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BPC: Entenda o que é e quem pode receber o benefício assistencial

Pagamento atende idosos e pessoas com deficiência de baixa renda; regras de acesso, revisão e possibilidade de trabalho ainda geram dúvidas entre beneficiários.

25/03/2026 às 15h00

25/03/2026 às 15h00

O Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a idosos e pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade social, segue como uma das principais políticas de proteção no país e levanta dúvidas sobre acesso, manutenção e possibilidade de trabalho em 2026. O benefício garante o pagamento mensal de um salário mínimo a quem atende aos critérios legais, sem exigir contribuição prévia ao INSS.

Previsto na Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), o BPC é destinado a pessoas com 65 anos ou mais e a pessoas com deficiência de longo prazo, de qualquer idade, desde que comprovem impedimentos que dificultem a participação plena na sociedade e baixa renda familiar.

BPC: Entenda o que é e quem pode receber o benefício assistencial - (Marcelo Camargo/Agência Brasil) Marcelo Camargo/Agência Brasil
BPC: Entenda o que é e quem pode receber o benefício assistencial

Para ter direito, a renda por pessoa da família deve ser igual ou inferior a um quarto do salário mínimo (ou seja, valor avaliado em R$ 405,25), além da obrigatoriedade de inscrição no Cadastro Único (CadÚnico).

Em entrevista ao Sistema O Dia, a advogada previdenciária Elaine Castro explica que o benefício tem natureza assistencial e não deve ser confundido com aposentadoria. “Para receber o BPC, a pessoa não precisa ter contribuído para o INSS. Ele é destinado justamente a quem nunca contribuiu, mas está em situação de vulnerabilidade social”, afirma. Segundo ela, essa diferença ainda gera equívocos, inclusive em casos envolvendo crianças com deficiência, que também podem ter direito ao benefício.

O processo de solicitação pode ser feito por telefone, internet ou presencialmente em unidades da Previdência Social ou centros de assistência social. No caso de pessoas com deficiência, a análise envolve duas etapas, com avaliação médica e social, o que pode prolongar o prazo. “Em média, leva cerca de seis meses, dependendo da fila e da região”, explica.

Elaine Castro, advogada previdenciária. - (O Dia TV) O Dia TV
Elaine Castro, advogada previdenciária.

A manutenção do benefício também exige atenção. A legislação prevê revisões periódicas para verificar se as condições que deram origem ao BPC permanecem. A falta de atualização cadastral e de documentos médicos recentes está entre os principais motivos de suspensão.

“É fundamental manter o Cadastro Único atualizado e apresentar laudos recentes, especialmente em casos de deficiência”, orienta Elaine Castro.

De acordo com a especialista, outro ponto que ainda gera dúvidas entre boa parte da população é a possibilidade de trabalho para aqueles que recebem o BPC. O beneficiário pode exercer atividade remunerada, mas é necessário que o limite de renda exigido por lei seja mantido.

No caso de a renda familiar ultrapassar o teto permitido, o pagamento do benefício pode ser suspenso. “Existe o mito de que quem recebe mão pode trabalhar, mas isso não é verdade. O cuidado deve ser com o cálculo da renda familiar”, destaca a advogada.

O BPC também não garante direitos adicionais comuns à aposentadoria, como décimo terceiro salário ou pensão por morte. Ainda assim, especialistas apontam que ele cumpre papel essencial ao assegurar o mínimo necessário para a sobrevivência de grupos vulneráveis, especialmente em um cenário de dificuldades econômicas.

O valor do benefício acompanha o salário mínimo e, por isso, é reajustado anualmente. Para especialistas, além de ampliar o acesso à informação, o desafio está em garantir que quem tem direito consiga acessar o benefício e mantê-lo de forma regular, evitando cortes por falhas burocráticas ou desconhecimento das regras.


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Com edição de Ithyara Borges.