Os ministros Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli se declararam, nesta terça-feira (15), impedidos ou suspeitos de participar da votação do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre eventual abertura de investigação envolvendo Alexandre de Moraes. A análise ocorre após a divulgação de mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Nunes Marques afirmou que não se sente confortável em participar do julgamento na condição de presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo o ministro, o resultado da sessão pode ter impacto no cenário político e eleitoral de 2026, área na qual o tribunal que preside atua diretamente.
“Eu não me sinto confortável de participar desse julgamento. Eu me declaro impedido”, afirmou Nunes Marques durante a sessão. Ele disse ainda que considera sua missão no TSE, de assegurar o equilíbrio nas eleições de 2026, mais importante neste momento.
Antes de anunciar o impedimento, o ministro também comentou sobre as mensagens que passaram a circular relacionadas ao caso. Nunes Marques afirmou que nunca julgou processo relacionado ao Banco Master, que seu filho, o advogado Kevin Marques, nunca prestou serviços ao banco e que não recebeu pagamentos diretamente da instituição.
O ministro também negou ter trocado mensagens com Daniel Vorcaro. Conversas extraídas do celular do ex-banqueiro, apreendido pela Polícia Federal, mencionam o nome de Kevin Marques e fazem referência a um pagamento de R$ 500 mil mensais.
Toffoli também não vota
Dias Toffoli anunciou que participará o julgamento. O ministro declarou suspeição por motivo de foro íntimo e afirmou que a decisão busca preservar a Corte diante de possíveis especulações relacionadas à sua participação no caso.
Toffoli, que anteriormente foi relator de apurações envolvendo o Banco Master no STF, informou que permanecerá na sessão e poderá se manifestar durante os debates caso considere necessário. Ele ressaltou que sua decisão decorre de suspeição, e não de impedimento.
“Eu declaro a minha suspeição para participar desse julgamento, mas não me retirarei”, afirmou o ministro.
A sessão do STF analisa a conduta de Alexandre de Moraes após a divulgação de mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro. O caso envolve conversas encontradas no celular do ex-banqueiro e questionamentos sobre eventuais relações entre Moraes e o empresário.
Entre os diálogos divulgados estão mensagens que mencionam Kevin Marques e um valor de R$ 500 mil por mês. Em uma das conversas, o ex-diretor jurídico do Banco Master, Luiz Rennó, responde a Vorcaro com informações relacionadas ao advogado.
De acordo com as mensagens citadas na sessão, os pagamentos seriam realizados por meio da empresa Consult Inteligência Tributária. A empresa recebeu R$ 6,6 milhões do Banco Master, enquanto Kevin Marques recebeu R$ 281,6 mil da Consult, segundo os dados apresentados no caso.
Com as declarações de Nunes Marques e Toffoli, ambos ficam fora da votação sobre o caso. Alexandre de Moraes também não deverá participar da análise. O julgamento conta com os demais ministros do STF, sob a presidência de Edson Fachin.