Enquanto para algumas pessoas ser feliz está relacionado a conquistas materiais, como ter o carro ou o celular do ano, para outras, a felicidade pode estar nas coisas mais simples, como estar vivo, ter saúde ou conviver com quem se ama. A pergunta “o que é felicidade?” pode até soar simples em um primeiro momento, mas carrega uma complexidade que envolve experiências individuais, contextos sociais e diferentes fases da vida.
Celebrado em 20 de março, o Dia Internacional da Felicidade foi instituído pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em 28 de junho de 2012, com o objetivo de reforçar a importância do bem-estar e da qualidade de vida como prioridades globais. Mais do que uma data, o dia convida as pessoas à reflexão sobre o que realmente faz sentido para cada um de nós.
Para o estudante de medicina Lameque Lopes Silva (23), a felicidade está diretamente ligada ao modo como ele vive e seus valores pessoais. “Felicidade, para mim, é eu estar vivendo conforme os meus ideais. Eu sou cristão, estudo medicina e, pessoalmente, gosto de pessoas, então, meus ideais giram em torno disso. Ainda que as pessoas não tenham os mesmos ideais que eu, mas se estiverem segundo os seus, é muito provável que elas sejam felizes”, comenta.
O jovem também destaca que a felicidade não está apenas em grandes conquistas ou momentos extraordinários, mas, principalmente, nas coisas simples do dia a dia. “A felicidade é se amar, entender o autocuidado e o amor próprio. Muitas vezes, não entendemos o que de fato é o autocuidado e nos apegamos a coisas difíceis e quase impossíveis, que vemos em vidas irreais, como nas redes sociais, e não se atenta no simples, como beber água. Autocuidado e amor próprio é fazer o básico, se alimentar, fazer uma caminhada, e isso é o que nos traz felicidade”, explica
Lameque Lopes acrescenta que ter satisfação com a rotina também é essencial. “O momento de êxtase e comoção é muito bom, todos gostam de ir para uma festa, mas 95% da nossa vida é só o cotidiano. Então, felicidade é estar contente com o meu dia a dia”, reforça o estudante.
Já para Marcos Vinícius Wenes (23), pai da pequena Maya Cecília (2), a felicidade está ligada às relações afetivas e à construção familiar. “Ter felicidade é estar com minha família, ter saúde e paz, e o restante a gente corre atrás”, disse.
Ele comenta que a percepção sobre o que significa ser feliz tende a mudar com o tempo e com as experiências vividas. “O nosso entendimento de felicidade muda conforme vamos crescendo. Quando eu era jovem e não conhecia a realidade do mundo, eu queria ser bem estruturado, por exemplo, mas quando a gente cresce e vê que as coisas são mais difíceis, nossos planos mudam. Hoje, eu busco a liberdade, minha família e estar com as pessoas que eu gosto, e não bens materiais”, relata.
E perceber essa mudança de perspectiva ao longo da vida faz todo sentido, segundo o psicólogo Rodrigo Lopes. Segundo ele, definir felicidade atualmente é mais complexo do que no passado, justamente porque deixou de existir uma ideia única e universal sobre o tema. “Hoje, felicidade não é um estado fixo de alegria, mas um processo dinâmico de viver com sentido, equilíbrio emocional e conexão com o que realmente importa para você”, explica.
Diferenças entre gerações sobre o que é felicidade
O psicólogo destaca que fatores internos, como emoções e saúde mental, e externos, como cultura, economia e relações sociais, influenciam diretamente nessa construção. Além disso, há uma diferença entre gerações na forma de enxergar o que é viver bem. “Gerações mais jovens tendem a valorizar experiências, saúde mental e propósito, enquanto gerações anteriores muitas vezes associavam felicidade a estabilidade financeira e segurança”, cita.
Essa transformação, no entanto, não deve ser entendida como uma simples substituição de valores, mas como uma adaptação às novas realidades. O contexto atual, marcado por avanços tecnológicos, mudanças nas relações de trabalho e maior acesso à informação, ampliou as possibilidades de escolha e também os desafios.
A valorização de experiências e liberdade surge da combinação de mais opções de vida, menos estabilidade tradicional, novas influências culturais e tecnológicas e uma compreensão mais sofisticada do que realmente gera bem-estar
“A valorização de experiências e liberdade surge da combinação de mais opções de vida, menos estabilidade tradicional, novas influências culturais e tecnológicas e uma compreensão mais sofisticada do que realmente gera bem-estar”, explica o psicólogo.
Diante disso, surge uma questão comum: existe um caminho mais correto para alcançar a felicidade? A resposta, segundo Rodrigo Lopes, passa longe de ter uma fórmula única. “Felicidade sustentável não vem de escolher entre estabilidade ou experiências, vem de construir uma base que permita viver bem agora, sem prejudicar o seu futuro””, ressalta.
Na prática, isso significa buscar um equilíbrio entre segurança e realização pessoal, entendendo que esse ponto de equilíbrio pode mudar ao longo da vida. Em determinados momentos, a estabilidade pode ser prioridade; em outros, a busca por novas experiências e liberdade pode ganhar mais espaço.
O que fica evidente, é que a felicidade não está presa a um padrão único. Ela pode ser encontrada na realização de sonhos, na construção de relações, no cuidado consigo mesmo ou até na simplicidade do dia a dia. Mais do que alcançar um estado permanente de alegria, ser feliz está muito mais relacionado à capacidade de encontrar sentido na própria trajetória, respeitando valores, reconhecendo limites e valorizando aquilo que realmente importa em cada fase da vida.
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