as crises dos usuários, os internos são violentados e muitas vezes a própria internação provoca, situações horríveis, terríveis de sofrimento mental mais agudo e acabam que as pessoas que ficam dentro de um hospital psiquiátrico são expostas a uma série de violências”, analisou.

As obras na Hospital Areolino de Abreu estão paralisadas e apenas 25% concluídas. - (CRM-PI) CRM-PI
As obras na Hospital Areolino de Abreu estão paralisadas e apenas 25% concluídas.

O MPPI informou que acompanha a situação desde o homicídio e instaurou procedimentos administrativos para apurar as condições da unidade, já que tanto a vítima quanto o suspeito eram pacientes. A promotora de Justiça Débora Aragão destacou que a falta de profissionais aumenta o risco de novos episódios e expõe também os trabalhadores, diante da ausência de equipes treinadas para a contenção de pacientes em surto.

O Conselho Regional de Enfermagem apontou ainda que há profissionais exercendo funções além de suas atribuições. Por sua vez, o diretor administrativo do hospital, Marcos Vinícius de Sousa, afirmou que a unidade enfrenta dificuldades para cobrir plantões com médicos especialistas em psiquiatria, o que leva à atuação de profissionais com apenas pós-graduação na área.

A Secretaria de Saúde informou na audiência que o hospital está passando por reformas, com previsão de conclusão até outubro de 2026. Segundo o diretor da Unidade de Descentralização e Organização Hospitalar, Anderson Dantas, a pasta deve elaborar, no prazo de uma semana, um estudo técnico para viabilizar a ampliação do quadro de profissionais.

Entre as medidas em análise encaminhadas ao MPPI está a elaboração de uma matriz de risco para reforçar a segurança física e institucional do Hospital Areolino de Abreu.


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