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Pesquisa mostra que 81% dos brasileiros consideram importante que candidato acredite em Deus

Levantamento nacional aponta diferenças por renda e mostra como religião, política e confiança institucional se relacionam no país.

20/08/2026 às 14h23

Oito em cada dez brasileiros e brasileiras, ou 81% dos entrevistados, consideram fundamental que seus candidatos nas eleições acreditem em Deus. O dado faz parte de uma pesquisa inédita do Laboratório de Estudos Socioantropológicos em Política, Arte e Religião (LePar), da Universidade Federal Fluminense (UFF), apresentada na última quarta-feira (19), durante evento na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A percepção, porém, varia de acordo com a renda. Entre as pessoas que recebem até um salário mínimo, 89% consideram importante que candidatos acreditem em Deus. Entre aqueles com rendimentos de 10 a 20 salários mínimos, o percentual cai para 57%, segundo o levantamento.

Pesquisa mostra que 81% dos brasileiros consideram importante que candidato acredite em Deus - (José Cruz/Agência Brasil) José Cruz/Agência Brasil
Pesquisa mostra que 81% dos brasileiros consideram importante que candidato acredite em Deus

Os dados foram apresentados na abertura do 1º Congresso Internacional e Multidisciplinar sobre Sociedade, Religião e Valores. A pesquisa analisou percepções da população sobre religião, crenças, instituições e sua relação com questões políticas e sociais.

O levantamento também identificou uma forte presença da crença em Deus entre os entrevistados. Sete em cada dez pessoas ouvidas, o equivalente a 74%, concordam que Deus torna as pessoas melhores.

Nesse caso, a diferença entre as faixas de renda também aparece. Entre os entrevistados que recebem até um salário mínimo, 86% concordam com a afirmação de que Deus faz as pessoas serem melhores.

Outro dado levantado pela pesquisa diz respeito à educação. Segundo os resultados, 82% dos entrevistados defendem que as escolas devem ensinar crianças e adolescentes a acreditar em Deus.

O levantamento, no entanto, não significa necessariamente que os entrevistados tenham a mesma compreensão sobre religião, educação ou a relação entre Estado e crença. Os números registram as respostas dadas às afirmações apresentadas pela pesquisa.

Igreja Católica tem maior confiança

A pesquisa também perguntou aos participantes sobre a confiança em diferentes instituições religiosas. A Igreja Católica apareceu com 56% de confiança, sendo a instituição religiosa com maior percentual entre as opções apresentadas.

Na sequência, ficaram as igrejas protestantes, com 51%, e os centros kardecistas, com 19%. Os resultados mostram diferenças no nível de credibilidade atribuído às instituições religiosas presentes no país.

Outro resultado chama atenção para a relação entre religião e organização do Estado. Segundo o levantamento, 54% dos entrevistados afirmaram defender que o Estado não seja laico.

No Brasil, a Constituição Federal estabelece a liberdade de consciência e de crença e determina que o Estado não estabeleça ou subsidie religiões. A discussão sobre laicidade, portanto, envolve a separação entre instituições estatais e organizações religiosas, sem impedir a manifestação individual de crenças.

Os dados do LePar foram apresentados em um congresso dedicado justamente às relações entre religião, política e valores. A pesquisa coloca em evidência o peso que a religiosidade e as crenças sobre Deus ainda possuem nas percepções dos brasileiros sobre candidatos, educação, instituições e organização da sociedade.